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Segunda-Feira, 19 de Novembro de 2018
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Estudantes promovem em Joinville apitaço de repúdio à violência contra a mulher

Alunos da Escola de Educação Básica Dom Pio de Freitas distribuíram panfletos e apitos para a comunidade no bairro Floresta, zona Sul

Suelen Soares da Silva
Joinville

Uma ação envolvendo os estudantes do 2º ano do Ensino Médio, da Escola de Educação Básica Dom Pio de Freitas, movimentou a Praça Tiradentes no bairro Floresta, na manhã fria desta sexta-feira. Um apitaço foi promovido pelos alunos, como uma forma de alertar e conscientizar a população sobre a violência contra a mulher.

 

Fabrício Porto/ND
Vestidos com camisetas do movimento “Não hesite, apite!”, jovens entregavam panfletos informativos e apitos para as mulheres que passavam

 

Vestidos com camisetas do movimento “Não hesite, apite!”, jovens entregavam panfletos informativos e apitos para as mulheres que passavam pela praça. De acordo com a professora Janete Barth, o apito é um instrumento de ordem, tem alta sonoridade e pode ser utilizado para denúncia e proteção.

A ideia, segundo ela é que as mulheres o carreguem na bolsa ou pendurado no pescoço. Principalmente para aquelas que saem cedo de casa como ela e retornam a noite.  A escola recebeu mil apitos da Asas (Associação das Advogadas, Estagiárias e Acadêmicas de Direito), de São Paulo. “É um instrumento que nós temos e fazer com que as mulheres utilizem é muito importante. Só o fato delas estarem usando o apito já inibe o agressor”, ressalta.

 

Fabrício Porto/ND
"Só o fato delas estarem usando o apito já inibe o agressor", diz a professora Janete Barth

 

Para a aluna Victoria Menezes, 16 anos, a professora abordou o tema em um momento em que estão pipocando assuntos sobre crimes contra as mulheres, principalmente na internet, que é o meio onde eles têm mais acesso. “É terrível, nós termos que chegar ao ponto de andar com um apito para nos defender, mas sabemos que ainda vivemos uma cultura do estupro, de assédio. É um absurdo”, enfatiza.

A discussão, segundo ela, se torna ainda mais importante quando os meninos e meninas se tornam conscientes do quanto é importante o respeito e a não romantização do estupro, que por diversas vezes é mostrado de forma banal pelas novelas, filmes e até mesmo em músicas que fazem apologia a este tipo de crime. “Nós trabalhamos sobre a fragilidade da segurança feminina em uma sociedade onde a mulher ainda é tratada como objeto de consumo. Temos de aprimorar a sensibilidade e fazer perceberem a dimensão de uma cultura do estupro”, afirma.

A estudante Juliana Carvalho, 16, comenta que tem conhecimento de casos de assédio sofridos pelas amigas e que pela falta de informação e muitas vezes por vergonha e medo, acabam não denunciando. “O problema é que elas acabam se achando culpadas, com vergonha. E ficam tentando justificar o crime e isso não tem justificativa”, enfatiza.

Garantia de integridade

O movimento “Não hesite, apite!”, que surgiu em 2014 em São Paulo, foi o que deu suporte para a ação, mas foi nas aulas de filosofia da professora Janete que o assunto ganhou destaque. Janete conta, que o tema foi tratado durante todo o mês de maio e foi bem recebido pelos estudantes. “Eu vi a necessidade desse tema ser levado para a sala de aula, principalmente por conta dos dados da violência em Joinville. E a recepção em sala de aula foi melhor do que eu imaginava”, comenta.

A professora levou aos alunos informações sobre a lei Maria da Penha, do feminicidio, políticas públicas, dados oficiais sobre a agressão e autores que abordam o tema. Além de telefones importantes como o Disque Denúncia 181 e a Central de Atendimento à Mulher 180.

Na ação desta sexta-feira, os alunos também tiveram um bate-papo sobre o tema com a assessora de comunicação do CDH (Centro de Direitos Humanos) de Joinville, Lizandra Carpes.  E segundo a diretora da escola, este é um momento importante e que teve uma resposta muito positiva. “É a primeira vez que tratamos do assunto na escola e a repercussão tem sido ótima, inclusive com a aceitação dos pais”, conclui.

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