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Sexta-Feira, 21 de Setembro de 2018
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Mostra internacional com instrumentos medievais de tortura

Exposição de equipamentos segue até dia 4 no salão comunitário de igreja em Itajuba, Barra Velha

Lorení Franck
Joinville
Gaspar Toscan
I
Instrumentos dão um panorama da prática e das
variantes da tortura na Idade Média

Chocante, inédita, polêmica, perturbadora. São vários os adjetivos manifestados por quem se depara com os objetos de mais uma mostra programada pela Fundação Municipal de Cultura de Barra Velha: a Mostra Internacional de Instrumentos Medievais de Tortura, evento itinerante que percorre o Brasil e que pode ser visto até dia 4 de janeiro no salão comunitário Senhor Bom Jesus, da Igreja Católica, em Itajuba.
O projeto, aberto no último dia 7 de dezembro, é uma ação conjunta entre a Fundação da Cultura, as Secretarias Municipais de Turismo, Educação, Cultura e Desporto e o jornal O Correio do Litoral, com apoio da Secretaria Nacional dos Direitos Humanos. Segundo o presidente da fundação, José Carlos Fagundes, o Cacá, o curador deste acervo é o jornalista italiano e professor universitário Franco Gentili, que vive no Brasil há mais de 12 anos, após reunir estas peças em castelos, mosteiros e construções européias.
“É preciso ter estômago forte para ver os instrumentos e entrar na época em que tudo o que se vê nesta exposição era mesmo real”, observa Fagundes. “O culpado ou inocente era submetido a intermináveis sessões de tortura, onde o bom verdugo era aquele que maior dor causasse, por maior espaço de tempo. E pasmem, tudo isto feito quase sempre em locais públicos, castelos, praças e nas igrejas, e não apenas na católica”, comenta.
Já de acordo com Franco Gentili, no contexto da época, “torturar era social, jurídica e religiosamente aceitável e ético”. Da tortura política e judiciária, no entanto, restam poucos documentos. Na mostra existem instrumentos como o machado para cortar mãos, que segundo Gentili ainda hoje é usado em algumas áreas do globo. Instrumentos de tortura com dor, como o garrote, foram utilizados na Espanha até 1975, isto é, há apenas 25 anos.
Outros instrumentos são mais antigos, como no caso do “Banco de Esticamento”, de origem grego-romana, muito utilizado na Idade Média, geralmente nas torturas de classificação política. Já outros instrumentos como a máquina precursora da guilhotina, mais tosca, porém, com o mesmo princípio: o carrasco não tocava diretamente no executado. Há ainda instrumentos de “empalamento”, que perfuravam o ânus, a vagina ou o umbigo dos torturados, e mesas de evisceração, destinadas a retirar as vísceras dos acusados de heresia ou traição.
Cacá frisa também que faz parte da mostra também outros instrumentos que instigam a mente humana a pensar como isto era possível acontecer. Entre eles estão a “viola das comadres”, “a roda”, o “esmaga cabeças”, incluindo objetos para prender ou castigar escravos. Por outro lado, alguns instrumentos eram utilizados especificamente para as mulheres. As mães solteiras da época eram submetidas a torturas com o “despedaçador de peitos” e o “cinto de castidade”, este também usado para os homens.

Vários continentes
A Mostra Internacional de Instrumentos Medievais de Tortura já percorreu vários continentes e que o objetivo da mesma, segundo o historiador Gentili, é mostrar a violência que existia há 800 anos e lembrar que ainda nos dias de hoje, existe a tortura e a violência. Mas segundo ele, é importante ressaltar que 800 anos atrás não existiam cadeias para o “purgamento” dos crimes.
Na época, o acusado ficava um mês numa penitenciária. Neste período o Ministério Público tinha o direito de torturar o preso até a sua confissão, de acordo com as normas da época.

Onde visitar
O quê: Mostra Internacional de Instrumentos Medievais de Tortura
Onde: Salão Bom Jesus (avenida Itajuba, 1037)
Horário: 16h às 23h, diariamente, até 4 de janeiro
Quanto: R$ 3 para estudantes e idosos; R$ 6 para adultos
Informações: (47) 3457-1661

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