Publicidade
Sábado, 22 de Setembro de 2018
Descrição do tempo
  • 27º C
  • 18º C

Novos rumos para a Sociedade Floresta, na zona Sul de Joinville

Venda do salão vai possibilitar investimentos na estrutura do clube

Roberto Szabunia
Joinville

Uma das mais tradicionais entidades esportivas, sociais e culturais de Joinville, indo para 80 anos de história, a Sociedade Floresta olha para o futuro. “Quando anunciamos a venda do salão de bailes, houve quem visse um sinal do fim do clube. Muito pelo contrário: a venda significa a entrada de recursos para a modernização e o crescimento”, diz o atual presidente da agremiação, Júlio César Vieira, que está na sua segunda gestão. Anunciada em março em edital, a venda do salão possibilitará saldar dívidas, investir em reformas e ampliações e ainda manter um capital de giro. “Enquanto a maioria dos clubes toma outros caminhos, alugando, vendendo e até fechando as portas, o Floresta vai na contramão dessa tendência, investindo para oferecer mais opções aos sócios”, reforça o presidente executivo.

 

Carlos Junior/ND
Processo em andamento: "O ginásio estava na mão de terceiros, mas trouxemos de volta para o clube, assim como a piscina", diz o atual presidente da agremiação, Júlio César Vieira

 

O principal motivo que levou à decisão de vender o salão era a dívida acumulada de gestões passadas. Fala o presidente: “Era como bola de neve, rolando e crescendo. Chegou uma hora em que não conseguíamos nem dar atenção para a gestão da dívida, nem para a conservação do patrimônio. Então, isso tudo nos obrigou a reestudar a questão da dívida, incluindo a venda do tradicional salão. Tínhamos dois patrimônios, ambos necessitando e carecendo de boa manutenção. Então decidimos nos desfazer de um, investindo na reestruturação do maior, que é a sede social, esportiva e administrativa.”

Pelos cálculos prévios, com o que for levantado na venda do salão será possível liquidar todas as dívidas, investir na sede e sobra um capital de giro. “E ainda temos a renda do espaço alugado para terceiros na parte frontal do clube, que dá para a rua Ely Soares”, reforça Vieira.

Tudo isso, frisa o executivo, foi levado primeiro para a diretoria do clube, depois para o Conselho Deliberativo, e finalmente para os sócios. Na última assembleia, dos 40 sócios proprietários, compareceram dezenove, o que significa quase a metade. Foi então montada uma comissão exclusivamente para acompanhar todo o processo de venda do salão e aplicação do dinheiro.

 

Processo já iniciado

“Na verdade – prossegue Júlio César Vieira –, a reestruturação começou lá quando iniciei a minha gestão, em 2010.” Vice-presidente na gestão eleita em 2008, Vieira precisou assumir em função do falecimento do presidente Vilson Cardoso. Administrador e consultor, gestor do Banco de Olhos de Joinville, é o mais jovem presidente da história do Floresta.

O processo de modernização inclui a parte administrativa, com nova secretaria. “No caso da área externa – prossegue –, buscamos um parceiro que investiu na retirada do mato e da areia, deixou o campo de society em condições e com ele fizemos um contrato de arrendamento. Ou seja: o parceiro arrendou por dez anos, paga o aluguel e depois o campo fica para a sociedade.” Também houve melhorias na lanchonete, que atende campo de futebol e piscinas. Enquanto o society é aberto a quem quiser alugar, a piscina é exclusiva para os sócios do Floresta.

Outro alvo das reformas é o ginásio, conhecido como Gigantão do Floresta. “Era arrendado, mas estava meio abandonado, chovia mais dentro do que fora. Depois do início das reformas, um dia desses, no meio de uma chuvarada, fui conferir e só vi algumas poucas goteiras, que já estamos consertando. O ginásio estava na mão de terceiros, mas trouxemos de volta para o clube, assim como a piscina”, explica o presidente. O ginásio continua sendo alugado para terceiros, pois a procura por parte dos sócios não significa grande ocupação. A Felej, por exemplo, o utiliza diariamente para os treinos das escolinhas. E há mais planos para o Gigantão, como adianta Vieira: “Vamos transformá-lo num espaço multiuso, melhorando a acústica e possibilitando a realização de shows”.

Quanto à piscina, que continuará sendo de uso exclusivo dos sócios, a ideia é aprimorar, instalando aquecimento e possibilitando seu uso durante o ano todo, não só nos dias de sol. “Hoje, o espaço fica fechado de março a outubro. Com aquecimento, podemos usar sempre, e até colocar hidroginástica e outras opções de lazer.”

 

Salão de eventos

No local onde antes funcionava a secretaria foi feito um pequeno salão de eventos. É um espaço para sócios organizarem festas de aniversário, casamento e outros eventos menores, para no máximo cem pessoas. “Esse salão – reforça Vieira – é o embrião de um local maior, já planejado. Temos espaço para ampliações, pois há terreno para isso. Uma ideia é transferir a academia de musculação, desativando a cancha de bolão que ninguém mais usa, e criar mais um salão de eventos, até para voltar a promover bailes.”

