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MP, UFSC e prefeitura discutem ações para conter perturbação de sossego na rua Edu Vieira

Moradores relatam consumo de drogas, brigas, som alto e até atos obscenos pela região

Colombo de Souza
Florianópolis
06/06/2018 às 12H00

MP-SC (Ministério Público de Santa Catarina), Polí­cia Civil, UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e Prefeitura de Florianópolis discutem nesta quinta-feira (7) medidas para atenuar a perturbação de sossego dos frequentado­res de quatro bares na rua Deputado Antônio Edu Vieira, no Pantanal, região onde um adolescente de 16 anos foi assassinado no sábado (2). Os estabelecimentos funcio­nam no entorno da UFSC. Segundo o delegado do setor de Jogos e Diversões da Polícia Civil, Marcos Alessandro Viei­ra Assad, a medida a ser adotada tem que ser justa. “Pode ser um ajuste de conduta ou uma restrição de horário de funcionamento. Mas tudo isto será decidido neste encon­tro de quinta-feira”, afirmou.

Bagunça fica concentrada nos quatros bares em frente a um dos acessos à universidade - Marco Santiago/ND
Bagunça fica concentrada nos quatros bares em frente a um dos acessos à universidade - Marco Santiago/ND


No primeiro dia útil após o crime, segunda-feira, ocorreu uma reunião de caráter emergencial no setor de Jogos e Diversões da Polícia Civil, com o comandante do 4º BPM (Batalhão da Polícia Militar) coronel Marcelo Pontes, o secretário de Segurança Institucional da UFSC, Leandro Luiz de Oliveira, e representantes da Susp (Supe­rintendência de Serviços Públicos) da prefeitura. Eles não chegaram a um consenso e preferiram adotar as medi­das em conjunto com o Ministério Público. “Minha maior preocupação é em relação à Polícia Militar, que está sen­do hostilizada pelos frequentadores, como ocorreu no úl­timo sábado”, disse Assad.

As reclamações dos moradores do entorno dos bares são antigas, mas ecoaram com mais força no fim de se­mana, com a briga generalizada e a morte do adolescen­te. Na manhã de sábado, latas de cerveja jogadas na rua e o lixo acumulado davam noção do tamanho da baderna.

Moradores reclamam do consumo de drogas, das brigas e do som alto. E que muitos não conseguem dor­mir. Conforme os moradores, jovens drogados e bêba­dos fazem sexo na rua, fumam maconha, usam crack e até defecam nos quintais das casas. Nas ruas trans­versais, os frequentadores estacionam em frente de ga­ragens, impedindo o acesso dos carros de moradores. “Os bares funcionam de segunda a segunda. Mas o forte do movimento é quinta, sexta e feriados”, contou Edu­ardo, 23, que não autorizou divulgar o nome completo com medo de represálias. Eduardo contou que os bader­neiros invadem casas e fazem do quintal um banheiro. “Certa noite alguém defecou na frente da porta de casa e tapou com o boné do meu avô”, disse. O ND não conse­guiu falar com os proprietários dos bares.

“Só consigo dormir depois das 4h”

Osni José Vidal, 87 anos, lembra que a rua Edu Vieira era tranquila, mas ficou agi­tada depois da abertura dos bares. “Só consigo dormir depois das 4h”, reclamou.

As denúncias são varia­das. Proprietária de um pet, Daniela Rolando Pierozan, 47, está cansada de recolher baganas de maconha e ca­chimbos de fumar crack. “Estes arruaceiros passa­ram dos limites. Chegaram até a desenhar um baseado [cigarro de maconha] na fotografia de um cão estam­pada na parede do pet. Em outras fotos de animais es­creveram LSD”, disse.

Daniela contou que tam­bém é comum recolher pre­servativos, calcinhas e cue­cas na manhã seguinte após as festas. “Quando os bares fecham as portas, por volta das 2h, 3h, os baderneiros ficam na rua com som alto dos carros. Agora eles es­tão trazendo caixas de som potentes e ficam no estacio­namento da UFSC. Ninguém consegue dormir sossega­do”, afirmou.

Após o fechamento dos bares, relatou Daniela, os ar­ruaceiros compram bebidas em uma mercearia na qual o proprietário fica trancado e atende pela porta gradeada. “Assim eles consomem bebi­das a noite inteira”, disse.

Bar submetido a termo circunstanciado

O síndico Vilmar Macha­do, 65 anos, do residencial Machado Costa, contou que os moradores do entorno fi­zeram um abaixo-assinado e constituíram uma advogada para impetrar ação contra um dos bares. “Quando um bar fecha, os consumidores vão para outro e ficam be­bendo até altas horas da ma­drugada”, disse.

A advogada que representa os moradores, Fernanda Kru­csinski, afirmou que o dono de um dos bares foi subme­tido a um termo circunstan­ciado e se comprometeu a instalar isolamento acústico, sete banheiros, desligar o som às 22h, suspender a venda de bebidas alcoólicas à meia-noi­te e fechar a casa às 2h. Con­forme Fernanda, o acordo foi cumprido. Mas segundo os moradores, quando os bares fecham a bagunça continua com o som automotivo.

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