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Terça-Feira, 20 de Novembro de 2018
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Trabalho remoto e coworking ganham espaço em Joinville

Empresas e empreendedores adotam rotina de trabalho em lugares diferentes dos escritórios convencionais

Isabella Mayer de Moura
Joinville
Luciano Moraes/ND
Moisés trabalha em casa e tem clientes nos Estados Unidos e Europa

 

No futuro, trabalhar em um escritório convencional pode se tornar coisa do passado. Algumas empresas e empreendedores já estão caminhando para esta nova realidade no mundo dos negócios, abrindo mão das relações convencionais para investir em sistemas que gerem mais resultados positivos, como é o caso do trabalho remoto e do coworking.

A Totvs é uma dessas empresas. No início de 2014 adotou o Home Based, em que o funcionário trabalha de casa e a companhia acompanha as atividades realizadas pelos colaboradores e avalia indicadores de performance. “No primeiro momento, mapeamos as áreas da empresa que poderiam trabalhar de casa e perguntamos para as pessoas quem gostaria de participar. Essas pessoas passam por uma entrevista com o RH para entender se elas têm perfil para trabalhar de casa e também condições familiares, como criança em casa, por exemplo”, explicou Daniela Cabral, responsável pelo Recursos Humanos da Totvs, acrescentando que uma equipe de Segurança do Trabalho visitou a casa do funcionário para identificar estrutura e ergonomia.

No programa de Home Based da Totvs, o funcionário fica 30 dias em casa, 30 dias na companhia, e assim por diante, para não perder a socialização com a empresa. “Embora ele possa se atualizar por meio de materiais em casa, o contato próximo é diferente”, disse Daniela.  Adotando este modelo de teletrabalho, a empresa ganhou espaço dentro do escritório, reduziu os custos e conquistou aumento de produtividade, enquanto que os colaboradores que passaram a viver esta nova realidade apontam benefícios como a economia de tempo com o deslocamento entre casa e empresa.

 

Luciano Moraes/ND
Escritório de coworking integra profissionais que trabalham para várias empresas

 

Atualmente 115 funcionários da Totvs trabalham remotamente, dentre os quais seis em Joinville. Até o final do ano a companhia pretende ter em torno de 200 pessoas no modelo home based. Na cidade também já estão sendo explorados outros modelos de escritório, como é o caso dos home offices e dos espaços colaborativos, conhecidos como coworkings. “Em Joinville várias empresas estão abertas para estas novas formas de trabalho, especialmente na área de tecnologia da informação”, disse Lise Chavez, consultora especialista em gestão de pessoas.

 

Teletrabalho

 

Recentemente, a analista de desenvolvimento de software, Roberta Patrício Postai Vieira, vem experimentando uma nova forma de trabalhar na empresa que a acolheu há seis anos, a Totvs. Nos últimos três meses ela deixou de se deslocar diariamente à companhia para ficar trabalhando em casa, remotamente, em um modelo conhecido como home based ou teletrabalho.

“Alguns funcionários foram indicados pelos supervisores para esta experiência de três meses. Quem se adaptou, como foi o meu caso, renovou o contrato neste novo formato de trabalho”, observou ela. A Totvs escolheu a dedo as pessoas que fariam o teletrabalho e acompanhou estes primeiros meses de adaptação. Segundo Roberta, foram feitas entrevistas e uma avaliação das condições do escritório montado em casa. “A iluminação, a internet, a cadeira. Tudo isso foi avaliado para assegurar um bom ambiente de trabalho”, contou.

Com esta mudança, Roberta elenca vantagens: maior produtividade, menos perda de tempo, mais tempo disponível para a família e para cuidar da sua saúde. “A rotina matinal de me arrumar, perder tempo no trânsito, me atrasava. Agora trabalhando em casa, as coisas ficaram mais fáceis”, afirmou.

Mesmo morando com o marido e um filho de três anos, ela garante que as distrações são menores em casa do que no trabalho. “Meu marido trabalha e meu filho fica na escolinha, então eu tenho o dia sozinha para me dedicar ao trabalho. E o fato de ficar em casa ajudou na rotina familiar, porque o tempo que eu perdi indo e voltando da empresa eu acabo focando mais nas atividades da casa e passo mais tempo com eles”, relatou ela.

Além do salário, Roberta ganha uma ajuda de custo da empresa para as despesas que tem em função do teletrabalho. Ela está longe da empresa, mas continua tendo contato com os colegas por videoconferência, e, quando necessário, se desloca até a empresa para participar de alguma reunião. “Eu topei essa mudança e estou gostando dos resultados. É qualidade de vida”, concluiu.

