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Sábado, 17 de Novembro de 2018
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Exame confirma morte de adolescente por overdose de ecstasy

Delegado vai encaminhar cópia do inquérito à DIC, que deve investigar a venda de drogas na casa noturna onde jovem passou mal

Redação ND
Joinville

Rogério Souza Jr./ND
Rogério Souza Jr./ND
Delegado Adriano Boni descartou a possibilidade de Bruna ter sido coagida a usar o entorpecente
Foi divulgado nesta terça-feira (4) o resultado do exame toxicológico que apurou as causas da morte da estudante Bruna Cristina de Souza, 17 anos, que começou a passar mal durante a festa de reabertura de um clube noturno em Joinville, no dia 14 de abril passado. Amostras de sangue e tecido coletados da vítima confirmaram que ela morreu em consequência de uma overdose por ingestão de ecstasy. “O exame foi bem minucioso, confirmou a ingestão de ecstasy e descartou qualquer outra possibilidade”, disse o delegado Adriano Boni, titular da Delegacia do Aventureiro, onde a família da vítima registrou boletim de ocorrência.

Boni encaminhará o inquérito para o Ministério Público e uma cópia à DIC (Divisão de Investigação Criminal) da Polícia Civil, onde terá continuidade a investigação para apurar o comércio ilícito de droga no estabelecimento. No caso específico de Bruna, o delegado descarta que a adolescente tenha sido obrigada ou coagida a consumir um segundo comprimido de ecstasy, conforme hipótese levantada pela família após depoimento do namorado e da prima da jovem.

“Aquela não foi a primeira vez que ela usou. A prima dela falou em depoimento que a Bruna já tinha consumido ecstasy anteriormente e na ocasião também ingeriu duas pílulas, porque uma não fez efeito”, disse Boni.

O delegado regional Dirceu Silveira Jr. afirma que a corporação trabalha de forma estratégica para coibir o tráfico de drogas, independentemente dos locais em que ocorra ou de situações isoladas. O trabalho é contínuo. “Temos toda uma estratégia para coibir o comércio de drogas, não importa se ele está nas casas noturnas, nas ruas ou praças. É algo contínuo, que não depende de situações distintas.”  Dirceu reforça a importância da comunidade para ajudar o trabalho da polícia. “Os frequentadores de casas noturnas, assim como a sociedade, devem participar deste processo e denunciar estes casos à polícia. Todos têm interesse.” Denúncias podem ser repassadas através do Disque-denúncia, pelo número 181. A ligação é anônima e gratuita.

Indignação da família

Bruna Cristina de Souza tinha 17 anos, estava no terceiro ano do ensino médio e se formaria no final deste ano. Ela era a mais velha de três irmãos. A foto da estudante com a beca, tirada no colégio, chegou à casa da família no início desta semana. Emoção a mais para o pai, Elesvan Pereira Chagas, 38, e a mãe, Maria Fabrícia Alves de Souza, 36.

“Faz um mês e pouquinho e ainda não consegui voltar a trabalhar, um dia é pior que o outro”, desabafa Maria. Ela adianta que o advogado da família deve entrar com uma ação contra a casa noturna onde Bruna utilizou a droga. Maria está indignada com o fato de a filha, menor de idade, conseguir entrar no estabelecimento usando identidade falsa. Ela também não entende como ocorre a venda de drogas em um ambiente cercado por seguranças.

Bruna foi à reabertura do clube na companhia do namorado, da prima e de um amigo. A adolescente teria usado dois comprimidos de ecstasy, junto com bebida alcoólica. Segundo a prima, de 16 anos, o grupo chegou na frente da boate por volta de 23h30 do dia 13. Bruna começou a passar mal. Ela foi para casa e foi levada para o Pronto-atendimento Leste, onde não resistiu e morreu devido a uma parada cardiorrespiratória e hemorragia interna.

Substância estimulante

O médico legista Elemar Fachinello Nicheli, do IML (Instituto Médico Legal) de Joinville, explica que a substância presente no comprimido de ecstasy, abreviada pela sigla MDMA, afeta principalmente o sistema nervoso do usuário. “Nosso cérebro funciona como uma caixa de mensagens, a molécula passa a informação para os neurônios e depois é absorvida. O ecstasy inibe a absorção desta molécula, o que acaba gerando a mesma informação diversas vezes.” 

Isto ocorre porque ao invés de se comunicarem com as moléculas presentes em nosso organismo, com a ingestão da droga os neurônios passam a se comunicar com os receptores químicos da droga. O ecstasy provoca aumento da temperatura corporal e da pressão arterial.  “Causa uma agitação psicomotora. O efeito começa poucos minutos depois que o estômago absorve a substância, depende da quantidade de comida que a pessoa ingeriu, da idade e do peso. O cérebro libera adrenalina e o coração acelera”, explica.

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