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Terça-Feira, 20 de Novembro de 2018
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Joinville registra 30 homicídios nos primeiros 70 dias de 2016

Polícia Civil diz que investigações estão avançadas e que alguns crimes cometidos neste ano já foram solucionados

Windson Prado
Joinville
Divulgação/ND
Fábio de Oliveira, 29 anos, não tinha antecedentes criminais, trabalhava como operador de máquinas e foi morto a tiros na Vila Cubatão, zona Norte de Joinville, na madrugada de 5 de março

 

Os primeiros 70 dias de 2016 foram marcados por casos de violência e crimes contra a vida na maior cidade de Santa Catarina. Até o fim do dia 10 de março, a cidade registrou 30 assassinatos, uma média de uma morte violenta a cada dois dias e oito horas. No mesmo período de 2015, a fatídica estatística somava 28 homicídios. No ano passado, a cidade bateu um triste recorde, registrando 126 mortes, entre assassinatos, latrocínios e em confrontos com a polícia.

Boa parte dos casos de 2016 aconteceram na zona Sul de Joinville, palco de 13 dos 30 assassinatos. Em seguida, vem a zona Norte, com 10 e a zona Leste, que soma seis homicídios. Fechando a estatística, o Centro aparece com o caso de uma pessoa assassinada.

Nenhum crime contra a vida foi registrado neste ano na zona Oeste de Joinville. O bairro que lidera a estatística de crimes de homicídio é o Boehmerwald, com cinco casos neste ano. Os dados referem-se até às 23h59 desta quinta (10).

 

Mudanças organizacionais pretendem priorizar investigação de homicídios

As mudanças na gerência da Polícia Civil em Joinville, na DIC (Divisão de Investigação Criminal) e a criação da Delegacia de Homicídios foram as propostas apresentadas no final do ano passado pelo governo do Estado diante da violência desenfreada vivida na cidade.

A Delegacia de Homicídio foi criada oficialmente por meio de um decreto de 10 de fevereiro. No entanto, um mês depois da oficialização, a DH ainda não saiu do papel. Os trabalhos de investigação de crimes contra vida seguem sendo apurados pelos delegados Wanderson Alves Joana e Fabiano Silveira (que está em férias).

Os dois delegados, juntamente com o ex-delegado regional de Joinville, Dirceu Silveira Junior (que estava lotado na Delegacia de Trânsito) devem integrar a equipe da Delegacia de Homicídios. Na semana passada, o delegado Regional Laurito Akira Sato justificou a demora devido aos tramites e processos de realocação das investigações da extinta Delegacia de Trânsito. Diante desse cenário burocrático, As autoridades evitam dar uma data para a inauguração da Delegacia de Homicídio de Joinville.

 

Rapidez nas investigações é desafio de delegados

Apesar da demora na estruturação da Delegacia de Homicídios, as investigações de crimes contra vida têm caminhando a passos largos. Segundo o delegado Wanderson Alves Joana, da Divisão de Homicídios da Polícia Civil de Joinville, dos 30 assassinatos registrados na cidade, 24 estão com inquéritos bem adiantados. Em pelo menos 20 deles, a Polícia Civil já identificou a autoria e a motivação do crime.

“Nossa demanda é grande, até porque a gente também trabalha para investigar os assassinatos registrados no ano passado e no ano anterior. Nossas equipes estão nas ruas, alguns faccionados que teriam relação com a onda de crimes na cidade foram detidos e a velocidade com que os inquéritos estão andando é muito satisfatória”, avalia o delegado Alves.

Ele esclarece que, dos 30 assassinatos registrados em Joinville em 2016, dois são decorrentes de tentativas de homicídios ocorridas no ano anterior. “Nestes casos, as vítimas estavam internadas e acabaram falecendo neste ano, em decorrência das tentativas de assassinatos. Os crimes foram no ano anterior, mas a consumação com a morte das vítimas veio em 2016. Por isso chegamos nos 30 crimes de homicídios em 2016 (até a a manhã desta sexta)”, explica o delegado.

