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Ginásio Carlos Alberto Campos, na região continental da Capital, está entregue aos pombos

Espaço para atividade física tem vidros quebrados, portas arrombadas, paredes rachadas, telhas soltas e goteiras. Superintendente da FME aguarda financiamento do BNDES para começar a reforma

Michael Gonçalves
Florianópolis
23/07/2018 às 21H13

Vidros quebrados, portas arrombadas, telhas soltas, paredes rachadas, goteiras e muitos pombos. Esse é o resumo da situação do ginásio de esportes Carlos Alberto Campos, no bairro Estreito, em Florianópolis, que precisa de manutenção com urgência. Apesar do aparente estado de abandono, o ginásio continua sendo utilizado pela população. Revoltada com o descaso com o espaço destinado para a prática de atividades físicas, a aposentada Neide Monteiro de Castro Silvestre, 79 anos, vizinha do ginásio há 15 anos, não sabe mais a quem ligar para pedir providências. O superintendente da FME (Fundação Municipal de Esportes), Marcelo José de Melo, informou que faz a manutenção por meio de parcerias e aguarda a liberação de financiamento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para uma reforma completa.

Apesar do aparente estado de abandono, o ginásio continua sendo utilizado pela população - Daniel Queiroz/ND
Apesar do aparente estado de abandono, o ginásio continua sendo utilizado pela população - Daniel Queiroz/ND


Em dias de vento um pouco mais forte, Neide revela o medo de caminhar pela rua Vereador Gercino Silva. “É só ventar que as telhas parece que sairão voando, em função da falta de cuidado com o patrimônio público. Eu não tenho coragem de caminhar pela rua com as telhas nesta situação. Conheci o Carlos Alberto Campos e o estado de abandono do ginásio é uma falta de respeito com a memória dele”, disse.

Além de ser utilizado pelas equipes desportivas que representam o município, o ginásio é ocupado pelo Grupo de Idosos do Continente três vezes por semana. Normalmente, os idosos são os primeiros a chegar às segundas-feiras pela manhã e encontram as portas arrombadas. O local também virou abrigo para dezenas de pessoas em situação de rua.

A falta de segurança é tanta que o coordenador do grupo de idosos, Antônio Dutra, 72, não deixa no ginásio as bolas que serão utilizadas nos treinamentos. “Deixo os equipamentos em casa, porque temos um problema com arrombamentos, mas dentro do possível a prefeitura atende os nossos apelos. Tínhamos uma goteira bem grande e, hoje, existe uma bem menor. A limpeza dos banheiros é que continua sendo um problema“, contou. O grupo reúne 64 idosos, de 60 a 90 anos, que podem sofrer acidentes com o piso molhado pelas goteiras ou pelos vidros quebrados.

Neide, vizinha do ginásio, tem medo de caminhar ali perto quando está ventando, por causa das telhas soltas - Daniel Queiroz/ND
Neide, vizinha do ginásio, tem medo de caminhar ali perto quando está ventando, por causa das telhas soltas - Daniel Queiroz/ND


Pombos aumentam o risco de doenças

O aposentado Antônio Carlos Andozio, 63 anos, pratica vôlei no ginásio Carlos Alberto Campos. Além da falta de manutenção na estrutura do prédio, que está com vidros quebrados, portas arrombadas e paredes rachadas, ele chama a atenção para um problema de saúde pública: os pombos ocuparam os espaços ociosos pelo poder público. “A manutenção deveria ser prioridade, porque a prática de atividade física resulta em saúde para a população e segurança, mas aqui acontece exatamente o contrário. Os pombos estão por todos os lados e estamos sujeitos a contrair doenças. A situação atual do ginásio também não atrai os mais jovens”, lamentou.    

Reforma aguarda financiamento no BNDES

O superintendente da FME, Marcelo José de Melo, explicou que a prefeitura não tem recursos para a manutenção do ginásio. Ele explicou que o ginásio Waldir Schmidt, no bairro Saco dos Limões, que é utilizado para o tênis de mesa, também necessita de reforma. A restauração de cada ginásio deve custar de R$ 250 mil a R$ 300 mil, segundo o superintendente, e depende de um financiamento no BNDES, que inclui outras obras do município.

“Marcas” dos pombos nas arquibancadas - Daniel Queiroz/ND
Ginásio virou abrigo para pessoas em situação de rua - Daniel Queiroz/ND


A solução encontrada é buscar apoio na iniciativa privada para resolver problemas pontuais. “Recebemos o ginásio da administração passada sem uso e detonado. Conseguimos fazer uma manutenção para deixá-lo em situação de uso, mas entendemos que a estrutura necessita de uma boa reforma. Sem recursos para os reparos, estamos fechando parcerias e aguardamos o financiamento do BNDES para a reforma completa. A nossa expectativa é realizar ou começar os trabalhos até o fim do ano”, afirmou Melo.

Conforme o superintendente, o ginásio Carlos Alberto Campos tem vigilância no período noturno e nos fins de semana. Os funcionários da FME ocupam o espaço à tarde. Pela manhã, apenas os idosos que utilizam o ginásio.

“Marcas” dos pombos nas arquibancadas - Daniel Queiroz/ND - Daniel Queiroz/ND
“Marcas” dos pombos nas arquibancadas - Daniel Queiroz/ND - Daniel Queiroz/ND





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