Publicidade
Sexta-Feira, 21 de Setembro de 2018
Descrição do tempo
  • 25º C
  • 17º C

Imprudência é a principal causa de acidentes de trânsito na Rodovia do Arroz

Só este ano, 82 acidentes foram registrados na rodovia, que liga Joinville e Guaramirim, três deles com mortes

Thaís Moreira de Mira
Joinville

Nem as condições da pista, nem a sinalização. Para os moradores das margens da SC-108, conhecida como Rodovia do Arroz, e também para os motoristas que trafegam diariamente pela estrada, ligação entre Joinville e Guaramirim, a principal causa de acidentes de trânsito na via é a imprudência. De acordo com estatística da PMRV (Polícia Militar Rodoviária), do início do ano até esta sexta (11) ocorreram 82 acidentes na estrada, três deles com morte. Foram 144 veículos envolvidos e 50 feridos. O número está próximo do total registrado em 2013, quando houve 128 acidentes e quatro mortes.

 

Fabrício Porto/ND
“Aqui não tem controle de velocidade e os veículos passam a toda", conta Roseli I. Vieira, 61, dona do Bar Canarinho

 

Ano passado, 214 veículos se envolveram em colisões e 54 pessoas ficaram feridas. Dos três acidentes com morte registrados em 2014, dois aconteceram no trecho do bairro Vila Nova, zona Oeste de Joinville, na noite do dia 28 de junho. O motociclista Mário César Carvalho de Souza, que recém tinha completado 40 anos, não conseguiu evitar a batida contra a traseira do Fiat Uno placa de Florianópolis, no km 4,8. O automóvel havia parado sobre a pista para acessar um condomínio residencial localizado na margem direita. Naquele trecho não existe rebaixo para o acostamento, mas havia espaço para que o Uno tivesse parado na margem esquerda da pista antes de fazer a conversão.

Mário Souza morreu antes da chegada da equipe do Samu ao local. Menos de três horas depois, no km 2,5, a passageira de um Peugeot, placa de Joinville, morreu numa colisão de frente contra um ônibus. Adriana Encarnacion Soto, 32, estava no banco da frente e ficou presa às ferragens. Outros três ocupantes do carro foram levados para um hospital. As circunstâncias do acidente ainda estão sendo apuradas.

“A grande parte dos acidentes na Rodovia do Arroz é decorrente da imprudência, de infrações como o excesso de velocidade e ultrapassagens proibidas, entre outras. Se as pessoas trafegassem com consciência não haveria acidentes”, diz o sargento Celso Mendes de Souza, do posto 18 da PMRV, em Joinville. Ele reforça que a rodovia em si não oferece perigo, o problema maior é a forma como os motoristas se comportam ao volante.

Velocidade

Os moradores às margens da Rodovia do Arroz, na área rural de Joinville, destacam o excesso de velocidade com que os veículos, inclusive caminhões, transitam no local. “Aqui não tem controle de velocidade e os veículos passam a toda, tem carro que passa a 140 km/h, 160 km/h. À noite a gente escuta o barulho dos carros passando, eles não correm, voam”, conta Roseli Vieira.
A filha da comerciante, Sara Vieira, 30, costuma dirigir pela rodovia e afirma que às vezes é obrigada a exceder o limite de velocidade, de 80 km/h, para não ser atingida por um caminhão. “Os caminhões andam em alta velocidade e se você está de carro na frente se vê obrigado a acelerar. Eles não querem nem saber, passam por cima.”

As ultrapassagens forçadas são outro perigo para quem trafega pela rodovia do Arroz. “Nosso maior medo é a ultrapassagem. Tem caminhões que ultrapassam na curva e quando você percebe não tem onde jogar o carro, porque não tem acostamento”, detalha Sara.

