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Quinta-Feira, 20 de Setembro de 2018
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Moradores de condomínio na zona Norte de Joinville reclamam de problemas nos prédios

Residencial construído com recursos do programa Minha Casa Minha Vida foi inaugurado há pouco mais de três meses

Thaís Moreira de Mira
Joinville
Fabrício Porto/ND
Falta de declive na calçada faz água da chuva entrar no apartamento da aposentada Conceição Mendes

 

O sonho da casa própria virou dor de cabeça para moradores do residencial Irmã Maria da Graça Braz, no bairro Jardim Iririú, zona Leste de Joinville. São 20 prédios, num total de 320 apartamentos. Construído com R$ 17,920 milhões do programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, o condomínio entregue há pouco mais de três meses apresenta problemas de acabamento que vão desde um para-raios quebrado no bloco 19, a rachaduras dentro e fora dos apartamentos. “Este para-raios está caído desde a inauguração. Quando fomos pedir para os funcionários da construtora arrumarem eles nos disseram que o trabalho deles tinha terminado, que agora é tudo com os moradores”, afirma Célio Melo, 43 anos, presidente do Conselho de Moradores.

O mecânico Evaldo Westhpal, 53, chama atenção para o risco de descarga elétrica. No pátio, Melo e Westhpal listam falhas deixadas pela construtora Città, de São José dos Pinhais (PR), escolhida pela CEF (Caixa Econômica Federal) para realizar a obra. No corredor do bloco 11 ao 20, os canos instalados no gramado não têm torneiras.

“Nenhum destes canos têm água, aqui era para ter uma torneira”, indica Melo. Ainda no pátio, ele e Westhpal mostram que as lajotas e as bocas de lobo estão cedendo.  “A construtora diz que a boca de lobo afundou porque passou um caminhão em cima, por isso não vai consertar. Isto não é verdade, é só passar com o carro em cima que ela já afunda”, diz o mecânico.

De acordo com Westhpal, as bocas de lobo estão cedendo porque foram feitas com um concreto fino e de má qualidade. “É um cimento barato, até bicicleta derruba.” Também na área comum ele revela problemas nos corrimões das rampas de acesso aos blocos. Soldados apenas de um lado, eles estão caindo e os moradores usam pedaços de pau e elástico na tentativa de consertá-los. Além disso, não foram pintados, estão só com a tinta de fundo.

 

Fabrício Porto/ND
Acesso é livre ao local onde fica a estação de tratamento de esgoto

 

 

Estação de esgoto não tem cerca

No pátio do residencial Irmã Maria da Graça Braz, outro problema apresentado pelos moradores é a falta de cerca para isolar a estação de tratamento de esgoto. O local pode ser acessado livremente. “Esta estação de tratamento de esgoto deveria ser toda cercada. Imagina se tem uma criança brincando ali e a placa cede, a criança morre afogada. É fundo”, teme Célio Melo.

Já saindo da área comum para entrar nos blocos outra queixa feita é referente à falta de caída nas calçadas. Quando chove, garantem os moradores, a água empossa em frente à porta e invade os primeiros apartamentos de cada bloco. Asmática, a aposentada Conceição Mendes, 81, chegou a ser levado ao pronto socorro pelos vizinhos numa das suas tentativas de evitar que a casa ficasse alagada. “Parei um carro e pedi para levar ela no pronto socorro, ela é asmática e passou mal tentando tirar a água de dentro do apartamento num dia de chuva”, recorda Evaldo Westhpal.

Canos estouram devido à pressão

Dentro dos apartamentos, os moradores do residencial Irmã Maria da Graça Braz apontam outra série de problemas. A servente Jaqueline Sestrem, 38, começa pelos chuveiros que estouram quando são ligados. “Já troquei três chuveiros desde que entrei aqui, em outubro. Eles estouram quando a gente liga, a água desce com toda pressão, dá um baita susto.”

