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Motoristas da Uber dizem estar sendo ameaçados e agredidos por taxistas

Motoristas da Ubber alegam que pelo menos um já foi agredito fisicamente por taxistas, e que ameças tem sido frequentes. Taxistas negam confronto

Windson Prado
Joinville
26/12/2016 às 10H54

Pelo menos dois motoristas conveniados ao aplicativo Uber foram parar na delegacia da Polícia Civil de Joinville, após supostamente serem agredidos e coagidos por taxistas. Os motoristas, que com medo de represarias preferem não se identificar, fizeram boletins de ocorrência, e relatam que os casos de perseguição têm aumentado nos últimos dias.

Uma das agressões teria ocorrido no fim da noite de quinta-feira (22) nas proximidades do aeroporto de Joinville. “Era por volta das 23h30 e eu tinha acabado de deixar três passageiros em uma casa de festas que fica perto ao aeroporto. Vi que tinha um avião chegando e então resolvi ficar nas imediações. Foi então que percebi duas pessoas vindo em minha direção. Eles já chegaram dizendo que eu era Uber, que era para eu sair de lá, senão iria apanhar. Eu tentei dizer que estava ali para trabalhar, assim como eles, mas então começaram a chutar meu carro e dar socos no vidro. Saí dali e fui registrar um Boletim de Ocorrência”, conta o motorista de 31 anos.

Marcas da suposta retalhação ficaram marcadas no carro do motorista da Uber - Carlos Júnior/ND
Marcas da suposta retalhação ficaram marcadas no carro do motorista da Uber - Carlos Júnior/ND

O motorista diz que nos 15 dias de operação da Uber na cidade, pelo menos um motorista foi agredido fisicamente. “Um taxista abordou ele no bairro Costa e Silva, e no meio da discussão deu uma cabeçada na boca dele. Isso aconteceu na semana passada. Ainda na última quinta (22), outro motorista da Uber foi interceptado por dois taxistas em frente a um supermercado, próximo a um shopping da zona Norte. Nesta ocorrência, até a PM foi chamada”, acrescenta o motorista da Uber.

Segundo o profissional, as intimidações estão sendo frequentes. Na delegacia, ele foi orientado a chamar a Polícia Militar, e a fazer boletins de ocorrência na Polícia Civil nos casos de agressão. O motorista disse também que a assessoria jurídica da Uber acompanha o caso, e mesmo diante das represálias vai continuar trabalhando. “A gente só quer trabalhar. Estamos amparados pela Constituição”, finalizou.

O serviço da Uber começou a funcionar em Joinville no dia 9 de dezembro mas ainda não é regulamentado. Por meio da Seinfra (Secretaria de Infraestrutura Urbana), o poder público municipal notificou alguns condutores que fazem o serviço de transporte privado de pessoas sem autorização. Por outro lado, a Uber garante que a prestação deste serviço está amparada na Constituição Federal.

 

Contrapontos

As duas cooperativas de táxi de Joinville negam quaisquer agressão ou intimidação, embora informem que além delas há taxistas que não pertencem a nenhuma cooperativa. “Nosso posicionamento é de evitar qualquer tipo de confronto. Sabemos que os motoristas da Uber, assim como nós, só querem trabalhar. O que a gente quer é que a Prefeitura regulamente o serviço e que eles arquem com as taxas e impostos que os taxistas precisam pagar”, declarou Anderson Wenceslau, gerente do Táxi Pontual, que também funciona por meio de aplicativo.

O presidente da Cooperativa Rádio Táxis, Fernando Luiz da Silva, também desconhece qualquer informação a respeito de perseguições ou agressões contra motoristas da Uber. “Nossa orientação para os nossos motoristas é a de que eles confiem na Prefeitura, que vem fazendo o trabalho de fiscalização do transporte clandestino na cidade. Não temos conhecimento de nenhum caso de agressão”, garantiu.

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