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Quarta-Feira, 19 de Setembro de 2018
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Espetáculo "Tatyana", de Déborah Colker. VEJA GALERIA DE FOTOS.

Interpretação marcou a abertura do Festival de Dança de Joinville, na noite de quarta (22)

Redação ND
Joinville
Rogerio da Silva
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Na coletiva de terça-feira, a coreógrafa e bailarina Deborah Colker disse que durante a montagem de “Tatyana” teve vontade de telefonar para Aleksandr Púchkin. Certamente, se ainda estivesse vivo, o célebre escritor russo adoraria conversar com a mulher que transgrediu seu romance versado “Evguêni Oniéguin”. O espetáculo de abertura do 29ª Festival de Dança de Joinville, na noite de quarta (20) foi além da arte em movimento.
O feixe de luz que desceu sobre Oniéguin foi o início do trágico amor do protagonista, recolocado por Deborah Colker como coadjuvante em prol Tatyana, cunhada do jovem poeta Lenski e objeto de desejo do personagem. Ah! Sim. A árvore gigante montada no palco é tudo aquilo que prometeram sobre ela: imponente, representa a vida campestre da nova fase de Oniéguin ao lado da dupla de companheiros e de Olga, a amada do amigo.
Deborah prometeu um espetáculo intenso. Cumpriu sem dar um momento de descanso à plateia – os movimentos se encerravam e abriam a encenação seguinte. Em cena, o próprio Púchkin, ora interagia com suas personagens, ora subia no topo da árvore e praticamente os manipulava. Talvez por isso, a própria Deborah fez às vezes do autor em alguns momentos.
O ato termina com a morte de Lenski pelas mãos de Oniéguin – o único (e breve) momento de silêncio desta primeira parte, deixa para alguns aplausos mais apressados. Os 15 minutos de intervalo separaram três anos na vida de Oniéguin. E “Tatyana” ganha um tom mais solene em suas músicas e figurinos no segundo ato. A árvore dá lugar a um não-cenário de projeções e luzes, uma brincadeira com o olhar que dividiu o palco do Centreventos Cau Hansen em vários segmentos.
Tais segmentos eram devaneios de Tatyana, agora não mais propensa ao amado Oniéguin, em momentos de imaginação de como seria este amor bem sucedido. E assim como Púchkin deixou seu romance com ares de inacabado, Deborah se cansa do protagonista e o despedaça para o limbo. Tudo termina com várias Tatyanas, sem nem sinal do destino do outrora amado.
Ainda na coletiva dessa semana, a bailarina e coreógrafa disse ter feito “Tatyana” para mexer com as vísceras, e que em alguns espetáculos percebeu parte da plateia chorando ao final do espetáculo. É justificável: a primeira experiência dela com uma narrativa, “para contar uma história”, como ela mesma afirmou, é feita de contrastes. No cenário, nas músicas que vão do clássico ao pai do eletrônico Kraftwerk e nos figurinos claros/escuros.
A última passagem de Deborah Colker pelo Festival de Dança foi em 2002, com “4por4”. Demorou nove anos para a coreógrafa trazer novamente sua companhia para Joinville. Pelos aplausos ao final de “Tatyana”, o público não quer outro hiato tão longo.

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