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Sábado, 17 de Novembro de 2018
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O dia depois do vendaval em São Francisco do Sul

Prefeito acredita que um ciclone tenha atingido a cidade, mas descarta decreto de emergência

Thaís Moreira de Mira
Joinville
Fotos: Fabrício Porto/ND
Vendaval deixou um rastro de destruição na cidade


O assunto desta terça-feira (13)  para os moradores de São Francisco do Sul foi o vendaval que deixou um rastro de destruição em parte da cidade, no início da noite de segunda (12). Os ventos que alcançaram 120 km/h, segundo estimativa dos Bombeiros Voluntários, causaram estragos em pelo menos 200 casas e deixaram oito bairros às escuras, entre Laranjeiras, Reta, Acaraí, Morro Grande, Água Branca, Rocio Pequeno, Rocio Grande e Centro. O tipo de fenômeno meteorológico, há a hipótese de ter sido um tornado, não foi determinado ontem pela Defesa Civil.

No Rocio Grande, logo no trevo de entrada para São Francisco, a bomba de combustível de um posto chegou a tombar com a força do vendaval. A cobertura e placas de propaganda que ficavam no pátio do estabelecimento voaram. Ao longo da BR-280 mais danos. Parte do muro de SCS, empresa que armazena produtos químicos, no bairro Acaraí, caiu. Árvores às margens da estrada e placas de sinalização também desabaram. Por causa da queda de árvores, a Rodovia Duque de Caxias, no bairro Reta, ficou interditada por cerca de 20 minutos durante a noite.


 

 


De manhã, o trânsito continuava lento no local porque muitos motoristas que deixavam as praias da cidade, ou seguiam em direção ao Centro, freavam para ver o galpão caído da empresa Sekalog. A estrutura não aguentou a intensidade dos ventos e ruiu inteira. Ninguém ficou ferido. “Têm cinco homens que estão ajudando a construir o galpão e moram lá, dentro de um contêiner. O contêiner começou a balançar e só deu tempo deles saíram de carro, eles viram quando o galpão caiu”, diz o ajudante geral Pedro João dos Santos Filho, 45, que presta serviço para a empresa.

O comerciante Herculano Alexandre Silva, 47, diz ter ficado assustado com o barulho do galpão caindo. “Foi feio, um barulho muito forte, parecia um terremoto”. A dona de casa Angelita Antunes de Lima, 36, mora em frente à Sekalog, porém como estava bastante preocupada com as filhas de três e nove anos nem prestou atenção ao galpão. “Foi um terror, nunca vimos vento tão forte quanto o de ontem (segundo). Abracei minhas filhas e fiquei num canto da casa, começou a desabar tudo”, conta. “A gente abria a porta para tentar escapar e o vento empurrava a gente de volta para dentro de casa”.

 

Casa furtada durante o temporal

Silvia Miguel, 42, os cinco filhos e a neta pequena deixaram a casa onde moram, no bairro Reta, assim que a tempestade teve início com medo que a estrutura de madeira não aguentasse o vendaval. A família correu para se refugiar na vizinha, porém esqueceu a portas da residência aberta e foi furtada. “Meu filho de 16 anos trabalha limpando caminhão e chegou em casa com R$ 250, a irmã pegou o dinheiro e  foi fazer compras ali no mercado. Quando ela chegou começou o vendaval e saímos de casa, entraram aqui e levaram a sacola com as compras”, lamenta Silvia.

 

 

 


A televisão que outra filha dela, com deficiência mental, ganhou da Apae (Associação de Pais e Amigos do Excepcional) também foi furtada. “Voltei 5h, fazer café para o meu menino ir trabalhar, e vi este estrago todo em casa, as coisas roubadas”. O imóvel de Silvia é alugado e ficou parcialmente destelhado, por isso ela, os filhos e a neta devem ficar temporariamente na casa de uma vizinha. “Vou falar com o locatário, ele tem que arrumar. Não tem condições de ficar com as crianças nesta casa.”

 

“Minha casa balançou”

A manhã desta terça foi de limpeza para a dona de casa Claurenice de Souza, 66. A cobertura da residência dela, na rua Marcos Gorresen, a rua Dez, voou com o vento e a água da chuva inundou a casa. Goteiras se formaram principalmente na cozinha e banheiro. “Molhou tudo, já limpei um monte, mas estou esperando meu filho ver se tem telha e Eternit para emprestar”.

Ela lembra que estava em casa com a filha e o genro quando o temporal começou, por volta de 19h. “Minha casa balançou, tremeu com a força do vento. O meu genro se afastou da janela com medo que elas quebrassem, fazia tempo que não via algo assim”. De acordo com Claurenice, a mais de 20 anos outro vendaval semelhante atingiu a cidade.

Pedro João dos Santos Filho, que é seu vizinho de frente, também sentiu a casa tremer na noite desta segunda. “Com o vento a nossa casa aqui tremeu tudo. As telhas do vizinho voaram para cá, Atena parabólica”.

Situação de emergência foi descartada

O prefeito Luiz Zera (PP) avaliaria na tarde desta terça, depois de receber o relatório com informações da Defesa Civil, a necessidade de se decretar situação de emergência em São Francisco do Sul, o que foi descartado. Ele, que centralizou todas as informações, acreditava na passagem de um ciclone sobre a cidade. “Estou aguardando o relatório da Defesa Civil, mas eu acredito que tenha sido um ciclone com ventos de mais de 100 km/h. Impossível vento com menos intensidade jogarem contêineres”, afirma se referindo a dois contêineres que tombaram para o lado de fora do pátio da Global Logística, no bairro Paulas.

Conforme Zera, a prioridade durante a manhã foi avaliar os prejuízos e ajudar as famílias que tiveram suas casas destelhadas. Ele pediu calma a população e garante que não houve feridos graves, ou mortos durante o temporal. Ainda ressalta que a Polícia Militar reforçou a segurança com cinco viaturas, para evitar saques enquanto a cidades estava sem luz.

O major Eugênio Hug, subcomandante do 27° Batalhão da PM, relata que dois suspeitos foram detidos nas rondas. “Eles não acataram a ordem de parada, e já tem passagens criminais, por isso foram detidos. Reforçamos o policiamento principalmente na parte comercial, muitos estabelecimentos ficaram com as portas de vidro quebradas”, diz.  Hug cita como exemplo a agência da CEF (Caixa Econômica Federal) e dos Correios, ambas no Centro. “A porta da frente da Caixa quebrou”.

O coordenador regional da Defesa Civil de Santa Catarina, Antônio Edival Pereira,  acompanhou o levantamento de danos causados pelo vendaval. Ele avaliou que não foi preciso decretar situação de emergência. “O município tem capacidade para responder aos danos ocorridos”, destacou. O relatório preliminar do órgão contabilizou 150 casas danificadas, 80 quedas de árvores e 30 pontos com rompimento de fiação elétrica. Também houve registro de granizo. Para atender as residências destelhadas, a Defesa Civil distribuiu rolos de lonas aos moradores.

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