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Quarta-Feira, 26 de Setembro de 2018
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Loja virtual chinesa vende produtos piratas de marcas catarinenses

Empresas como Dudalina, Mormaii, Intelbras e Marisol viram alvo de comerciantes que tem potencial de venda para 200 países

Alessandra Ogeda
Florianópolis

A gigantesca loja virtual AliExpress, parte do grupo chinês Alibaba, ostenta pelo menos 13 variedades de produtos de marcas catarinense falsificados. A venda dos itens que utilizam irregularmente os nomes Dudalina, Mormaii, Intelbras, Lilica Ripilica e Tigor T. Tigre, as duas últimas da empresa Marisol, resulta em prejuízos para as empresas, para a arrecadação de impostos e para os consumidores.

Arte sobre foto Michele Balboa/ND
Produtos são vendidos irregularmente com marcas de Santa Catarina na Aliexpress 


O diretor financeiro da Dudalina, Marcio Luiz Guse, a quem o departamento jurídico da empresa responde, afirma que a marca monitora as vendas irregulares de produtos dentro e fora do país, tanto em lojas físicas quanto virtuais. A estratégia de combate no e-commerce passa pela denúncia das vendas piratas nos sites. 

De acordo com Guse, a empresa descobriu que o site Aliexpress vende produtos ilegais da marca catarinense há cerca de cinco meses. Antes, há dois anos, foram identificadas vendas de produtos piratas similares no site Mercado Livre e em páginas criadas no Facebook. 

"Todos os sites tem canais de denúncia para anúncios ilegais. Como a marca não é propriedade deles, conseguimos uma efetividade muito grande (nos pedidos de derrubada dos anúncios). Mas novos sites acabam aumentando mais do que a gente consegue atuar. Tiramos do ar um vendedor e no dia seguinte aparecem dois", comenta Guse. 

O presidente da Câmara de Desenvolvimento da Indústria da Moda da Fiesc (Federação das Indústrias de Santa Catarina), Sérgio Pires, afirma que a comercialização dos produtos pirateados traz prejuízo não apenas para as empresas que detém as marcas, mas principalmente para os clientes delas. 

"O consumidor adquire o produto nestes sites acreditando que vai receber o item original em casa mas, na verdade, ele é enganado, porque vai receber um produto pirata. A Receita Federal teria também que contribuir para combater isso, porque as grandes empresas estão investindo pesadamente para rastrear estas vendas", informou.

Falta controle na entrada dos produtos no país

Há um ano e meio a empresa Dudalina contratou uma empresa especializada em buscar as vendas irregulares de produtos com a marca. Quando um caso de pirataria é encontrado, seja em um site nacional ou estrangeiro, o combate é feito pelo canal de denúncias do próprio serviço. 

"Este tipo de venda nos preocupa porque, apesar de trabalharmos para manter isso sob controle, essa forma ilegal de comercialização não paga impostos e as mercadorias entram tranquilamente no país", observa Guse, diretor da empresa. 

O diretor da Fiesc acredita que a venda ilegal em sites estrangeiros pode tornar-se maior se não for combatida. "Temos que achar o caminho correto para saber como atacar esta prática. Se é através do departamento de comércio exterior do governo federal, ou na medida em que as empresas vão se conscientizando deste prejuízo e se unam para combater isso", observa.

Apesar de procuradas na segunda-feira da semana passada, as empresas Intelbras e Mormaii não comentaram se combatem a venda ilegal no site Aliexpress. A Intelbras, através da assessoria de imprensa, apenas informou que não reconhece a venda feita por este canal como oficial.

Também através da assessoria de imprensa, o gerente de e-commerce da Marisol, Anderson Andrade, disse que a empresa "desconhece a comercialização de seus produtos através do Aliexpress.com, não existiu nenhuma negociação conosco e por isso estamos verificando quais foram os meios que eles tiveram acesso a nossas marcas". 

 Estratégia correta é pedir retirada do link do ar

De acordo com Flavia Penido, advogada com atuação em Direito Digital e que faz parte do Comitê de Assuntos Jurídicos do IAB (Interactive Advertising Bureau) Brasil, no caso do Aliexpress, como o site não tem sede no Brasil e uma demanda no exterior seria muito custosa, a melhor forma de combate é mesmo tentar a via de solicitar a retirada do link da empresa que estiver utilizando irregularmente a marca.

"O grupo (Alibaba) possui uma política específica para combater contrafação de marca e recentemente assinou um acordo com a CBBC (Câmara de Comércio China-Grã Bretanha) comprometendo-se a proteger propriedade intelectual de terceiros, relativo aos produtos expostos em seu domínio", observou Flavia em resposta ao ND por e-mail. 

 

Empresas gastam para combater a pirataria

Mais que as vendas piratas em lojas virtuais, o que preocupa mais a indústria catarinense é a venda ilegal feita dentro do Brasil. "O grande ponto de venda de produtos piratas são os comércios menores em locais como a Rua 25 de Março, em São Paulo, ou mesmo no nosso quintal de casa, no camelô de Balneário Camboriú, por exemplo", observa Guse, da Dudalina. 

A companhia tem duas empresas de advogados para combater as vendas em lojas físicas. Recentemente, 10 mil peças utilizando a marca Dudalina foram apreendidas na Rua 25 de Março. E a tendência, na opinião do diretor da marca catarinense, é que mais produtos piratas sejam colocados no mercado com a proximidade do Natal.

Na opinião de Pires, da Fiesc, não é possível medir o prejuízo para as empresas catarinenses afetadas com a venda de produtos piratas no e-commerce porque a construção destas marcas levam anos de investimentos em marketing, qualidade do produto, inovação e na própria produção dos itens.  

 :: Gigante chinês

- O site Aliexpress vende para pouco mais de 240 países

- A página está disponível em nove línguas, incluindo o português

- O grupo Alibaba mantém os sites Aliexpress, Alibaba, Taobao, Tmall, Aliyun, Alipay e Alimama

- As transações nestes sites atingiram a marca de US$ 240 bilhões em 2013, mais que o dobro da Amazon e o triplo do eBay, segundo o The Wall Street Journal

- O grupo é responsável por 60% de todos os pacotes entregues na China, de acordo com a The Economist

- 231 milhões de compradores utilizaram os sites do Alibaba no ano passado, segundo a rede de TV NBC

- Em dezembro de 2013 o site tinha 2 milhões de brasileiros entre os seus usuários

- 22 mil funcionários trabalham para o grupo em diversas partes do mundo

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