 

 

Home Office

 

A rotina do produtor de vídeos Moisés Oliveira é bem diferente da maioria dos joinvileses, que geralmente acordam cedo, pegam o carro ou o transporte coletivo para chegar ao trabalho e ao fim da tarde repetem o trajeto para chegar em casa. “Eu acordo mais tarde, como alguma coisa e começo a trabalhar por volta das 14h ou 15h. O expediente só encerra tarde da noite”, conta. O que explica a diferença de hábito é o fato de Oliveira trabalhar em casa.

A ideia do home office surgiu após a última passagem dele pela Europa, onde morou por dois anos. Lá ele fez contatos com profissionais da área e editou vídeos que deram visibilidade ao seu trabalho. Mesmo com a demanda por serviços no velho continente, ele retornou ao Brasil para ter um contato mais direto com família e amigos, mas trouxe na mala as parcerias e a experiência adquiridas no exterior.

Hoje Oliveira trabalha como freelancer para escritórios em Nova Iorque, Irlanda e Inglaterra e faz a pós-produção de vídeos para empresas brasileiras, como foi o caso da campanha Surpresas de Natal do Shopping Mueller, que ganhou o prêmio Manchester Catarinense de Propaganda. “Depois que voltei da Europa criei uma empresa, a 039.tv, e cerca de 90% dos trabalhos que eu faço são para escritórios fora do país”, mencionou Oliveira.

Como toda nova rotina exige, Oliveira levou um tempo para se adaptar ao home office. “No início às vezes batia uma preguiça, a cama está ali no quarto ao lado, o vídeo game também se torna uma tentação, mas é preciso ter consciência que no fim do mês as contas vencem e é preciso trabalhar para pagá-las”, comentou.

Para trabalhar ele precisa de seus equipamentos de edição, computador, monitor, uma internet de alta velocidade e uma boa cadeira, os quais foram dispostos em um escritório no seu apartamento. Em relação aos horários, ele diz que prefere trabalhar à noite. “É um período mais tranquilo, com menos barulho”, explicou.

Mas o home office também tem desvantagens. Conforme Oliveira, o aspecto ruim de trabalhar em casa é a falta de um contato mais direto com as pessoas. “É um trabalho muito sozinho e isso acaba prejudicando a troca de ideias, que estimula a criatividade, essencial na minha profissão”, disse.

 

Espaço colaborativo

 

Para algumas pessoas trabalhar em casa não é uma opção. Distrações, pouco contato social e falta de disciplina são razões pelas quais muitos abandonam o home office para trabalhar em um espaço colaborativo, conhecido como coworking. Este modelo de escritório reúne várias empresas em um único local, geralmente sem divisórias.

Em Joinville, o Fliperama oferece um espaço como este. No centro de Joinville, ele é uma opção para pequenas empresas e profissionais que estão de passagem pela cidade e precisam marcar reuniões ou ter um local para trabalhar por alguns dias. Internet de alta velocidade, impressora, telefone, sala de reuniões, copa de uso comum são alguns dos serviços oferecidos pelo Fliperama.

A ideia de criar um espaço como este em Joinville surgiu da necessidade dos próprios sócios e da vontade de trabalhar lado a lado com os amigos. “Já tínhamos feito alguns trabalhos juntos e levar as duas empresas para o mesmo local facilitaria o contato”, relatou o sócio cofundador Lucas Koning. Atualmente oito empresas fazem do Fliperama seus escritórios.

“Trabalhamos com o conceito dream factory, em que o cliente chega aqui com o projeto e encontra empresas de segmentos diferentes que podem torná-lo realidade. Além de dividir o espaço, compartilhamos ideias, conhecimento e a carteira de clientes”, contou Fábio Pinnow Piccinini, um dos sócios e cofundadores do Fliperama.

Daniel Bornholdt, que comanda a empresa Blank Design de lá, só vê pontos positivos em trabalhar em um espaço colaborativo como o Fliperama. “Vale a pena, desde a estrutura até o modelo de colaboração em projetos, com clientes”, comentou ele, que já teve experiência em home office e escritório próprio.

Os sócios do Fliperama, Thomaz Lima, Marcel Schneider e Felipe Nunes da Silveira, além de Konig e Piccinini, estão investindo na reforma do prédio para ter mais espaço e assim receber novas empresas e dar mais conforto às que já estão instaladas por lá. “Acreditamos que esta é a nova forma de trabalho que veio para ficar e queremos fomentar isso em Joinville. Quanto mais espaços como este, melhor será para a disseminação de ideias”, afirmou Lima.

 

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