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Lombadas e faixas elevadas garantem segurança mas prejudicam a mobilidade na Ilha

Integradas à malha viária da cidade, elas resolvem o problema local, mas não mudam comportamento dos motoristas

Cristiano Rigo Dalcin
Florianópolis
19/11/2018 às 21H56

Instaladas para obrigar motoristas a reduzir a velocidade de veículos, as lombadas e faixas elevadas já fazem parte da paisagem de Florianópolis. Integradas à malha viária da cidade para garantir a segurança de pedestres e ciclistas, elas são eficientes na solução de problemas locais, mas também começam a impactar na mobilidade da cidade.

Faixa elevada do Morro das Pedras trouxe problemas para linhas do transporte coletivo do Sul - Foto: Flávio Tin/ND
Faixa elevada do Morro das Pedras trouxe problemas para linhas do transporte coletivo do Sul - Foto: Flávio Tin/ND

Regulamentadas pelo Contran (Conselho Nacional de Trânsito), as lombadas e faixas elevadas de Florianópolis não obedecem à risca aos padrões da legislação. Quando têm altura e largura em conformidade, apresentam sinalização precária. Quando as placas indicativas de saliência e de velocidade permitida estão presentes, a lombada não tem pintura ou manutenção necessária. Os casos são os mais diversos e para constatação basta trafegar pelas principais ruas, avenidas e até rodovias que cortam a Ilha.

Presidente do Monatran (Movimento Nacional de Educação no Trânsito), o especialista em trânsito Roberto Bentes de Sá explica que as lombadas são eficientes quando são bem feitas e sinalizadas, porém, essa não é uma realidade brasileira. “Inventam os mais variados tipos de lombada. São verdadeiros quebra-molas e não existe uma manutenção”, destaca. 

Para o especialista, as lombadas também viraram um subterfúgio utilizado pelo Poder Público para resolver o problema da comunidade local a curto prazo, deixando de  investir em campanhas de educação no trânsito para mudar o comportamento de motoristas a longo prazo. “Se não existe campanha, não se muda cultura, comportamento”, ensina.

Além das campanhas de educação, o pesquisador do Observatório da Mobilidade da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), Werner Kraus, acrescenta a fiscalização como ação fundamental para mudar o comportamento dos motoristas em relação aos limites de velocidade. “Só educação não funciona”, atesta.

Porém, entende que a lombada é mais um obstáculo a ser enfrentado pelo transporte coletivo, carente de confiabilidade por parte do usuário. “Além de brigar com o automóvel, o ônibus briga com a lombada também, o que prejudica a mobilidade da cidade”, completa.

Lombo faixa atrasa linhas do Sul

Um exemplo do impacto provocado na mobilidade é a faixa elevada instalada pelo Deinfra (Departamento Estadual de Infraestrutura) na SC-406, quase na curva do mirante do Morro das Pedras, no Sul da Ilha. O secretário de Transportes e Mobilidade, Marcelo Roberto da Silva, relata que as linhas que passam pelo local atrasaram nos dias seguintes à instalação do equipamento e prejudicaram o SIM (Sistema Integrado de Mobilidade), para insatisfação de usuários.

“Tivemos que ajustar os horários das linhas para garantir a integração, mas demorou alguns dias para identificarmos o que estava provocando o atraso”, relata. Além do tempo, a existência de outras faixas elevadas no itinerário também pode se refletir no cálculo do preço da tarifa, uma vez que os veículos consomem mais combustível à medida que são obrigados a reduzir e acelerar a cada passagem pela lombada.

Diope garante estudo para instalação de lombadas

A Diope (Diretoria de Operação do Sistema Viário) é responsável pela instalação de lombadas em ruas e avenidas do município. O primeiro passo é o envio de um ofício para o órgão da prefeitura com a solicitação. 

De acordo com o diretor da Diope, Fabricio Justino, a instalação é feita depois de uma vistoria no local para verificação da viabilidade e um estudo que preconiza o número de veículos e de pedestres e a localização próxima de escolas, creches e postos de saúde. “Além disso, a velocidade dos veículos não pode passar dos 40 km/h nesses locais”, diz.

Lombada sem sinalização na rua da Capela, no Campeche - Foto: Flávio Tin/ND
Lombada sem sinalização na rua da Capela, no Campeche - Foto: Flávio Tin/ND

Justino assegura que todas as lombadas instaladas por empresas contratadas precisam estar dentro dos padrões do Contran. “Inclusive, nas novas que a gente tem feito, instalamos primeiramente as placas, com três dias de antecedência, para que os motoristas se acostumem”, informa.

Por outro lado, Justino reconhece que é difícil garantir a manutenção do equipamento viário. “A quantidade é muito grande, então temos que fazer isso gradativamente”, afirma. Nesta terça-feira (20), Justino promete conferir as lombadas instaladas pela empresa responsável pela obra do elevado do Rio Tavares, diante de reclamações de motoristas.

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