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Fotografia pet, serviço que cresce em Joinville, retrata animais como membros da família

Entre brincadeiras, os bichanos se rendem às lentes profissionais e esbanjam naturalidade

Juliane Guerreiro
Joinville
17/12/2016 às 12H09

Enquanto Zeus corre pela casa e baba nas mãos de todos que o acariciam, Belinha e Sofi permanecem alheias ao circo promovido pelo “irmão”. Os três cães são parte da família dos empresários Daiane Linn e Rafael Cardoso, que decidiram eternizar a vida com os animais em fotos, mercado que vem crescendo em Joinville.

Na casa do casal, a fotógrafa Debora Mattos tenta concentrar os três irmãos em uma só fotografia, tarefa difícil já que a personalidade dos três patudos é bem diferente. Zeus é um cão da raça american bully, tem cerca de um ano de idade e muita energia para brincar e correr pela casa da família, no bairro Boa Vista. “Ele quer ficar com a gente o tempo todo. Se está lá fora, fica na porta ou na janela pra estar mais perto”, diz Rafael. Como o mais novo habitante do lugar, ele ainda tenta conquistar a simpatia das moradoras mais antigas, Belinha e Sofi, cadelas da raça yorkshire, com nove anos cada. “Elas, por serem mais velhas, não gostam muito de brincar, têm ciúmes do Zeus e mandam nele”, conta Daiane. A ideia de registrar os animais em fotos surgiu por indicação da veterinária que cuida deles. “Ela vivia dizendo que eu era parecida com o Zeus e que deveríamos fazer uma foto juntos”, fala Daiane. Foi então que o casal decidiu contratar a fotógrafa para fazer os cliques dos bichanos e registrar para sempre a família.

Entre brincadeiras, Zeus se rende aos cliques de Debora - Carlos Junior/ND
Entre brincadeiras, Zeus se rende aos cliques de Debora - Carlos Junior/ND


A fotógrafa Debora Mattos, 30, começou a trabalhar com fotografia pet há cerca de dois anos. Como sempre gostou de fotografia, além de cursar publicidade e propaganda e artes visuais, que têm disciplinas voltadas ao assunto, ela também fez um curso específico na área e, com duas amigas, montou uma empresa de fotografia. “Mas chegou uma hora em que eu queria me dedicar só aos pets. Comecei bem no dia dos animais, em catorze de outubro. É maravilhoso fotografar, que é o que eu amo, e conhecer os animais”, conta.

Ela explica que o mercado tem crescido, mas muitas pessoas ainda têm dificuldade em entender o porquê gastar dinheiro com este tipo de serviço. “Algumas pessoas ainda criticam o gasto com isso, mas hoje os animais são tão parte da família, está tudo tão mais facilitado, que está ficando comum”, diz. As fotos geralmente ocorrem no ambiente em que o animal vive e é ele quem manda no trabalho. “O importante é tentar deixá-los o mais confortáveis possível, tem que dar o tempo deles”, diz Debora. Enquanto as irmãs mais velhas fizeram charme para a câmera, Zeus não demorou a se render aos cliques da fotógrafa, mesmo com mais vontade de brincar do que de ser fotografado.

Belinha e Sofi posam com Rafael e Daiane na casa em que moram - Carlos Junior/ND
Belinha e Sofi posam com Rafael e Daiane na casa em que moram - Carlos Junior/ND


Respeito em primeiro lugar

Apaixonada pelo trabalho, a fotógrafa curitibana Virgínia Maria, 31, conta que a fotografia pet é o encontro de duas paixões. “Já trabalhei e fiz cursos de fotografia e trabalho há mais de 15 anos com resgate voluntário de animais. Foi então que começou o interesse pelo registro”, fala. Ela explica que a proposta do seu trabalho não é “mascarar a personalidade do animal”, usando enfeites e acessórios, por exemplo, mas mostrar a essência dele. “Usamos recursos de fotografia e conhecimento sobre o comportamento animal para pegar a essência dele, o brilho no olhar, a relação de afeto com o tutor. A tendência é que as fotos sejam mais intimistas, com registros mais efetivos sobre a naturalidade”, ressalta. A mesma opinião tem a fotógrafa Debora Mattos. “Não gosto de humanizar o animal, a gente não precisa disso”, fala.

Virgínia procura registrar a essência dos animais - Virgínia Maria/Divulgação/ND
Virgínia procura registrar a essência dos animais - Virgínia Maria/Divulgação/ND


Para entender o universo dos fotografados, Virgínia buscou literatura específica sobre o comportamento dos animais, que dão sinais físicos de estresse e desconforto como, por exemplo, a postura da língua, orelhas e rabo. “Mas foi com a vivência intimista e ética com os animais resgatados que aprendi a estabelecer um canal seguro para transformar o momento em brincadeira”, conta. Além da compreensão do comportamento animal, alguns petiscos e afagos também ajudam a conquistá-los.

Oportunidade de aprendizado

Há menos de um mês em Joinville, Virgínia Maria está promovendo workshops sobre fotografia pet na cidade. “Eu me sinto feliz de compartilhar essa vivência com os animais e encontrar pessoas assim, que gostam do assunto”, fala. Uma das participantes é a fotógrafa Maristela Sdrigotti, que procurou a atividade para saber mais sobre a fotografia pet, em que não tem experiência. “Esses detalhes da língua e orelhas são muito interessantes”, destaca.

No workshop, os alunos aprendem noções básicas sobre fotografia e comportamento animal, além de fazerem exercícios práticos com a ajuda de participantes de quatro patas. As inscrições estão abertas para a edição que acontece neste domingo (18), às 16h30, na Casa 97 (Rua Arco-íris, 97). As inscrições custam R$ 45 mais um quilo de ração e podem ser feitas pelo e-mail contatocasa97@gmail.com ou no dia e local do evento. Fazendo a inscrição antecipada é permitida a companhia do animal de estimação, desde que obedeça aos requisitos da organização.

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