José Teles Sabino, 61, o Pernambuco, encarregado da empresa Infrasul, concorda que é a imprudência o principal perigo da rodovia. “Quando a polícia não está fiscalizando Deus o livre, todo mundo abusa da velocidade”. Na Rodovia do Arroz não há radares fixos de velocidade, mas a PMRV garante que fiscaliza o trecho com frequência. Os apressadinhos são flagrados pelo radar móvel.

Acessos problemáticos

Além da imprudência, a falta de acostamento em certos trechos da rodovia e alguns acessos problemáticos para ruas laterais ajudam a ampliar o número de acidentes de trânsito. É o caso do acesso para o bairro Duas Mamas, em Schroeder. A comerciante Sara Vieira, 30 anos, acredita que aquele seja um dos pontos mais perigosos da via. “Lá não tem acostamento, o motorista precisa parar no meio da pista e virar. Tem que sinalizar bem antes.”

José Teles Sabino, 61, dirige diariamente pela rodovia e também destaca o problema da falta de acostamento. “Onde tem, o acostamento é muito estreito. Se um caminhão tiver problema e precisar parar, metade do pneu fica em cima da pista. Fica complicado”. Daniel Sardagna transita pela Rodovia do Arroz todos os dias da semana, no início da manhã e final da tarde, e destaca outros trechos perigosos. Entre eles a entrada para a Estrada Serenata, em Guaramirim, onde há um redutor de velocidade, e o acesso à Estrada Blumenau, em Joinville. “Você precisa encostar o veículo uns 200 metros antes, ver se não vem ninguém e arriscar. Outra lateral perto do km 20, antes da ponte do Piraí, também com um veículo maior você precisa reduzir e ficar no meio da pista mesmo, para entrar”.
Roseli I. Vieira, 61, dona do Bar Canarinho, também reforça o perigo do trecho de acesso para a Estrada Blumenau. O acesso ainda leva à Estrada Dedo Grosso, onde está localizado o Case (Centro de Atendimento Socioeducativo).

Roseli afirma que nas primeiras horas da manhã o movimento é intenso por causa da troca de plantão no Case. Ela enfatiza a ausência de placas indicando os acessos. “Esta esquina aqui na frente do bar é perigosa, não tem placa indicando que é acesso para Schroeder, a Estrada Blumenau, a Dedo Grosso. Vem o motorista e para de repente na rodovia para tentar achar a entrada”.

De acordo com Ademir Machado, superintendente regional do Deinfra (Departamento Estadual de Infraestrutura) em Joinville, ainda neste mês será feito um reforço nas placas de sinalização às margens da rodovia. “Principalmente nas placas indicando entradas e acessos”, garante.

Duplicação

Ademir Machado, superintendente regional do Deinfra (Departamento Estadual de Infraestrutura) em Joinville, revela que a duplicação da Rodovia do Arroz está em fase de estudos. “Estamos na discussão inicial para depois elaborar um projeto e o plano de trabalho. Muitas pessoas que vêm de Curitiba estão pegando a rodovia para ir até Guaramirim, Jaraguá do Sul. O pessoal está fugindo da BR-101”. Para Machado, duplicar a estrada irá resolver o problema atual da falta de acostamento, assim como o de outros pontos críticos.

“Semana passada eu e a secretária Elenita percorremos a extensão da Rodovia do Arroz. Com a implantação do binário do Vila Nova, por exemplo, o trânsito começou a ser um problema naquele trecho e requer uma marginal”, constata.  “A rodovia precisa de uma faixa de desaceleração urgente, se não tiver acostamento fica complicado”. Machado afirma que está aguardando a secretária Elenita Ramos de Souza, da subprefeitura Oeste, encaminhar o relatório com fotos dos pontos mais perigosos da rodovia. O documento será entregue por ele em Florianópolis. A reportagem tentou entrar em contato com a secretária Elenita, mas ela não foi encontrada na subprefeitura, nem retornou as ligações. Seu celular estava fora de área.

Publicidade

0 Comentários

Publicidade
Publicidade