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Quarta-Feira, 21 de Novembro de 2018
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Mercado de luxo: pesquisa revela as preferências dos consumidores catarinenses de alto padrão

A estimativa é de que no país o mercado de alto padrão represente um faturamento anual superior a R$ 20 bilhões

Elaine Stepanski
Florianópolis
Flávio Tin/ND
Juliana e Andrea em Jurerê Internacional, referência no mercado de alto padrão


“Aqui me sinto em casa. Eles pensam em cada detalhe que faz a diferença”. Esta frase traduz o sentimento da consultora de imagem Juliana Tabox, 42, que frequenta há quatro anos com a família o IL Campanario, em Jurerê Internacional. A turista paranaense já conhece cada funcionário e é uma das clientes do mercado de luxo que a cada ano ganha mais espaço no Estado.

A estimativa é de que no país o mercado de alto padrão represente um faturamento anual superior a R$ 20 bilhões. Com o 6º maior PIB (Produto Interno Bruto) nacional, Santa Catarina abocanha uma boa fatia desse mercado.

Mas diferente do que muitos pensam quando ouvem falar em luxo, a ostentação vai ficando cada vez mais no passado. O “novo luxo” traduz a experiência em si. “Mais importante do que o valor de uma refeição em um restaurante parisiense estão as lembranças e os momentos únicos ali vividos”, defende a especialista em mercado premium, Manu Berger.

De acordo com pesquisa recente da Fecomércio (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de SC), que entrevistou moradores do Estado com renda familiar superior a 13 mil ou patrimônio superior a R$ 1,5 milhão, os consumidores classe A fazem parte um público seleto e exigente: a maior parte, 66,7%, está preocupada com a qualidade dos produtos.

A grife e todo seu valor agregado, que traduziria status, raridade e poder, é balizadora para a grande maioria dos entrevistados (91,7%): 69,4% afirmaram que influencia parcialmente e 22,2% totalmente na decisão da compra. Quanto ao ponto de venda, sai na frente quem oferece atendimento personalizado (75%) e está bem localizado (11,1%).

“Quando você adquire um carro, por exemplo, ou uma roupa, aquele momento da emoção com aquela aquisição é mais rápido, mas a experiência fica. Você sempre vai lembrar-se de como foi bem tratado, do que viveu. E isso não permeia apenas a classe A. Todos desejam esse novo luxo”, diz a diretora de conteúdo e novos negócios de Jurerê Internacional, Andrea Gusmão.

Para ela, oferecer um “tratamento diferenciado e excelência nos serviços” é o que define o novo conceito de mercado de luxo.

Estar bem localizado e oferecer excelência são primordiais. Para o promoter Jamil Nicolau, Jurerê deve se manter como tendência, já que concentra hospedagem, festas, bons restaurantes e lojas.

 

Design faz a diferença

Para a consultora Juliana Tabox, ter um apartamento de alto padrão, viajar pelo mundo, experimentar pratos exóticos e consumir produtos de grife, como Prada e Chanel, estão na sua lista de preferências, mas esse arsenal de bens sofisticados existe pelo que eles proporcionam e, principalmente, pela qualidade.

“Toda mulher gosta de se sentir bem, bonita, ter sua autoestima em dia, usar produtos diferenciados e de qualidade. Eu falo para o meu marido quando compro uma bolsa Chanel, por exemplo, que é um investimento alto, mas com grande durabilidade. Uma peça que dura anos e que será repassada para as minhas filhas. É a qualidade e o design que diferenciam”, exemplifica.

Entre os que dão importância para as grifes – para eles, sinônimo de status, raridade e poder –, 91,7% dizem que as marcas são as balizadoras para as compras. Conforme o levantamento da Fecomércio, as roupas (86,1%) lideram o ranking dos produtos e serviços mais consumidos, seguidas pelos calçados e bolsas (38,9%). Empatados, com 25%, estão artigos como relógios, joias, óculos e as viagens.

Casamento vira filão de negócios

Com suas praias e belezas naturais, Florianópolis tem sido destino de luxo também para os casamentos e lua de mel. O mercado cada vez mais aquecido traz o atendimento exclusivo e personalizado aos clientes nestas datas especiais.

Há 20 anos no mercado, a agência de viagens e turismo Menton, da capital, que entrou recentemente na concorrida Virtuoso – ONG que congrega agências de viagem, fornecedores e destino de luxo em 26 países também aposta nestas datas para incrementar o mercado.

“Os clientes procuram locais exóticos e atendimento diferenciado. Oferecemos experiências novas, com café diário nos quartos, massagem, tratamento vip, itinerários privilegiados. São clientes que procuram o luxo, a exclusividade”, conta uma das sócias, Fabiana Ferrari.

Com suas peculiaridades e diversidade, o mercado está em ascensão, afirma o presidente do Floripa Convention & Visitors Bureau, Marco Aurélio Floriani. “É um setor que movimenta milhões, mas não temos a dimensão exata do quanto. Temos investido num projeto mais forte com empresas que atuam neste segmento”, afirma Floriani.

“Os serviços evoluíram. Temos boas condições de formação, bom volume de profissionais nas universidades, e algumas opções para atender esse mercado de luxo em termos de espaço, mas as opções são poucas se comparado a outros países. Nossos hoteis, por exemplo, não estão preparados para atender o turismo de luxo, com raríssimas exceções”, opina Floriani.

Mas por suas peculiaridades e diversidades, com festas que concentram DJs internacionais, trilhas e belíssimas praias, Florianópolis atrai o público de luxo mesmo com as opções em menor proporção. “É um turismo ainda voltado mais para a temporada, até o pós-Carnaval.

A principal reclamação é quanto à logística e mobilidade – mas são problemas comuns em todas as cidades. Mas em entretenimento não deixa a desejar. E o mercado de luxo se concentra praticamente em Jurerê – onde o consumidor encontra bons restaurantes, hoteis, lojas. É referência mundial”, afirma o promoter Jamil Nicolau.

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