 

As prioridades

Primeiro: ginásio

Segundo: piscina

Terceiro: salão de eventos

 

A sociedade

O Floresta tem hoje 40 sócios-proprietários e 110 sócios contribuintes, que pagam R$ 65 por mês, para a família desfrutar de toda a estrutura do clube: piscina, ginásio, balé, academia (neste caso, como se trata de coparticipação, paga-se uma taxa), escolinhas de vôlei e futebol.

 

Um grupo de amigos

Em setembro de 2011, na série de reportagens sobre os clubes que batizaram bairros, o ND contava a história da Sociedade Floresta.

A origem remonta a 1937, quando um grupo de amigos resolveu formar um clube. Eles batiam bola nas imediações de onde até há alguns anos funcionava a Lojas May. Nascia ali o Floresta Futebol Clube, assim batizado em homenagem à exuberante vegetação que ainda predominava na região Sul (o bairro ainda se chamava Santa Catarina I; a partir do km 2, perto de onde fica o terminal urbano Vera Cruz, começava o Santa Catarina II. Trinta e quatro anos depois, em homenagem ao time, o então prefeito Pedro Ivo Campos decretava que aquela região passaria a ser o bairro Floresta.).

Inicialmente concebido para ser um alviverde, o novo clube acabou adotando o alvinegro, devido à rivalidade que crescia com o Glória F. C., já verde e branco. A maioria caxiense, então, venceu e o uniforme se tornou preto e branco, como até hoje. No dia 7 de setembro de 1943, o clube de futebol se transformou numa entidade esportiva e social, denominada Sociedade Floresta.

Numa reportagem anterior, de 2009, o ND já destacava a carência de informações registradas sobre os primórdios do clube. Na ocasião, foi copiado um trecho da edição número 9 do boletim informativo da Sociedade Floresta, de junho de 1986, em que o sócio Bruno Volles (que também foi presidente) iniciava a publicação dos anais do clube. Mas admitia: “Lamentavelmente não existem registros dos primeiros anos de existência da Sociedade Floresta (ex-Floresta F. C.). A história de sua fundação restringe-se aos depoimentos de moradores do bairro Floresta, principalmente daqueles que participaram ativamente da fundação do clube”.

Entre os pioneiros, Volles destacava Amandus May, Eugênio Schubert, Ewald Timm, Alfredo Pinheiro, Leopoldo Kratsch, Antonio de Oliveira, Fritz Schubert, Silvino Silva, Juvenal Lino e Joaquim Cardoso. Também havia o grupo de jovens: Germano May, Israel Aguiar, Hercílio Diniz Pereira, Arthur Drefahl e Ervino Koerber, o “Sueco”.

Viúva de Arthur Volles e irmã de Germano May, Olivia May Volles dizia, em reportagem sobre o bairro Floresta, em outubro de 2010: “O Floresta Futebol Clube trazia era muita incomodação. Quando meu marido era presidente, os jogadores apareciam lá em casa, pedindo algum dinheiro ou algo assim. Ele precisava cuidar de tudo, do uniforme até as festas na Sociedade Floresta.

O terreno onde o novo clube faria seu campo se situava onde hoje fica a praça Tiradentes, na esquina das ruas Santa Catarina e Ely Soares – esta rua ganhou a denominação anos depois, em homenagem à filha do proprietário do terreno. Nos anais, cita Volles, “a data de fundação oficial do clube foi registrada apenas anos depois, a 7 de setembro de 1943”.

Envergando a camisa alvinegra, além de alguns dos já citados pioneiros, marcaram época atletas como os irmãos Arlindo, Waldemiro e Lolo Steuernagel, Arthur Ruam, Oswaldo Tavares, Emitério Nunes, Alex Schubert, Hugo e Dorival May, Raul Timm e os irmãos Harry e Tibe Schulz.

Em setembro de 1952 foi inaugurado o Estádio Alfredo Soares, primeiro lar do Floresta, que até então utilizava campos emprestados. No mesmo ano, o Floresta conquistava pela primeira vez o título da segunda divisão de amadores de Joinville – feito repetido nos dois anos seguintes; um novo tricampeonato viria nos anos de 1956 a 58.

Na administração de Bruno Volles, em 1957, foi adquirido o terreno onde hoje está o salão, no início da rua Santa Catarina. O baile de Natal de 1959 marcou a inauguração do salão, ainda sem secretaria e bar, entregues cinco anos depois.

A extinção do futebol e a prioridade dada às atividades sociais é assim relatada por Bruno Volles: “Em fevereiro de 1962, tendo na presidência Bruno Volles e como vice Amandus May, tendo em vista as dificuldades financeiras e as grandes despesas do departamento de futebol, o clube, reunido em assembleia (...) aprovou a extinção do departamento de futebol, passando o clube, dali em diante, a se preocupar com a conclusão das obras da sede própria, a parte social e o departamento de bolão, introduzido naquele ano”. Dois anos depois, na presidência de Paulo Schroeder, foi inaugurada oficialmente a sede social.

Publicidade

0 Comentários

Publicidade
Publicidade