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Quarta-Feira, 26 de Setembro de 2018
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Número de casos de suicídio registra elevação em Joinville

Ocorrências totalizaram 47 casos em 2013, contra os 39 registrados no ano anterior

Suellen Dos Santos Venturini
Joinville
Luciano Moraes/ND
Assistência: Equipe do Centro de Atenção Psicossocial oferece acompanhamento dos casos de pessoas com transtornos mentais leves, médios e severos

 

Na maior cidade de Santa Catarina, em média 2.500 pessoas morrem a cada ano. De acordo com um relatório divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde, em 2013 as doenças cardiovasculares lideraram as causas de mortalidade de Joinville. No ranking do que mais mata o joinvilense em segundo lugar estão os tumores, seguido das doenças respiratórias e causas externas. Este último item abrange acidentes, homicídios e suicídios, que são as causas da maioria das mortes de pessoas entre 20 e 39 anos. Segundo a secretaria, a morte autoinfringida é a causa que isoladamente mais cresceu em um ano na cidade, avançando três pontos percentuais em 2013 na comparação com 2012. Outro fator que chamou a atenção foi que a ocorrência de suicídios avançou enquanto as demais causas ficaram estacionadas ou recuaram.

Mesmo que Joinville esteja longe de índices como os de Venâncio Aires (RS), que é a cidade com maior taxa de suicídios do Brasil, a situação acende um alerta. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde) o suicídio é uma questão de saúde pública. A maioria das pessoas que escolhem tirar a própria vida o fazem principalmente devido a transtornos psicológicos. Segundo define a psicóloga clínica Inajara Freitas Villar Paiva, “todos os casos de suicídios acompanham históricos de uma doença de ordem mental.”

Inajara aponta que as principais doenças que desencadeiam o suicídio são a depressão e o transtorno bipolar. “Essas são as causas clínicas, mas existem também as socioculturais”, completa. Em Joinville, de acordo com Inajara, a maioria dos casos é de pessoas que se sentem solitárias, enfrentam transtornos afetivos ou lidam com a falta de resistência ao fracasso. “Uma das principais caracterizas de Joinville é de uma cidade que está em transição de pequena para grande, e isso mexe com as pessoas, dá uma noção de solidão. O fato de ter uma cultura iniciada no pós-guerra também, de ter sido colonizada por países onde o índice de suicídio é alto tende a influenciar nesse sentido, com certeza.”  

O suicídio ainda é combatido timidamente, porque muitas pessoas ainda têm receio em tratar a depressão. “Se fala muito que depressão é invenção, que as pessoas têm que procurar o que fazer, quando a depressão é uma doença séria que precisa de tratamento, assim como a bipolaridade”, afirma Inajara.  Para a psicóloga, o aumento nos casos de  suicídio só vai ser revertido quando houver mais tratamento dessas doenças de ordem mental. “Dá para reverter o quadro com uma boa política de ordem de publica e tratamento dessas doenças.”

Atendimento

O atendimento gratuito para pessoas que precisam de tratamento mental em Joinville é feito por meio dos Caps (Centro de Atenção Psicossocial), Paps (Pronto-acolhimento Psicossocial) e Sois (Serviços Organizados de Inclusão Social). São unidades com psicólogos, terapeutas ocupacionais, enfermeiros e farmacêuticos que fazem o acompanhamento dos casos de pessoas com transtornos mentais leves, médios e severos.

Os pacientes vão até as unidades, que tem a política de acolhimento por livre iniciativa ou encaminhados pelas unidades básicas de saúde. Eles são atendidos nas especialidades que necessitam por um período de tempo determinado. A saúde mental ainda conta com uma ala no Hospital Regional de Joinville para internações em casos mais graves.

De acordo com Shirlei Vicente dos Santos, coordenadora do Caps 2, unidade que atende adultos com transtornos mentais, todos os dias o suicídio é combatido. No dia anterior à entrevista, na unidade foram atendidos três casos de tentativas. “Diariamente a gente lida com esse assunto, estamos sempre trabalhando na prevenção”, afirma Shirlei. A coordenadora diz que a procura por tratamento na unidade tem aumentado. “O aumento na procura é notável. De uns três anos para cá deve ter dobrado”, estima. O aumento de procura pode significar o aumento nos casos de transtornos mentais em Joinville, mas também é um indicativo de que mais casos estão sendo tratados.

ESTATÍSTICA

Números em Joinville

 

Mortes por causas externas

2012
Trânsito: 141 (45%)
Homicídio: 86 (27,5%)
Suicídio: 39 (12,5%)
Outros acidentes: 27 (15%)

Total: 293

2013
Trânsito: 125 (41%)
Homicídio: 79 (26 %)
Suicídio: 47 (15,5%)
Outros acidentes: 33 (17,5 %)

Total: 284

Suicídio
2012: 39

2013:47
Homens: 38
Mulheres: 9

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