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Natural de Florianópolis, vereadora na Catalunha fala sobre protestos pela independência

Kátia Juncks conta que milhares de pessoas estão nas ruas de Barcelona depois que o primeiro-ministro espanhol destituiu o presidente regional da Catalunha e seus conselheiros

Fábio Bispo
Florianópolis
21/10/2017 às 18H05

O pronunciamento do o primeiro-ministro espanhol Mariano Rajoy, na manhã deste sábado (21), destituindo o presidente regional da Catalunha, Carles Puigdemont, e todos os seus conselheiros, levou milhares de pessoas às ruas de Barcelona e região. Eles cobram que o governo local anuncie a independência, aprovada em plebiscito no último dia 1º de outubro. Helicópteros do governo central, de Madrid, sobrevoam a região desde cedo. A decisão de aplicar o artigo 155 da Constituição e retomar setores importantes da região, como finanças e política, é inédita na história da democracia espanhola.

Multidão está reunida em Barcelona para os protestos - Kátia Juncks/Divulgação/ND
Multidão está reunida em Barcelona para os protestos - Kátia Juncks/Divulgação/ND


A reportagem do ND está em contato Kátia Juncks, vereadora de Vic, na Catalunha, e que participa dos protestos em Barcelona, onde milhares de pessoas aguardam pronunciamento do governo local. “É um golpe. As pessoas estão nas ruas cobrando que o presidente da Generalitat [catalã] dê uma resposta e que seja decretada a abertura do plenário e declarem de uma vez por todas a independência”, falou por WhatsApp em meio aos manifestantes. Kátia é natural de Florianópolis e foi eleita pelo partido Capgiremvic.

Na mensagem, mulher pede a liberdade dos presos políticos - Kátia Junkes/Divulgação/ND
Na mensagem, mulher pede a liberdade dos presos políticos - Kátia Juncks/Divulgação/ND


 “Nosso presidente foi eleito de forma democrática. As pessoas estão perdendo a paciência, mas aqui, nunca deixamos de ser pacíficos”, emenda. O grupo grita “fora forças de ocupação” cada vez que um helicóptero sobrevoa a manifestação. Até o momento não há registros de confrontos. O grupo se concentra na região de Passeig de Gràcia. No dia 1ª, quando foi realizado o referendo, 1.033 pessoas foram atendidas em hospitais da região após ficarem feridas.

Os manifestantes também pedem a liberação dos líderes separatistas JordiCuixart, presidente da Omnium, e Jordi Sanchez, da ANC , presos desde a última segunda-feira (16) na cadeia Soto del Real, em Madrid. Segundo informações da Prefeitura de Barcelona, 450 mil pessoas participam das manifestações.

O prazo do governo central de Madrid para manifestação sobre a independência venceu na última quinta (19).

Entenda o caso:

No último dia 1º de outubro, a população catalã aprovou a independência da região, por meio de referendo. O pleito não foi reconhecido pelo governo de Rajoy. O presidente catalão, Carles Puigdemont, chegou declarar a independência e depois suspendeu seus efeitos para negociar com o governo espanhol.

Governo de Madrid aplica artigo polêmico da Constituição

Contrário à decisão do plebiscito que votou pela independência da região, o presidente Mariano Rajoy lançou mão do artigo 155 da Constituição, que em tese autoriza o governo de tomar "as medidas necessárias" para assumir responsabilidades das regiões autônomas.

A intervenção do Estado espanhol na Catalunha prevê que Madrid passe a controlar diretamente a polícia e a televisão regionais, que considera estarem nas mãos dos movimentos separatistas.

O artigo incluído na Constituição em 1975 como uma espécie de proteção de emergência para o caso de alguma das 17 regiões autônomas que formam o país "não cumprirem as obrigações impostas pela Constituição e outras leis, ou atuarem de forma a atentar gravemente contra o interesse geral da Espanha".

Como forma de protestos, cidadãos catalães foram aos bancos e sacaram 155 Euros como forma de protesto, anunciando um possível colapso financeiro na região.

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