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Quinta-Feira, 15 de Novembro de 2018
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LHS: um líder reconhecido por ser articulador e estrategista

Reconhecido até pelos seus adversários, senador carregava a fama pela atuação nos bastidores da política do Estado

Keli Magri
Florianópolis

Dos maiores líderes do partido até os principais adversários, a definição mais usada para caracterizar o senador Luiz Henrique da Silveira (PMDB) é a de um articulador e estrategista político. Costurou apoios, ousou em alianças, uniu adversários e protagonizou disputas acirradas que o tornaram  deputado estadual e federal, três vezes prefeito de Joinville (1977-82 e, em dois mandatos entre 1997 e 2004), duas vezes governador de Santa Catarina (2003-2010) e senador desde 2011.

Daniel Queiroz/Arquivo/ND
Luiz Henrique era considerado o grande estrategista da política catarinense

 

No currículo, porém, ainda constam os pleitos em que seu papel não era o de candidato: a eleição de seus sucessores. E é justamente neste aspecto que origina sua fama: a mão do senador decidiu eleições. Foi assim com os prefeitos de Joinville, Marco Tebaldi (PSDB) e Udo Döhler (PMDB), com o presidente da Câmara no município, Rodrigo Fachini (PMDB), com o governador Raimundo Colombo (PSD) duas vezes, vencendo inclusive uma disputa interna do PMDB (uma ala queria a candidatura própria), e com o senador Dario Berger (PMDB). Até mesmo a vitória do presidente Luiz Inácio da Silva (PT) em Santa Catarina em 2002 é atribuída ao seu apoio político.

“Em 20 anos, não teve nenhum estrategista como ele no Estado. Isso não dá para negar, mesmo não concordando com as articulações dele”, disse o deputado federal Pedro Uczai (PT), que apoiou a candidatura de Luiz Henrique em 2002, enquanto era prefeito de Chapecó e atualmente faz oposição ao PMDB catarinense. “Ele sabia reconhecer um bom trabalho, mesmo com divergências políticas”, complementa o petista ao ressaltar que teve apoio do senador para aprovar a Lei das Universidades Comunitárias. “Articulamos ações no Senado, ele tinha uma boa relação na Casa Civil”, conta.

Os líderes do PP, maior adversário político do PMDB e de LHS, Esperidião Amin e Joares Ponticelli, também admitem o peso político do senador. “Nossos pais eram amigos, companheiros de partido. É uma perda para o Estado, certamente, reconheço sua representatividade e seu peso na política catarinense”, disse Amin, derrotado por Luiz Henrique em 2002. Já Ponticelli, que chegou a chamar LHS de “senhor mandão” ao ser derrotado por ele na disputa pela chapa majoritária de Colombo em 2014, vai além. “Foi um grande adversário, que merece o nosso respeito. As vitórias dele comprovam a grande habilidade em contruir alianças e articular acordos”.

 

“O sonho dele era presidir o Senado”, diz Bauer

O senador catarinense e amigo de Luiz Henrique, Paulo Bauer (PSDB), secretário de Estado na gestão de LHS, porém adversário na campanha de 2014, realça o poder de articulação de LHS. “Era um grande articulador e construtor de projetos políticos. Tinha visão de futuro e cumpria com a palavra, sua maior virtude”, afirma ao ressaltar a aproximação dos dois no Senado. “Sempre nos identificamos muito, em sintonia total. Somos do Norte do Estado, defendíamos ações juntos, fui secretário do governo dele. Vivemos no Senado um período de cumplicidade integral, sempre votamos da mesma forma”, conta Bauer. “Nem mesmo a campanha do ano passado mudou isso”, acrescenta.

Bauer, porém, destaca uma eleição em que LHS articulou, mas não saiu vencedor: a disputa pela presidência do Senado, com Renan Calheiros (PMDB). “Ele foi ousado, deu o primeiro passo e conseguiu votos significativos que certamente se tornariam valiosos em 2016, com a saída de Renan da presidência. O sonho dele era ser presidente do Senado e tinha todas as chances para isso no ano que vem”.

Outro tucano admirador do jeito LHS de fazer política é o deputado Leonel Pavan, vice-governador do Estado na primeira eleição de Luiz Henrique, em 2002. “Ele sempre foi articulador, mas não era estrategista da tese “vencer por vencer”, agia com princípios”, afirma Pavan ao listar qualidades do senador peemedebista. “Ele dizia que para fazer política tem que saber conversar, convencer. Para isso, precisava ouvir, planejar e cumprir os compromissos assumidos. Em quatro anos, nunca tivemos uma rusga sequer. Ele me dava liberdade”, aponta.

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