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Terça-Feira, 25 de Setembro de 2018
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Na última sessão, só três vereadores estavam trajados conforme prevê o Regimento

Vestir terno e usar gravata não é questão de opção na Câmara de Joinville, é regra prevista no Regimento Interno da Casa para as sessões ordinárias e extraordinárias.

Josi Tromm Geisler
Joinville

Quem nunca ouviu aquela música de autoria de Noel Rosa, também cantada por Zeca Pagodinho: “Com que roupa? Com que roupa eu vou? Pro samba que você me convidou!”. Pois é, será que os vereadores de Joinville têm se feito essa pergunta? 

 Imagine chegar a uma sessão da Câmara e encontrar os 18 vereadores homens trajados de terno, gravata, camisa social e sapato preto? E para completar o grupo, ver a única vereadora mulher, Pastora Léia (PSD), usando vestidos sociais, com tecidos nobres como seda e rendas, além de sapato de salto alto? 

 

 

Carlos Junior/ND
Mau hábito. Dois grupos de vereadores batem papo enquanto colega faz uso da tribuna

 

A boa impressão, que seria passada com o uso de roupas adequadas, não é questão de opção na Câmara de Joinville, é regra prevista no Regimento Interno da Casa para as sessões ordinárias e extraordinárias. Foram os próprios vereadores da gestão passada que aprovaram o documento.

Contudo, o cenário ideal, em que todos os vereadores comparecem com traje de passeio completo, só foi presenciado em uma única sessão até hoje: em 1º de janeiro, na posse dos vereadores da atual Legislatuva, do prefeito Udo Döhler (PMDB) e do vice-prefeito Rodrigo Coelho (PDT).

O bom exemplo dado na posse, deveria se repetir em todas as sessões. O artigo 105 do Regimento Interno diz que “à hora do início da sessão ordinária os membros da Mesa Diretora e os vereadores, preferencialmente com traje de passeio completo, ocuparão os respectivos lugares”.

Contrariando o que sugere o Regimento, não é essa a roupa que a maioria dos parlamentares de Joinville normalmente vestem. Apenas quatro vereadores costumam acompanhar as sessões com os trajes devidamente adequados: Odir Nunes (SSD), João Carlos Gonçalves (PMDB), Dorval Pretti (PPS) e Jaime Evaristo (PSC). Na sessão ordinária da última quinta, não foi diferente. Nunes, Pretti e Gonçalves estavam rigorosamente vestidos conforme o Regimento – Evaristo faltou àquela sessão. 

Naquele dia, a equipe do Notícias do Dia e uma estilista de moda analisaram o comportamento e a roupa dos vereadores, tendo por base o Regimento Interno. A estilista Ana Luísa Silveira observou cada detalhe das vestimentas dos parlamentares, desde o calçado até a gravata.

Não foi o caso daquela sessão, mas já houve casos em que vereador marcou presença de camiseta e calça jeans. Na última quinta, teve vereador de camisa gola pólo, com camisa social sem gravata, jeans e sapatênis. “Apenas os vereadores Nunes, Gonçalves e Pretti respeitaram o traje. Os demais estavam com alguma peça casual”, avaliou Ana Luísa.

Segundo a estilista, apesar de três vereadores estarem bem trajados, só Odir Nunes mereceu nota máxima na avaliação. “Além de estar usando o traje certo, ele acertou na camisa e gravata em tons de azul marinho e listras, que estão adequados ao traje passeio completo. Muito elegante”, destacou.

É claro que o traje ou a peça de roupa não compromete a opinião ou ideologia do vereador. Contudo, além de se tornarem mais elegantes e até imporem certo respeito, com gravata e as demais peças exigidas, os parlamentares estariam respeitando as regras que eles mesmos definiram. (Leia mais na página 23)



Falta de respeito aos colegas
Enquanto o traje não influencia nas decisões e votações de projetos durante as sessões da Câmara de Vereadores, o comportamento inadequado de alguns parlamentares pode, sim, interferir. Não é particularidade de Joinville, já que cenas semelhantes podem ser observadas também nas sessões da Assembléia Legislativas de Santa Catarina e do Congresso Nacional.

O atraso para o início das sessões é o primeiro ponto a ser observado. Na quinta, por exemplo, a sessão começou às 17h15. O artigo 104 do Regimento Interno determina que o início da sessão seja às 17h, com duração de duas horas. O vereador Roberto Bisoni (PSDB) já chegou a dizer que, por falta de quórum, iria encerrar a sessão antes mesmo do início. Tem dias que o atraso, por pura falta de pontualidade dos edis, chega a meia hora.

Enfim, a reunião começou. Porém, o número de parlamentares no plenário ainda é muito baixo. Aos poucos, eles aparecem, cumprimentam os demais, circulam entre as cadeiras, chegam a rir alto. Tudo isso sem se importar com o colega que está na tribuna – que fica falando sozinho, mesmo com a presença dos demais no recinto. 

Na última sessão, a falta de respeito irritou o vereador Manoel Francisco Bento (PT). O Regimento prevê tempo de fala para cada vereador, de acordo com a bancada e o partido, mas são poucos os que respeitam o tempo limite. O presidente da sessão avisa que o tempo esgotou, pede uma, duas e até três vezes, mas alguns insistem em continuar seu pronunciamento. Outros querem pedir palavra de ordem a cada declaração de outro vereador. Com isso, a matéria do dia atrasa, o horário extrapola e os projetos são menos discutidos do que poderiam (ou deveriam).

O artigo 119 do Regimento Interno é bem claro quanto ao tempo de fala e, ainda, determina o tempo da ordem do dia. As discussões de projetos e outras matérias devem ocupar 60 minutos (uma hora) da sessão. Mas normalmente ocupam menos de 30 minutos.

Além disso, os vereadores têm o mau hábito de não prestar atenção no que os demais falam na palavra livre. Eles conversam entre si, falam com seus assessores, sentam na estrutura de madeira que divide o plenário do público, atendem o celular e sequer olham para quem está falando na tribuna. O cenário só muda quando o assunto realmente interessa ao vereador.

E o mau exemplo, que deveria ser motivo de vergonha, é visto por todos os visitantes no plenário e também pelo eleitor que acompanha as sessões pela internet ou pela tevê a cabo.

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