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Quarta-Feira, 19 de Setembro de 2018
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Joinville perde um apaixonado pela sua história

Ozório Cândido Ferreira, 90 anos, colaborava há décadas com o Arquivo Histórico, sempre preocupado com a preservação da memória da cidade

Paulo Júnior
Joinville
Rogério da Silva/arquivo/ND
Ozório deixou três livros com histórias sobre Joinville

 

“Ele amava Joinville.” Assim resumiu Benta Weber, 63, mulher de Ozório Candido Ferreira, um dos conhecedores da história da cidade, que morreu nesta quarta (22). Nascido em Joinville no dia 11 de março de 1925, Ozório viveu a infância em uma área localizada no final da antiga rua Conselheiro Mafra, atual rua Abdon Batista, em um terreno que era dividido por várias famílias. Filho de pai iletrado, ele viu na leitura e na busca incessante pelo conhecimento uma forma de subir na vida. O funcionário público federal aposentado começou a trabalhar aos 14 anos como mensageiro no Telégrafo Nacional e foi se aperfeiçoando na área. Aos 20 anos, era telegrafista formado e especializou-se em radiotelegrafia.

Ozório estudou a vida inteira e era muito interessado por história. Colaborava há décadas com o Arquivo Histórico de Joinville, sempre preocupado com a preservação da memória da cidade. “É uma perda para a memória da cidade. Fica uma lacuna”, observou Valmir José Santhiago, administrador do grupo Joinville de Ontem (Facebook), do qual Ozório era colaborador desde a criação, no ano passado. Para Santhiago, Ozório era um arquivo vivo da história de Joinville.

O administrador do grupo destacou também os livros de memória escritos por Ozório, um total de três. “Ele nos fazia viajar pelo passado da cidade. Retratava a infância, o tempo em que nadava pelo rio Cachoeira e as brincadeiras que participava próximas ao Mercado Municipal”, completou Santhiago.

Ozório era também colecionador de moedas. Guardava, entre suas relíquias, uma antiga moeda da Cooperativa de Pirabeiraba, que era aceita no comércio local em meados do século 20. “Ele deixa um legado e contribuiu muito com suas histórias”, ressaltou Santhiago. No alto de seus 90 anos, mesmo um pouco debilitado, Ozório continuava em plena atividade, lendo e escrevendo muito. Ele deixou viúva, cinco filhos, 12 netos e dois bisnetos. Seu sepultamento será às 14h desta quinta (23), no Cemitério Municipal de Joinville.

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