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Governador pede união de diversos setores para recuperar os prejuízos após a greve

Estado lançou campanha para estimular a população a consumir produtos locais como forma de movimentar a economia

Felipe Alves
Florianópolis
01/06/2018 às 18H43

Na primeira reunião após a greve dos caminhoneiros com as entidades dos principais setores afetados em Santa Catarina, o governador Eduardo Pinho Moreira (PMDB) ouviu pedidos de diversos setores, avaliou os impactos da paralisação e lançou a campanha “Compre de SC” para estimular a população a consumir produtos locais. “Queremos ter o sentimento de unidade entre todos os setores. O governo está disposto a ouvir”, disse ele.

Pinho Moreira nega redução de alíquota do ICMS, mas pode aceitar desconto sobre base de cálculo do diesel - Marco Santiago
De acordo com Pinho Moreira, nesses dias de paralisação, o Estado deixou de arrecadar R$ 130 milhões - Marco Santiago

A Secretaria da Fazenda será a responsável por atender cada setor que se manifestou mostrando dificuldades. Um panorama geral de impacto econômico pós greve deve ser apresentado em 11 de junho, afirmou o governador. Entre impacto nas indústrias, comércio e na queda de arrecadação do governo, os prejuízos em Santa Catarina ultrapassam os R$ 2 bilhões. De acordo com Pinho Moreira, nesses dias de paralisação, o Estado deixou de arrecadar R$ 130 milhões.

Entre alguns dos pedidos das entidades estão a diminuição do ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) de 17% para 12%, conforme o governo já tratava com vários setores, e possibilidades de abertura de créditos com Badesc, BRDE e BNDES para fomentar a economia. Com o lançamento na sexta-feira da campanha publicitária em prol do consumo de produtos locais, o governo direciona a publicidade do Estado para tentar reverter os impactos da crise. “Vamos mostrar a qualidade dos nossos produtos e as instituições continuarão essa mesma campanha”, afirmou ele.

De acordo com o presidente da Fiesc (Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina), Glauco José Côrte, as indústrias catarinenses deixaram de arrecadar nestes dias de greve R$ 1,67 bilhão. Os setores mais afetados foram a agroindústria, as indústrias que produzem bens de capital, os setores químico e plástico, o setor têxtil, o setor de revestimentos de cerâmica e de papel e celulose. “É bem possível retomar a produção do setor industrial, o agroalimento, a indústria da transformação e, com agilidade, trabalhando mais, vamos conseguir recuperar”, destaca ele, que se diz preocupado com o desemprego.

A Fecomércio-SC (Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Santa Catarina) calculou um prejuízo de R$ 350 milhões nos dias de paralisação. De acordo com o presidente Bruno Breithaupt, esse é um valor significativo para o setor. Por isso, Breithaupt pediu ao governador que intensifique negociações com diversos bancos para possibilitar o financiamento às empresas do comércio. “É preciso fortalecer os caixas para que todos honrem com seus compromissos de forma ordeira e o mais conveniente possível”, diz ele.

Sem greve no domingo

O governador Eduardo Pinho Moreira afastou qualquer possibilidade de volta do movimento grevista neste domingo. Informações que circulam nas redes sociais dão conta de que os caminhoneiros poderia voltar a paralisar as atividades no domingo à tarde. “Nossos movimentos de inteligência estão observando. Não há essa possibilidade”, disse ele. A Polícia Rodoviária Federal de Santa Catarina também desmentiu o boato.

A Fetrancesc (Federação das Empresas de Transporte de Carga e Logística no Estado de Santa Catarina) divulgou na sexta-feira uma nota de esclarecimento em que também trata como notícia falsa uma possibilidade de greve para domingo. “Reiteramos que já houve confirmação por parte do Ministério dos Transportes de que o trabalho dos grupos de segurança continuam presentes para evitar novos bloqueios. E que a Polícia Rodoviária Federal de SC assegura se tratar de uma notícia falsa. Também orientamos para que tenham cuidado com o compartilhamento destas notícias pois, além de disseminarem uma informação não verídica, dão credibilidade a mal-intencionados que incitam a desordem”, diz a nota.

 

Normalização de combustíveis levará até 10 dias na Grande Florianópolis

A normalização total do abastecimento de gasolina, diesel e etanol na Grande Florianópolis deve levar de sete a 10 dias, estima o Sindópolis (Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis Minerais de Florianópolis). Após o início da normalização da gasolina nos postos de combustível, o diesel começou a chegar na sexta-feira a alguns postos da região. O etanol é o que mais demorará para atingir a normalidade. De acordo com o sindicato, em alguns casos, o diesel chegou com redução do preço, ou seja, menor do que os R$ 0,46 por litro anunciados pelo Governo Federal. 

As reduções no diesel, segundo o sindicato, variam entre R$ 0,40 a R$ 0,46. O presidente da entidade, Lurran Nascimento de Souza, afirma que a diminuição definida pelo governo incide apenas sobre os 90% de diesel mineral. Os 10% restantes são biodiesel. Não há informações de quantos postos recebem o combustível na região.

Para regularizar o abastecimento, as bases de distribuição da Petrobras de Biguaçu e Itajaí irão operar normalmente no fim de semana. Mas o fornecimento ainda é lento e, até sexta, ainda ocorria falta de gasolina nos postos. A distribuição e venda de etanol ainda não tem previsão.

 

Governador Eduardo Pinho Moreira

“O sentimento é de estarmos unidos para vencer essa etapa. Conheço o espírito empreendedor dos catarinenses e voltaremos à normalidade em poucas semanas”.

 

Glauco José Côrte, presidente da Fiesc

“A indústria está confiante de que aos poucos normalizará suas atividades e voltará a produzir a plena carga”.

 

Bruno Breithaupt, presidente da Fecomércio-SC

 “Acredito no povo de Santa Catarina. Somos um povo criativo, trabalhador, inovador e, com essas definições, acredito que vamos muito em breve passar por esse momento de dificuldade”.

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