Evaldo Westhpal acredita que o problema seja ocasionado porque entra ar no boiler do aquecedor solar. O chuveiro de um vizinho estourou e as paredes da cozinha do apartamento onde mora junto à mulher, no bloco 1, ficaram encharcadas. “Saía água por tudo, pelas lâmpadas”, conta Dorlene Vrunski, 53, mulher do mecânico. Durante uma visita aos apartamentos é fácil encontrar outros defeitos. É a porta e a janela que não fecham direito, o box do banheiro sem caída para escorrer a água e rachaduras.

“No meu apartamento tem rachadura em cima da janela da lavanderia e atrás do guarda-roupa, mas a construtora disse que isto é normal porque o edifício trabalha ainda uns dois anos”, detalha Jaqueline. Já quanto à falta de caída no banheiro não tem mesmo o que fazer, o jeito encontrado por Dorlene para a água do banho não invadir a sala é usar fita colante e toalha como barreira.

“Uso mais toalha no chão do que para me secar. Meu marido foi ver para colocar um box aqui em casa, mas o instalador disse que ele ia gastar sempre com silicone e não compensa.”

Construtora se compromete a realizar reparos

A construtora da Città Engenharia se reuniu na semana passada com a superintendência regional da CEF para tratar de assuntos referentes ao residencial Irmã Maria da Graça Braz. Conforme a empresa, os problemas que forem levantados, e se mostrarem procedentes, serão resolvidos dentro de um prazo estipulado em cronograma.

A Città afirma que tem uma equipe em tempo integral para acompanhar o suposto problema com o boiler do aquecedor solar. E explica que as rachaduras apontadas pelos moradores são, na verdade, fissuras ocasionadas enquanto a estrutura trabalha. De acordo com a construtora, elas serão preenchidas à medida que os moradores solicitarem o reparo.  

Para abrir uma ordem de serviço e solicitar o conserto dentro do apartamento o morador precisa levar a reclamação até o líder de bloco. Se a queixa for relacionada ao condomínio deve ser feita ao síndico. Em ambos os casos os representantes dos moradores encaminham email com o pedido para manutencao@citta.eng.br. Outra forma é entrar em contato com o SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor) da CEF através do 0800-726 0101.

Erros na execução

O engenheiro civil Sérgio Brugnago, inspetor do Crea (Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura) em Joinville, confirma que as fissuras encontradas pelos moradores no residencial Irmã Maria da Graça Braz podem sim aparecer enquanto o prédio trabalha. No entanto, acredita que a construtora deve fazer um laudo para ter certeza da sua superficialidade. “Às vezes aparecem fissuras no reboco, depende de como a argamassa foi preparada, do clima, nossa cidade tem muita umidade no ar”, explica. “A construtora deve elaborar um laudo e apresentar para os moradores ficarem tranquilos de que não é nada na parte estrutural”.

Já as outras reclamações apresentadas pelos moradores são avaliadas por Brugnago como erro de execução na obra. Ele expõe, por exemplo, que o piso do pátio e as bocas de lobo não deveriam ceder mesmo com o tráfego de veículos pesados. “Ou o aterro não foi bem feito, ou a camada de concreto é muito fina e não suporta o peso dos automóveis. Isto não deveria acontecer, se não quando a pessoa precisar fazer uma mudança vai ter que deixar o caminhão na portaria?”, questiona.

Os corrimões, segundo o engenheiro civil, deveriam ser resistentes para suportar o peso desde crianças até adultos com 70, 80 quilos ou mais, e não arrebentarem. E as calçadas em frente às portas do bloco precisavam ter um desnível para evitar que a água da chuva escorresse para dentro dos apartamentos. Sobre os chuveiros que estouram, Brugnago afirma que é bastante estranho eles estourarem e aposta em problema na tubulação.

“Deveria ter um redutor de pressão na caixa. Talvez a tubulação não seja de qualidade, ou seja muito fina e acabe estourando, tem que verificar”.

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