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Hospital de Caridade corre risco de ir a leilão em São Francisco do Sul

Ação é movida pela Justiça do Trabalho para o pagamento de dívidas trabalhistas acumuladas pela entidade que administrava o hospital

Thaís Moreira de Mira
Joinville

Desativado desde 30 de novembro de 2012, o Hospital de Caridade em São Francisco do Sul corre risco de ir a leilão para saldar dívidas trabalhistas, conforme determinou a justiça do trabalho. A advogada Dagmar Caregnato Moreira, um das voluntárias envolvidas na luta pela preservação do prédio, diz que são mais de 100 processos movidos por ex-funcionários da unidade. Ela e outros defensores, também voluntários, tentam na justiça reverter à ordem de leilão.

Arquivo/ND
Hospital pode ser leiloado para pagamento de dívidas trabalhistas

 

“Há condições de saldar a dívida sem o hospital ir a leilão. O prédio vale R$ 25 milhões, mas se for leiloado será pela metade do preço. Teve outro prédio que pertencia ao patrimônio do hospital e iria a leilão com um valor cinco vezes menor”, diz a advogada. Ela se refere ao imóvel que antes era locado para clínicas médicas, no topo do morro onde está localizado o Hospital de Caridade.

O atual provedor da unidade, Alberto Camargo, da Venerável Ordem Terceira, conta que o imóvel seria leiloado por R$ 180 mil. Os advogados conseguiram reverter a decisão judicial e ele foi vendido por R$ 524 mil. Este é apenas um dos bens que pertencem ao patrimônio do hospital, avaliado em R$ 30 milhões. São terrenos e outras construções que poderiam, segundo Camargo, serem vendidos para salvar o prédio.

“Todas as dívidas do hospital, incluindo estes processos trabalhistas, giram em torno de R$ 8 milhões. Se vendêssemos parte do patrimônio conseguimos saldar as dívidas”. O saldo devedor com a Celesc, por exemplo, ultrapassa os R$ 20 mil. O provedor tenta uma reunião com o governador Raimundo Colombo. Ele quer propor que o Estado compre os terrenos que pertencem ao Hospital de Caridade para construir moradias dentro do programa Minha Casa Minha Vida.

Camargo explica que esta seria uma alternativa para salvar o hospital. “Não tenho como pedir dinheiro porque não temos os documentos em dia. Temos dívida com a Celesc e o INSS, por exemplo”, explica o provedor. “O Estado poderia adquirir os terrenos para construir casas populares e suprir o déficit de moradia do município”. 

 

Proposta é revitalizar antigo hospital

No Hospital de Caridade existem atualmente 65 leitos em desuso, duas salas de cirurgia e a maternidade. O objetivo, conforme adianta Alberto Camargo, é manter o prédio para transformá-lo em clínicas especializadas nas mais diversas áreas médicas. “Para o outro prédio ao lado tentaríamos fazer a parceria com alguma faculdade, para torná-lo um hospital escola”.

Ao contrário do que ocorria antigamente, as clínicas especializadas, previstas para serem instaladas no local, devem atender somente através de convênios com os planos de saúde, e não mais pelo SUS (Sistema Único de Saúde). “Não teríamos mais parceria com o SUS, o que não impede a Prefeitura de criar um convênio com estas clínicas”. No entanto, antes de colocar o projeto de revitalização em prática, é necessário garantir que o prédio não vá a leilão.

Camargo tem um encontro marcado com o diretor do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Joinville e região, Lorival Pisseta, para esta próxima quinta (28). “Eles estão nos ajudando bastante na paralisação das ações na justiça, dando tempo de tentar reverter à ordem de leilão. Queremos pagar os funcionários, queremos pagar o justo”.

O pensamento é o mesmo dos voluntários que lutam pela preservação do prédio. “É um grupo que quer salvar o hospital. Está bem claro que ele está fadado a ser perdido como tantos outros patrimônios que temos na nossa cidade. O poder público não manifesta nenhum interesse em preservá-lo”, lamenta a advogada Dagmar Caregnato Moreira. “É um aspecto cultural que vai se acabar em nada”.

A defensora reforça que os ex-funcionários da unidade têm direito a receber a indenização pelo tempo trabalhado. No entanto, há como fazer isto sem precisar leiloar o prédio. “

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