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Fundação 25 de Julho: Há meio século, a referência no campo

O desenvolvimento rural de Joinville passa pela entidade que nesta segunda (25) completa 50 anos

Redação ND
Joinville
Fabrício Porto/Arquivo/ND
Cultivo de palmáceas é um dos carros-chefe da Fundação que incentiva a produção

 

Herculano Vicenzi, especial para o Notícias do Dia

A Fundação Municipal de Desenvolvimento Rural 25 de Julho está completando 50 anos de história. Data especial que marca a trajetória da instituição que desde o surgimento vem se dedicando – e com grandes avanços - ao desenvolvimento de programas de assistência técnica e apoio aos agricultores para atividades nas áreas de educação, agricultura, pecuária, piscicultura, apicultura, turismo rural e indústria de alimentos coloniais, entre outros.

Apesar do momento histórico, a diretoria da Fundação 25 de Julho resolveu adiar as comemorações do cinquentenário. O presidente, Valério Schiochet, justificou a decisão alegando a proximidade das eleições municipais e as restrições impostas pela Lei Eleitoral. “Sabemos que esta é uma data muito especial, mas por conta do calendário eleitoral optamos em transferir a comemoração para novembro, durante a Festa das Flores. Lá, vamos promover um café rural e assim celebrar os 50 anos de nossa fundação”, anuncia Schiochet.

O agricultor, que está há três anos à frente da fundação, frisa que não é candidato no próximo pleito. E quer deixar como marca de sua gestão a modernização. “Tenho 54 anos, e desde muito pequeno lembro de frequentar a fundação. Estar à frente de uma instituição tão importante para os agricultores de Joinville é um privilégio. Acho que nossa gestão avançou muito na modernização. Conseguimos implantar um modelo administrativo eficiente e eficaz”, pontua.

Outro ponto importante, de acordo com o presidente, é a aproximação e a interação com a Prefeitura e outros órgãos importantes, como o Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina) e Cidasc (Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina) e a escola agrícola. “Conseguimos ter um contato mais intenso e próximo com estas entidades. Isso trouxe muitos benefícios ao homem do campo, como a criação do Centro de Desenvolvimento Agrícola. Já na questão cultural, incorporamos a Casa Kruger, uma referência à história da agricultura na cidade”, observa.

 

O surgimento, há 50 anos

A Fundação 25 de Julho foi oficialmente criada no dia 22 de julho de 1966, por decisão do então prefeito de Joinville, Nilson Wilson Bender. Constitui-se até hoje na maior do gênero entre similares que são mantidas por Prefeituras de Santa Catarina. Na época, a iniciativa do prefeito Bender ganhou grande destaque por ter surgido na cidade mais industrializada do Estado.

Luciano Moraes/Arquivo/ND
Graças a iniciativa do então prefeito Nilson Wilson Bender, a Fundação 25 de julho hoje está consolidada na cidade

Para viabilizar o projeto, o prefeito Bender fez um acordo com a Associação Rural de Joinville. A entidade transferiu para a Prefeitura um terreno de 304 mil metros quadrados localizado na antiga Estrada Dona Francisca (hoje, SC-418), perto do viaduto da BR-101, em Pirabeiraba. Foi dessa forma que no local foi instalada a sede administrativa e o centro técnico do novo órgão municipal. Atualmente, entre outras atividades, no mesmo terreno estão localizadas lavouras experimentais e demonstrativas, estação de piscicultura e escola agrícola de primeiro grau, a Escola Municipal Carlos Heins Funke.

Destinado a prestar assistência técnica aos agricultores, o órgão criado por Bender ganhou o nome de Fundação Municipal 25 de Julho, a fim de valorizar a data em que é comemorado o Dia do Colono em todo o Brasil. Não por acaso, a inauguração ocorreu justamente no dia 25 de julho, com presença de autoridades e centenas de famílias de produtores rurais.

Em 1996, ano em que a Fundação 25 de Julho completou 30 anos de atividades, Bender fez o seguinte registro: “Trinta anos atrás, Joinville experimentava notável impulso industrial e a falta de mão-de-obra especializada era tão grande a ponto de prejudicar o desempenho do setor. Diante dessa realidade, criei então a Fundamas (Fundação Municipal Albano Schmidt), órgão especializado em treinamento profissional de trabalhadores urbanos. Atento aos anseios do meio rural, paralelamente criei a Fundação Municipal 25 de Julho para, dessa forma, melhorar também o desempenho da região agrícola de Joinville. Passadas três décadas, asseguro com alegria que as duas instituições representam as mais relevantes marcas de minha gestão frente à Prefeitura de Joinville. Foi por intermédio desses dois centros de treinamento que milhares de pessoas passaram a  desfrutar de melhor padrão de vida”.

O projeto técnico de treinamento de agricultores foi desenvolvido pelo agrônomo Paulo Steiner, que foi trazido de Arroio do Meio, no Rio Grande do Sul, por indicação de Guilherme Zuege, na época emblemático representante de Pirabeiraba na Câmara de Vereadores.

Para consolidar o projeto, Steiner contou com a colaboração do governo da Alemanha, que colocou à disposição da Fundação 25 de Julho três voluntários (um técnico agrícola, uma assistente social e uma enfermeira).  Os voluntários instalaram-se estrategicamente em Rio Bonito, Estrada da Ilha e Vila Nova.

Os três alemães promoviam duas reuniões por semana, nas quais repassavam ensinamentos sobre economia doméstica, saúde e higiene. Paralelamente, estimulavam sutilmente os agricultores a participarem de cursos de treinamento promovidos pela equipe chefiada por Steiner. Foi dessa forma que o treinamento de produtores rurais ganhou corpo e se mantém vivo até hoje.

