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Quarta-Feira, 21 de Novembro de 2018
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A voz de um se torna os olhos de outros no projeto Ledores Voluntários, da Biblioteca de Joinville

Mais 27 pessoas foram treinadas no sábado para gravar livros que podem ser ouvidos por cegos. Confira como ser um voluntário

Rosana Rosar
Joinville

Atendendo a um convite recebido por email a voluntária Zelina Wisbeck, 46 anos, decidiu ser uma das ledoras da Biblioteca Pública Municipal Rolf Colin em 2014. Sua sugestão de eternizar em áudio livros listados nos vestibulares regionais foi aceita no treinamento realizado no último sábado (29) na instituição. Ela e outros 26 voluntários ficarão responsáveis pela leitura de títulos locais, clássicos, informativos e técnicos no decorrer desse ano. Depois de gravados os materiais serão utilizados por usuários cegos que frequentam a unidade.

 

 

Rogério Souza Jr./ND
No sábado pela manhã, 27 pessoas participaram de treinamento na biblioteca

 

 

Semanalmente, aos sábados, Zelina destinará uma hora do seu dia para as leituras. “Minha filha vai prestar vestibular e me disse: mãe, tem a lista para estudar, vamos comprar. Então achei interessante fazer isso aqui também. Vou trazer as listas, ver o que eles já tem gravado e gravar os títulos que eles ainda não tem”, conta. Voluntária há mais de dez anos em instituições como a Abraz (Associação Brasileira de Alzheimer) ela dividirá seu tempo e fará parte das leituras em casa. “Tenho mais de dez anos de voluntariado e sou formada em pedagogia. Acho esse trabalho muito importante”, comenta.

Responsável pelo setor de braille da biblioteca, Osmar Pavesi afirma que antes do último treinamento a unidade contava apenas com cinco ledores voluntários. “Daqui um ano muitos não estarão mais ativos e faremos novo treinamento. Se ainda nesse ano a demanda for muito grande a gente também abre uma nova aula”, detalha. Para se candidatar a ser um ledor a pessoa deve gostar de ler e ter pelo menos uma hora semanal disponível para o voluntariado. “Para trabalho voluntário em casa não há restrição de idade, mas se o adolescente quiser fazer a leitura aqui precisamos de autorização”, detalha. Para se inscrever no projeto basta ligar para o 3025-3359 ou enviar um email para osmarpavesi@uol.com.br .

 

O projeto

 

A primeira leitura registrada em áudio na Biblioteca Pública Municipal Rolf Colin foi feita no final dos anos 80. “Em 1997 o projeto foi retomado. Depois teve uma pausa e retornou a partir de 2003”, detalha Osmar Pavesi, responsável pelo setor de braille. Atualmente, a unidade tem 410 livros gravados em áudio em CDs e 400 títulos em braille. “Também temos fragmentos de leituras técnicas e didáticas que não contabilizamos nesse total”, acrescenta Pavesi.

Segundo ele, cerca de 60 cegos costumam utilizar esse tipo de material disponibilizado pela unicade. O volume de empréstimos é considerado pequeno quando se analisam os dados do Censo de 2010. Naquele ano, Joinville contabilizava 1.100 pessoas cegas e 5 mil com baixa visão. “Infelizmente as pessoas cegas ainda tem muitos problemas de locomoção no Brasil e isso restringe o acesso delas”, analisa Pavesi.

Os novos ledores da biblioteca se comprometeram a divulgar ainda mais o projeto para tentar buscar novos usuários e parcerias. Nesse ano, eles gravarão, dentre outros títulos, livros de autores locais. A biblioteca está instalada na praça Lauro Müller, no Centro, e funciona de segunda a sexta, das 7h15 às 18h45, e aos sábados, das 8h às 12h.

 

Serviço – Como ser um ledor voluntário

Ligue para o telefone 3025-3359 ou envie um email para osmarpavesi@uol.com.br informando que tem interesse em participar do projeto e aguarde contato;

Se preferir, vá pessoalmente a biblioteca, localizada na praça Lauro Müller, no Centro de Joinville.

O espaço funciona de segunda a sexta, das 7h15 às 18h45, e aos sábados, das 8h às 12h.

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