Ainda em relação aos crimes de 2015, o delegado Wanderson afirma que, em pelo menos três ocorrências que eram investigadas como homicídio, foi descoberto que, na verdade, trata-se de latrocínio - roubo, seguido de morte.

“Nestes casos, o autor ou suspeito não é levado a júri popular. A sentença de culpado ou inocente vem do próprio juiz criminal, que avalia o processo e conduz audiências entre os envolvidos. O crime de homicídio é um crime contra a vida, no qual o autor tem intenção de matar a vítima. Já no latrocino, é um crime contra o patrimônio que resulta na morte da vítima. Na verdade, no latrocínio estão envolvidos dois crimes, e por isso, é muito mais grave, na minha opinião”, diz Alves.

O delegado cita casos como o do chefe de cozinha Robert Schneider, de 49 anos, morto com golpes de faca no bairro Anita Garibaldi em 30 de novembro. “Neste inquérito está evidente que foi latrocínio. Vários objetos da vítima foram levados. Esta investigação está bastante adiantada e, em breve, teremos o inquérito concluído”, afirma.

 

Homem morto pela companheira é a 30ª vítima de 2016

Divulgação/ND
Michele Nilza Matos Cândido matou o companheiro com um golpe de faca na noite de 10 de março

 

O mais recente assassinato foi registrado na noite na quinta-feira (10), quando uma mulher esfaqueou o companheiro durante em uma residência na rua Itambé, Jardim Iririú, na zona Leste. O casal teria discutido quando Patrick Lopes da Silva, 26 anos, pretendia sair do local onde a festa era realizada para comprar drogas. Na confusão, a companheira dele, Michele Nilza Matos Cândido, 29 anos, pegou uma faca e atingiu o pescoço do companheiro. O golpe acertou a veia jugular de Patrick, que morreu instantes depois.

Segundo o delegado Wanderson, o caso já está esclarecido. “Michele foi presa em flagrante, confessou o crime, mas alegou legítima defesa. Agora, vamos aguardar os laudos periciais e ouvir as testemunhas para saber se realmente trata-se de uma legitima defesa ou não. Por enquanto, a mulher, que já tem antecedentes criminais, deve ficar detida no Presídio Regional de Joinville”, declarou.

Patrick, que trabalhava como pedreiro e não tinha antecedentes criminais, será enterrado neste sábado, às 14h, no Cemitério São Sebastião.

 

Uma semana depois, crime está quase solucionado

Divulgação/ND
A menina Carolaine, de 14 anos, foi vítima de uma emboscada motivada por ciúmes

 

Outro crime que está em fase final de investigação é o assassinato da adolescente Carolaine Pinheiro Passos, de 14 anos. A menina foi morta a tiros no dia 3 de março, na zona Sul de Joinville. Ela estava no apartamento onde vivia com a mãe e os irmãos, quando duas mulheres chamaram a adolescente no portão.

As mulheres disseram que havia uma encomenda para Carolaine e convidaram ela para pegar o pacote no pátio do estacionamento de um supermercado, ao lado do prédio. Chegando lá, Carolaine foi rendida e executada com um tiro na nuca.

Para a polícia, trata-se de um crime de homicídio passional. O delegado do caso, Wanderson Alves Joana, conseguiu levantar informações de que Carolaine estava envolvida em um triângulo amoroso com um detento do Presídio Regional de Joinville. O preso, inclusive, foi ouvido pelo delegado na quinta-feira (10).

O inquérito aponta que a companheira do preso resolveu se vingar da rival e armou uma armadilha para matar a menina. “O crime foi todo filmado por câmeras de monitoramento. As imagens estão com nossos investigadores. As duas suspeitas já foram identificadas e nas próximas semanas devem ser ouvidas”, anuncia o delegado. 

 

Os 30 homicídios de 2016

Fonte: Polícia Civil de Joinville
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