 

15 programas específicos

Fabrício Porto/ND
A Fundação 25 de Julho realiza diversas capacitações e programas voltados à produção e com o objetivo de incentivar atividades econômicas rurais

Com um quadro de 70 funcionários, entre eles quatro agrônomos, dois veterinários, dois engenheiros florestais, cinco extensionistas rurais, sete técnicos agrícolas, dois técnicos em aquicultura e um biólogo, a Fundação 25 de Julho realiza capacitação, assistência técnica e extensão rural em todas as comunidades camponesas de Joinville. Para a locomoção das equipes técnicas, a instituição conta com oito veículos de passageiros e um utilitário.

Ao todo, a instituição toca 15 programas, promovendo por intermédio deles o aumento de renda, inclusão social e estímulo à participação das mulheres e dos jovens em atividades econômicas nas propriedades rurais joinvilenses.  (Com colaboração de Windson Prado)

 

Apoio aos Agricultores: Confira os programas da Fundação 25 de Julho

Agroindústria Artesanal Rural de Alimentos

Apoia e capacita a agroindustrilização e a comercialização da produção de propriedades geridas pelo regime de agricultura familiar. A comercialização é feita por sistema cooperativado, visando melhorar as condições de vida no meio rural e oferecer produtos de qualidade. Abrange o processamento de vegetais, panificação, confeitaria e derivados de origem animal.

Comercialização e Abastecimento

A Fundação 25 de Julho é o órgão responsável pela gerência da Ceasa (Central de Abastecimento) de Joinville. É naquele espaço que a instituição estimula e valoriza a agricultura joinvilense, priorizando a produção familiar.

Segurança Alimentar e Nutricional

As metas desse programa visam oferecer segurança alimentar e nutricional aos consumidores da Ceasa, Restaurante Popular, Banco de Alimentos, Silo Comunitário, Hortas Comunitárias e Feiras Populares, com a compra direta da agricultura familiar, beneficiando produtores e consumidores envolvidos em tal rede de abastecimento.

Mulher Rural

É um programa criado em 1986 para fortalecer o desenvolvimento de aspectos econômico, social, político e ambiental, resgatando a cultura e as tradições das etnias que povoaram o meio rural. Por intermédio do programa, a mulher rural é profissionalizada, contribuindo decisivamente para a melhoria da qualidade de vida.

Produção Animal

O objetivo é promover a manutenção e o aumento da produtividade pecuária, com assistência veterinária nas áreas de bovinocultura de leite e de corte, suinocultura, ovinocultura, caprinocultura, equinocultura de trabalho, além de  estímulo à criação de aves e animais de pequeno porte, como coelhos. Para melhorar a qualidade genética de bovinos, oferece serviço de inseminação artificial há mais de 30 anos.

Produção Vegetal

Preocupa-se em desenvolver a produtividade por meio da pesquisa e da extensão rural. As principais culturas contempladas pelo programa são bananicultura, arroz irrigado, olericultura, raízes (mandioca, aipim, cará e mangarito), além de cana-de-açúcar, palmáceas e reflorestamentos com eucaliptos.

 Agroecologia

A meta é fomentar a produção agroecológica, possibilitando ao pequeno agricultor acesso a um mercado que apresenta grande expansão, garantindo a manutenção dos recursos naturais e bom retorno socioeconômico dentro de uma cadeia de produção ambientalmente sustentável.

Saneamento Rural

O programa preocupa-se com a manutenção da qualidade da água dos rios Cubatão e Piraí, responsáveis pelo abastecimento das torneiras na cidade. Implantação de fossas e filtros para tratamento de efluentes domésticos e esterqueiras para efluentes de origem animal garantem a qualidade dos recursos hídricos dos quais depende Joinville.

Piscicultura

Incentiva a produção de peixes (principalmente tilápias) desde 1974, ano em que implantou a primeira estação catarinense de desenvolvimento de alevinos geneticamente melhorados. Graças a esse trabalho, hoje a piscicultura é a principal fonte de renda em diversas propriedades rurais do município.

Casa Krüger

Localizada do lado do viaduto da BR-101, em Pirabeiraba, a edificação se destaca pelas linhas arquitetônicas e por ter sido erguida em 1925. Atual portal turístico, faz parte dos Roteiros Nacionais da Imigração. Administrada pela Fundação 25 de Julho, no local além de informações turísticas existe espaço para apresentações culturais e posto de venda de produtos coloniais típicos do interior joinvilense.

Apicultura e meliponicultura

Na espécie Apis melífera (abelha africanizada), busca-se a capacitação dos apicultores, melhorando conhecimentos técnicos, manejo e processos de agregação de valores. Na meliponicultura (abelhas sem ferrão) estudam-se as espécies, procurando entender a atividade que é ainda pouco difundida.

Maruim

A presença do mosquito Culicoide, conhecido também como mosquitinho do mangue e mosquitinho pólvora, é um problema no interior de Joinville. A partir de estudos da espécie, técnicos da Fundação 25 esperam chegar em breve a medidas eficazes para controlar a praga. Um produto biológico que está sendo desenvolvido pelo programa poderá ser a solução.

Viveiro de Mudas

Produção e assistência técnica, que envolvem essências florestais, são metas para recuperar áreas degradadas e oferecer mais alimentação à avifauna. Na produção de mudas de palmáceas, os agricultores são incentivados a investir no processamento de palmitos para agregar mais uma fonte de renda em suas propriedades.

Desenvolvimento Rural

O programa consiste em liberar recursos do município para produtores rurais que investem em melhorias sociais, ambientais e de preservação de valores culturais e históricos da região interiorana de Joinville.

Serviço Social

Assistência ao produtor rural com enfoque sobre direitos humanos e serviços sociais é o programa que fecha o conjunto de ações desenvolvidas pela Fundação 25 de Julho.

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