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Sexta-Feira, 14 de Dezembro de 2018
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Educação financeira: especialista aponta erros dos brasileiros quando o assunto é poupar dinheiro

Annalisa Dal Zotto defende que o assunto seja debatido com as crianças, desde as escolas

Fábio Gadotti
Florianópolis
O brasileiro é desorganizado nas finanças, gasta mais do que ganha e faz investimentos inadequados quando consegue poupar. Sócia fundadora e diretora geral da Par Mais Empoderamento Financeiro, Annalisa Dal Zotto diz que o cenário é resultado, principalmente, da falta de informação. Gestora de patrimônio de empresas e pessoas, Annalisa defende que o assunto seja debatido pelas crianças já nas escolas.  “Só 30% dos brasileiros economizam alguma coisa”, afirma a empresária, que na palestra “Faça seu dinheiro trabalhar por você”, dá dicas pontuais para ajudar interessados em equilibrar as contas pessoais. “É um trabalho de sensibilização”, afirma. A palestra gratuita, acontece nesta terça-feira (9), no shopping Iguatemi, a partir das 19h30 no novo espaço Workshopping Gallery Piso L2, ao lado da loja da Vivo.
Divulgação/ND
Quais os principais recados que a senhora procura dar na palestra “Faça seu dinheiro trabalhar por você”?
A gente não usa “financês” ou economês, já que o público não é economista. São pessoas que querem se organizar financeiramente, querem melhorar, que têm interesse em conhecer um pouco sobre finanças. No Brasil, a gente tem um problema sério: ninguém estuda isso na escola. Nem como a gente administra o dia a dia, muito menos como fazer para o dinheiro trabalhar para a gente. O objetivo é falar um pouco do que é bom e o que é ruim. Como é que uma pessoa que trabalha muitas horas pode fazer para não perder dinheiro? Vivemos uma situação de inflação no Brasil que corrói o poder de compra e faz com que as pessoas tenham que considerar algumas coisas.

A senhora comentou que na escola as crianças não têm noções sobre administração do dinheiro na escola. De modo geral, não se têm a ideia, então, de que o poder público precisa arrecadar para ter recursos – o dinheiro não cai do céu – e que os pais pagam as contas com dinheiro “suado” do trabalho?
Sim, e a gente tem que ensinar isso. E o governo não pode gastar mais do que ganha, assim como em casa. Muitas famílias administram melhor suas finanças do que o governo vinha fazendo. O governo gastava muito mais do que pode gastar, por isso estamos numa situação de inflação e taxa alta de juros  - o que é muito ruim para quem precisa pegar dinheiro emprestado e muito bom para quem tem dinheiro sobrando e pode fazer boas aplicações.  Mas tem que considerar uma série de fatores, e é sobre isso que a gente conversa. E também sobre juros compostos, títulos públicos, caderneta de poupança etc. É uma palestra de sensibilização, com dicas bem pontuais.
Ao contrário do senso comum, a senhora fala que não precisa de muito dinheiro para se investir, é isso? Esse é um dos principais mitos que envolvem investimentos financeiros.
Não precisa mesmo. O investidor pode comprar títulos públicos a partir de R$ 30,00 por mês. O maior mito é achar que título público tem risco e que poupança não tem. É ótimo emprestar dinheiro para o governo. Não tem risco.

O brasileiro não costuma se preocupar muito com o futuro financeiro?  Pensa mais no hoje e deixa o amanhã para depois?
Exato: 30% dos brasileiros poupam, economizam alguma coisa. E isso é muito ruim. A gente tem um problema cultural. Somos “novos ricos”, como a índia e a Rússia, países que começaram a ter as coisas para comprar. Então a gente compra, fica enlouquecido pelo consumo  e  não sabe se organizar, se endivida facilmente, paga juros e não sabe quanto está pagando. É uma epidemia. A falta de informação traz muito problema.

Basicamente, a gente gasta mal o dinheiro que ganha e investe mal quando consegue guardar?
Sim. É trágico. Tenho uma certificação internacionalmente reconhecida, a CFP (Certified Financial Planner), pelo Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros, do qual sou embaixadora em Santa Catarina. Em 2010 eram 600 no Brasil. Hoje, são uns 4 mil e a maioria  trabalha com grandes bancos. Não tem independentes. Nos Estados Unidos é uma profissão reconhecida. Todo mundo tem assessor financeiro. É como ter um personal trainer de academia, uma nutricionista, um psicólogo. Minha missão como embaixadora é fomentar essa cultura e popularizar isso. Planejamento financeiro pessoal é minha grande paixão. Porque vejo quanto isso muda a relação da pessoa com o dinheiro. Elas passas a conhecer muitas coisas e isso muda. É uma das profissões mais desejadas nos Estados Unidos por causa disso. 

Na consultoria pessoal uma das perguntas feitas aos clientes é “tudo o que você compra você realmente precisa”?
A primeira área do planejamento é gestão financeira: como ganho, como gasto, como faço para gastar melhor, como faço para caber tudo o que quero no meu bolso, como faço para atingir meus compromissos financeiros, como faço para sair do endividamento? Tudo isso é gestão. É como se fosse uma empresa, só que levado para as pessoas. A técnica, inclusive, é mais simples, só que temos as emoções. Tem até uma área, finanças comportamentais, que estuda a relação do homem com o dinheiro. Dois estudiosos [o psicólogo Daniel Kahneman e o economista Vernon Smith] ganharam o Nobel da Economia em 2002 provando que todo mundo é muito parecido na relação com o dinheiro. 

Ricos também têm uma relação não saudável com o dinheiro?
Com certeza. Grau de instrução e faixa de renda não têm nada a ver. A gente vê pessoas bem humildes que têm uma ótima relação com o dinheiro. Quem tem boa relação com o dinheiro é quem consegue viver dentro do orçamento, tem disciplina de conseguir poupar um pouco e não é um avaro. E para tudo isso tem que ter aptidão para lidar com o dinheiro, e só 20% da população brasileira se enquadra nesse perfil.  Se a pessoa tem técnicas e métodos, claro que esse quadro melhora.
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