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Gasolina de SC ainda é a mais barata do Brasil segundo levantamento da ANP

Motoristas encaram com indignação e naturalidade os constantes aumentos do combustível

Cristiano Rigo Dalcin
Florianópolis
23/09/2018 às 21H56

Os motoristas da Grande Florianópolis têm encarado os constantes aumentos no preço do litro gasolina com um misto de indignação e naturalidade. Mas se for possível consolar os catarinenses quando esse é o assunto, o Estado ainda pratica o preço do litro da gasolina mais barato do país, de acordo com último levantamento semanal da ANP (Agência Nacional de Petróleo). 

De acordo com o vice-presidente do Sindópolis, Joel Fernandes, o preço do litro da gasolina em Santa Catarina não subiu o quanto deveria. Segundo o dirigente, independentemente da política de reajuste da Petrobrás e da variação cambial do dólar, o preço ideal do litro da gasolina para que o revendedor possa ter um negócio saudável é de R$ 4,49 a R$ 4,79. “Santa Catarina tem a gasolina mais barata do Brasil e não se explica o porquê”, afirma.

Aposentado Virgílio Pizolatti acredita que gasolina pode chegar a R$ 5 o litro até o final do ano - Foto: Flávio Tin/ND
Aposentado Virgílio Pizolatti acredita que gasolina pode chegar a R$ 5 o litro até o final do ano - Foto: Flávio Tin/ND


Para o vice-presidente do Sindópolis, o litro da gasolina deve chegar a R$ 5,00 até o final do ano na maioria dos postos da Grande Florianópolis. “Não é preciso ir muito longe, pois no Rio Grande do Sul já tem postos praticando esse preço, assim como no Oeste”.  O preço do litro a R$ 5 no final do ano é quase uma certeza para o aposentado Virgíio Pizolatti, 74 anos.  “Acho que vai (a R$ 5), mas é um absurdo se comparar com outros países”, destaca.

Por outro lado, aposentado apresenta outra situação que causa perplexidade dos brasileiros. “Após a eleição, o dólar pode baixar, mas tenho certeza que a gasolina continuará subindo”, avisa.  O vice-presidente do Sindópolis explica como os postos chegam ao atual preço praticado nas bombas.

O preço do litro da gasolina sai da Petrobrás com o litro cotado a R$ 3,89 a R$ 3,90, e as distribuidoras colocam a margem de lucro de R$ 0,20 (por litro). Assim, a gasolina chega aos postos a R$ 4,10 (litro). “Dependendo do tamanho da estrutura do posto, a gasolina precisa ser vendida a R$ 4,79 (grandes) e R$ 4,49 (pequenos) e o mercado vai se situando entre esses preços”, completa.

Etanol ainda não é alternativa

Alternativa para os motoristas que dispõe de carros flex, o etanol ainda não é uma opção rentável na Grande Florianópolis. O combustível proporciona rendimento inferior e o preço do litro ainda não justifica a troca.

Para conferir se o etanol pode ser uma opção basta fazer uma conta rápida: divida o litro da gasolina por 0,75, que equivale a porcentagem do rendimento do litro do etanol em relação ao litro da gasolina. Se o resultado for acima do valor do litro de etanol cobrado no posto, a troca não compensa.

Postos de SC tem menor preço médio do país. - Foto: Flávio Tin/ND
Postos de SC tem menor preço médio do país. - Foto: Flávio Tin/ND


Logo que foi implantado no país, a divisão era feita por 0,70%, mas a percentagem de rendimento  aumentou após o acréscimo de álcool anidro (22% para 27%) na composição da gasolina ofertada nos postos de combustíveis. Sem estar com o preço competitivo no Estado, o etanol tem sido o combustível preferido apenas das locadoras de veículos.

O corretor de imóveis Eduardo Fernandes, 33 anos, é um dos motoristas que não sabe mais o que fazer para economizar. Ele também não utiliza o etanol porque o rendimento ainda é inferior em relação à gasolina. “Está ficando muito difícil. Só não botei gás porque custa caro colocar o kit”, comenta.  Morador de Pouso Alegre (MG), o administrador Eduardo Dandolini, 45 anos, acredita que a política de preços da Petrobrás é resultado do panorama politico brasileiro. “Não é de agora que o preço da gasolina sobe dessa maneira”, alega Dandolini, que já paga mais de R$ 5 o litro no estado natal.

O bancário Willian Barbosa credita os aumentos da gasolina à cotação do preço do barril de petróleo. “Costumo pesquisar os preços, mas até por falta de tempo, às vezes abasteço no posto mais próximo”, explica. Diante de tantos aumentos, o técnico em eletrônica Itamar Fernandes, 31 anos, trocou o carro pela motocicleta. “O consumo é menor e a gente sente menos no bolso”, justifica.  O pedreiro Alexsandro Muller, 34 anos, também já “apelou” para a moto. “Tá complicado, e o etanol rende menos”. 

MUNICÍPIO/Nº DE POSTOS/Preço ao Consumidor

  • Araranguá          11           4,267    
  • Bal. Camboriiú  9            4,258    
  • Biguacu              10            4,218    
  • Blumenau         20           4,404    
  • Brusque            10            4,233
  • Cacador                8           4,498    
  • Chapeco              8             4,389    
  • Concordia           6            4,619    
  • Criciuma              11         4,373    
  • Florianopolis      36        4,347    
  • Itajai                    11            4,178    
  • Jaraguá do Sul   12        4,357    
  • Joinville               20          4,254    
  • Lages                    9             4,339    
  • Laguna                 7            4,382    
  • Mafra                  7              4,472    
  • Palhoça              17            4,282
  • Sao José             17            4,235    
  • Tubarão             10           4,405    
  • Videira                7             4,517    
  • Xanxerê              4             4,408

PRODUTO / N º DE POSTOS/Preço ao Consumidor

  • GLPR$ (13kg)     4372     68,35    
  • GNV (R$/m3)    296          2,856    
  • Gasolina (R$/l)  5776     4,652    
  • Diesel (R$/l)       3137       3,640    
  • Etanol   R$/l        5107      2,831

Fonte: ANP – 16/09 a 22/09

 

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