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Sábado, 17 de Novembro de 2018
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Frio e expectativas nas macieiras

Semana congelada aumentou horas de frio acumulado aumenta chances de mais e melhores frutos

Fábio Bispo
Florianópolis
Flávio Tin/ND
Dos 2.569 produtores de maçã do Estado, 1.650 estão em São Joaquim.

 

Enquanto o fogão à lenha esquenta o interior da pequena casa de madeira rodeada por 19.000 pés de maçãs, Marcionei Cassan de Andrade inspeciona as telas de proteção sobre a plantação abaixo dos -4 °C que marcaram na terça feira da semana que passou. Ali, mora com esposa e três filhas. Nascido na comunidade chamada Postinho, viveu todos os seus 39 anos em São Joaquim, a maior parte deles como fruticultor. A frente fria que cruzou o Conesul da América do Sul trazendo neve, frio e geada para todas as regiões de Santa Catarina traz também um rastro de esperança, e os ventos de uma melhor safra surge depois do minuano.

Nas regiões mais altas e frias do Estado, acima dos 1.000 m, as macieiras até pareciam sofrer com temperaturas abaixo de zero. Mas completamente desfolhadas e retorcidas, num tom monocromático, elas estão em completo estado de dormência, acumulando horas de frio para uma floração mais perfeita na próxima estação.

A fruta está entre as seis mais comercializadas no Brasil e atualmente é base econômica de 1.650 fruticultores catarinenses, segundo dados da Epagri. Só no ano passado, o que deu nos pés representou 55% dos 842 milhões de toda produção frutífera de Santa Catarina, que foi seguida pela produção de banana (caturra e branca) com 32% e a de uva, com 4%.

Fixado em Caçador, o engenheiro agrônomo Ivan Faoro percorre todos os campos cultivados como coordenador do Programa Estadual de Fruticultura da Epagri. Segundo ele, as pesquisas mostram que “as horas acumuladas de frio que a planta recebe melhoram o florescimento e diminuem as chances de perdas”. Das espécies de fruteiras de clima temperado, a macieira é uma das mais exigentes em frio para quebra de dormência. Mas o professor alerta que uma boa safra depende ainda de outras etapas climáticas, com bastante chuva no período de florescimento, e pouca no de brotação. “Se daqui pra frente pegarmos um período de seca ou uma geada tardia a safra pode ser comprometida,”, diz.

Frio sem estragos na maçã

A maçã pode ser cultivada em praticamente todos os tipos de solo, mas uma de suas exigências são as condições climáticas. O ambiente ideal é com temperatura média de outubro a abril menor ou igual a 19 °C, com somatório de horas de frio anual abaixo de 7,2 °C durante pelo menos 450 horas. Tais variáveis foram verificadas em 56 municípios do Estado, dos quais 52 cultivam a maçã.

Para que a colheita seja promissora a torcida é para que o frio seja intenso durante o estágio de dormência, “quanto mais horas de frio mais e melhores frutos brotarão”, conta Marcionei Cassan Andrade. Precavidos com as previsões de que a nevasca poderia formar acúmulo de mais de 40 centímetros em São Joaquim e região —o que não aconteceu— agricultores instalaram telas para evitar que a neve e o gelo destruísse os pés. “Apesar do frio, a neve não caiu como disseram, mesmo assim nos precavemos e não tivemos nenhuma perda”, comemorou Andrade.

59% da produção nacional

Em Santa Catarina, a produção acontece mais concentradamente nas regiões do Planalto Sul Catarinense e Alto Vale do Rio do Peixe, com 92% do valor bruto da produção de Santa Catarina e 59% de toda produção brasileira. Se somados, os estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul representam mais de 95% da produção nacional.

Em São Joaquim não faz calor nem no verão, que quando chega por ali não dura que dois meses. No outono, entre março e maio, a temperatura raramente alcança a marca dos 24 °C e pode chegar a -2 °C. Essa é justamente a temporada da colheita da maçã, principal atividade econômica do município. A margem das estradinhas de terra que conduzem à zona rural há intermináveis pomares da fruta. Tanto que a cidade tem até uma festa dedicada a ela, a Festa da Maçã, que acontece a cada dois anos sempre no final de abril. No período de 2001 a 2009, a cidade respondeu por 12,4% da produção nacional de maçã.

Tradição tem causa na economia da época

Até o início da década de 1970 o Brasil era tradicional importador de maçãs, maior comprador no hemisfério Sul e quinto no ranking mundial. Com a crise do petróleo naquela década, o governo viu como alternativa para eliminar o dispêndio de divisas de 100 milhões de dólares por ano, adotar uma política de incentivos fiscais e de crédito para substituir os itens de peso na balança de importações. A maçã, na época, representava 200 mil toneladas por ano.

Quando é colhida a variedade catarinense:

Gala: Fevereiro. 46% do total produzido.

Fuji: Abril. 45% do total produzido.

Golden Delicious: Março. 6% do total produzido. 

As demais aos 3% restantes

*Fonte: INSTITUTO CEPA/SC, 2010.

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