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Terça-Feira, 11 de Dezembro de 2018
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Morre viúva de um dos fundadores da Fundição Tupy

Adele Emma Schmidt estava com 104 anos

Redação ND
Joinville

“Ao lado do Albano minha felicidade foi grande, no curto período em que pude ser o seu esteio nas horas difíceis, procurando aliviar um pouco a sua carga e dedicando-me à educação de nossos filhos.” A declaração, dada na abertura do livro “A Estratégia da Confiança” (Apolinário Ternes, 1988), que conta a história da Tupy, sintetiza a trajetória de Adele Emma Schmidt, esposa de um dos fundadores da Fundição Tupy, Albano Schmidt, falecida terça (5), aos 104 anos. Era a última remanescente de 11 irmãos.

 

Divulgação/ND
Adele Emma quando completou 102 anos

 

Adele Emma era filha do industrial Germano Wetzel, fundador, em 1856, da Cia. Industrial Wetzel, fabricante de sabão e velas, mais antiga empresa de Joinville, precursora da atual Metalúrgica Wetzel. Albano e Adele casaram-se em 1930, quando o então jovem administrador atuava como procurador e administrador da empresa Enterlein, Keller & Cia., sucedida, em 1938, pela Fundição Tupy. A união gerou os filhos Gert, Hans Dieter e Helga, seis netos, 15 bisnetos e um trineto.

Em 15 de fevereiro de 1938, Adele era um dos nomes da lista de “subscritores de ações da sociedade anônima Fundição Tupy S. A.”, com o mesmo número de ações de Albano, 250, no valor de “250 contos de réis" (250.000.000 de réis, unidade monetária da época). Completavam a lista Paulo Max Keller e a esposa Clara Luíza, Hermann Metz e a mulher Vera e o irmão de Albano, Eugênio Schmidt.

Em 1945, a família mudou-se para São Paulo, tanto para permitir que Albano permanecesse mais próximo dos centros de decisão da economia nacional, quanto para dar melhores condições de estudo para os filhos. Com a morte de Albano, em 1958, Adele e os filhos retornaram para Joinville, onde Dieter assumiu a presidência da Tupy, aos 26 anos. Durante sua gestão, a presença da mãe era constante, especialmente em eventos, como na visita do governador Carlos Lacerda, em 1963, na inauguração da Fundição C. Dieter Schmidt morreu em setembro de 1981, em acidente aéreo no Oeste do Estado, quando era secretário da Indústria e Comércio, no governo de Jorge Bornhausen.

No mesmo texto de abertura da obra sobre a história da Tupy, Adele Emma escreve: “A dor que invadiu o nosso lar quando faleceu Albano e, mais tarde também quando o nosso filho Dieter teve morte trágica, encontra atenuação no destino que coube à empresa, vitoriosa como instituição e atravessando diversas crises de forma altiva”.

 

Divulgação/N
Adele Emma (à direita) ouve o discurso do filho Hans Dieter, em 1963

 

Amiga e animada

 

“As melhores lembranças que tenho dela são em família, especialmente as animadas tardes de domingo jogando baralho com as irmãs”, diz Brigitte Jordan Campos, sobrinha de Adele Emma, mostrando uma foto em que aparecem as tias Adele e Edith e a mãe, Elinor.

A disposição da avó e sua facilidade em fazer amizades são destacadas pela neta Cynthia, filha de Gert Schmidt, presidente do Conselho de Administração da Tupy nos anos 1980. “Ela ainda estava bem lúcida, mesmo aos 104 anos”, garante Cynthia.

“A oma sempre foi uma pessoa firme e próxima. Era quieta, mas determinada, e muitas vezes dizia coisas que nos faziam refletir”, relembra outro neto, Albano, diretor da Termotécnica, e filho de Dieter Schmidt. “Quando comemorei vinte anos de casado, a oma já estava com 97, mas foi uma das mais animadas da festa, junto com as tias Edith e Elinor”, acrescenta Albano, recordando também das muitas tardes que passou na casa da avó, correndo de carrinho de rolimã pela rua.

Uma amiga de dona Adelle que foi dar o último adeus era Jutta Hagemann, que lembrava: “Até quatro anos atrás ainda promovíamos um krentze dos mais tradicionais na cidade”. O krentze é um lanche, geralmente semanal, “a verdadeira representação do stammtisch”, segundo frau Hagemann.

 

 

Arquivo/ND
Aroldo Orlando da Conceição, em março de 2009, na Estação ferroviária de Joinville

O telégrafo silencia

 

“Um dia, espero que volte a circular o trem por aqui.” A declaração, cheia de esperança, era dada por Aroldo Orlando da Conceição, ex-mecânico, telegrafista e vendedor de passagens da Rede Ferroviária Federal, em março de 2009, quando saiu seu Perfil no ND. Aroldo faleceu segunda (4), aos 84 anos.

O telégrafo foi a última atividade do seu Aroldo na estação, até se aposentar, no dia 31 de dezembro de 1977. “Isso aqui ficava apinhado de gente, indo para São Francisco ou serra acima. O trem de passageiros nunca deveria ter sido retirado de circulação”, relembrava o ferroviário em seu perfil.

Nascido em Mafra, no dia 2 de maio de 1930, Aroldo herdou do pai, Orlando, o ofício de ferroviário. “Meu pai era maquinista, e me ensinou muita coisa, inclusive a conduzir o trem.” Com 12 anos de idade, Aroldo começou a trabalhar na Rede Viação Paraná-Santa Catarina, antecessora da RFFSA, em Corupá, para onde a família se transferira. Lá pelos 30 anos de idade, foi transferido para a cidade gaúcha de Marcelino Ramos, na fronteira com o Uruguai. Pouco tempo depois retornou a Mafra e, em 1975, chegou a Joinville.

Como telegrafista e um dos responsáveis pela estação, Aroldo precisava estar a par de todo o tráfego diário de trens no trecho sob sua responsabilidade. Quando um trem descarrilava, Aroldo precisava acionar a manutenção da Rede para providenciar o socorro. Às vezes, ele mesmo ia no carrinho manual até o local do incidente.

Morando próximo da estação, Aroldo ainda ia quase diariamente ao antigo local de trabalho. No futebol tinha o seu principal divertimento, dividindo as emoções da bola rolando com as atuações do JEC e do Vasco da Gama.

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