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Eventos durante o mês de setembro em Joinville discutem a prevenção do suicídio

Centro de Valorização da Vida, entidade sem fins lucrativos que existe há mais de 50 anos no país, está à disposição para ouvir quem está passando por problemas

Juliane Guerreiro
Joinville
15/09/2016 às 16H39

 Não é preciso esforçar a memória para lembrar um caso de suicídio que tenha ocorrido com alguém próximo a você. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), um suicídio ocorre a cada 40 segundos no mundo e uma pessoa morre pela mesma causa a cada 45 minutos no Brasil. Entretanto, por mais que os números assustem, o tema ainda é tabu, e deixar de falar sobre o suicídio é deixar de prevenir. Por isso, o mês de setembro é dedicado a discussão sobre o tema e, em Joinville, ações chamam a comunidade para o debate.

Em Joinville, o posto do CVV retomou as atividades em 2014, explica Solange Coral - Fabrício Porto/ND
Em Joinville, o posto do CVV retomou as atividades em 2014, explica Solange Coral - Fabrício Porto/ND


De acordo com a OMS, 90% dos casos de suicídio poderiam ser prevenidos com atendimento profissional ou voluntário. Pensando nisso, o CVV (Centro de Valorização da Vida), entidade sem fins lucrativos que existe há mais de 50 anos no país, está à disposição para ouvir quem está passando por problemas. Em Joinville, o posto do CVV retomou as atividades em 2014 e atende presencialmente e por telefone. Segundo Solange Coral, coordenadora do posto joinvilense, são cerca de três ligações atendidas diariamente, tratadas com sigilo pela equipe. “Se conseguirmos salvar uma vida já é maravilhoso”, conta. Ela explica que os voluntários do posto não oferecem conselhos, nem terapia. “O diálogo é centrado no que a pessoa traz e, às vezes, ela só quer que você ouça. Nós conversamos de forma amorosa e acolhedora, não oferecemos conselhos, mas, se a pessoa quiser, podemos encaminhá-la para o sistema de saúde”, destaca.

Solange conta que a tendência é que os números em relação ao suicídio sejam ainda maiores, já que nem todos os casos são notificados. “Os números são importantes, mas não demonstram toda a realidade. Há um tabu muito grande na sociedade e na família que passa por um caso de suicídio”, diz. Em 2014, último ano com informações registradas no DataSus – sistema de dados do SUS (Sistema Único de Saúde) – Joinville foi a terceira cidade catarinense com o maior número de suicídios registrados (29), atrás de Florianópolis (34) e Blumenau (32).

Destaque para a vida

O amarelo é a cor símbolo do mês de prevenção ao suicídio e tem destaque na exposição promovida pelo Grupo Girassol, formado por psicólogas joinvilenses, no Shopping Cidade das Flores. A exposição que fica aberta até esta terça-feira (13), traz imagens e fotografias de artistas que tratam sobre a vida e a morte. Além de interagir com o espaço, com a possibilidade de escrever o que sente sobre o suicídio em um painel, o visitante recebe uma flor amarela, símbolo da ação.

Segundo a psicóloga Raísa Giumelli, a exposição surgiu da necessidade de falar sobre o tema, reforçar os comportamentos de risco e desvendar os mitos acerca do suicídio. Ela conta que existem comportamentos de risco diretos, quando a pessoa expressa o desejo de tirar a vida com frases como “a vida não faz sentido”, “eu não aguento mais”, e comportamentos de risco indiretos, como encerrar uma conta no banco, se desfazer de objetos valiosos, por exemplo, ou praticar atos alheios à rotina, como dormir demais ou ter insônia. Os motivos que levam ao suicídio são diferentes em cada caso, e podem ser psquiátricos, psicológicos ou sociais.

A psicóloga Lindalva Brunken fala sobre a importância de uma rede de apoio à pessoa que pensa em suicídio. “A psicologia tenta dar suporte, mostrar que existem pontos que não estão legais, mas podem ser melhorados. Mas é um trabalho em equipe entre a família, o médico e o psicólogo”, explica. Ela desmente um dos principais mitos sobre o suicídio, o de que falar sobre o assunto estimula outras pessoas a fazerem o mesmo.

Apoio para outras pessoas

“A pessoa não quer tirar a vida. Ela quer tirar a dor”, diz Angela Cristina da Silva, voluntária do CVV. O trabalho na entidade começou neste ano, mas o desejo de ajudar os outros existe há muito tempo, desde que seu irmão se suicidou. “Para a família parece uma derrota não conseguir fazer com que a pessoa tivesse vontade de viver”, conta Angela.

Muitas vezes os sinais de alerta passam despercebidos aos familiares. “A gente não tinha essa noção de verificar os sinais. Depois pensamos ‘e se?’”, diz Angela. Para ela, ajudar a salvar uma vida é motivo de alegria, dá força para continuar. “Em um telefonema que eu recebo, em uma escuta que eu faço, posso desviar uma pessoa desse caminho. Eu gostaria muito de saber que fiz a diferença”.

Curso para novos voluntários

No dia 24 de setembro, o CVV oferece um curso gratuito para novos voluntários, no campus da UFSC de Joinville (rua Doutor João Colin, 2.700). Para participar, basta se inscrever pelo e-mail joinville@cvv.org.br, telefone (47) 3422-0800 ou no dia do evento.

Centro de Valorização da Vida em Joinville

Rua Jaguaruna, 13 (ao lado do Corpo de Bombeiros Voluntários de Joinville)

Horário de atendimento presencial: todos os dias das 7h30 às 11h30

De terça a sexta-feira, das 19 às 23h

Atendimento pelos telefones (47) 3422-0800 ou 141.

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