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Descaso com pedras portuguesas representa perigo a pedestres no Centro de Florianópolis

Também conhecidas por petit-pavê, as pedras retratam a cultura do povo ilhéu e, atualmente, oferecem perigo a quem circula pela praça 15 de Novembro, Largo da Catedral e Calçadão da Felipe Schmidt

Michael Gonçalves
Florianópolis
22/08/2018 às 07H48

Soltas e jogadas pelo meio-fio, as pedras portuguesas no Centro de Florianópolis retratam a cultura do povo ilhéu e, atualmente, oferecem perigo aos pedestres. São dezenas de buracos provocados pela falta de manutenção do piso, no Largo da Catedral, na praça 15 de Novembro e no Calçadão da Felipe Schmidt. Na praça 15, as pedras, também conhecidas como petit-pavê, foram transformadas na década de 1960 em 47 mosaicos pelo artista plástico Hiedy Assis Corrêa, o Hassis, que reproduzem o folclore ilhéu. Em 2014, a prefeitura tombou como patrimônio histórico e artístico do município o petit-pavê. Em maio deste ano, uma manifestação política resultou na pichação de dezenas de pedras no Largo da Catedral.

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Dayana Soares, que já quebrou o tornozelo em um buraco de rua, não anda mais distraída pelas calçadas do Centro - Daniel Queiroz/ND



A autônoma Dayana Soares, 36 anos, que quebrou o tornozelo em um buraco de rua há um ano e meio, sabe dos problemas provocados pela falta de manutenção dos pisos em áreas públicas. “Aprendi que não podemos andar distraídos em espaços públicos devido à falta de manutenção, sob a pena de sofrermos uma grave lesão. Quebrei o tornozelo em dois lugares e fiquei oito meses em casa sem trabalhar. Hoje procuro passar bem longe dos pisos irregulares e crateras”, lamentou. Em alguns pontos, as pedras foram recolocadas com cimento.

As pedras portuguesas nada mais são do que a denominação genérica do calcário, uma rocha formada pelo acúmulo de organismos mortos no fundo dos mares, e do basalto, que é uma rocha magmática de cor preta. No Brasil, os primeiros exemplares foram trazidos de Portugal no início do século 19 pelas prefeituras de Manaus (AM) e do Rio de Janeiro (RJ).

Em 1965, a Prefeitura de Florianópolis recorreu a Hassis, um dos mais importantes da Ilha, para fazer desenhos para a pavimentação dos pisos da praça 15. “Os mosaicos já passaram por duas restaurações, sendo que a primeira contou com a participação de Hassis, mas continuamos preocupadas com a manutenção da memória histórica e cultural deste nosso patrimônio”, disse a filha do artista, Leilah Corrêa Vieira.

Buracos e pedras soltas no Largo da Catedral  - Daniel Queiroz/ND
Buracos e pedras soltas no Largo da Catedral - Daniel Queiroz/ND



Quedas e tropeços são frequentes

Aos 75 anos, o aposentado Wilson Lemos também foi vítima da falta de manutenção das pedras portuguesas no Centro. Ele conta que já tropeçou e viu algumas pessoas caírem em função dos buracos e das pedras soltas. “Até vejo algumas pessoas fazendo a manutenção, mas sempre tem novos buracos. Tem que verificar se eles são qualificados para o serviço”, questionou.

Entre a praça 15 e o Largo da Catedral, os ônibus são obrigados a passar sobre a calçada pela falta de espaço da rua. Segundo Lemos, a solução seria recuar a calçada para evitar o dano ao patrimônio.

No Calçadão da Felipe Schmidt, a situação não é diferente. O divulgador César Santos Oliveira, 49, trabalha ao lado de uma tampa metálica da Casan, que está fora do nível das pedras portuguesas. “Já fizemos várias reclamações e o que a prefeitura sempre faz é cobrir o desnível da borda da tampa com cimento, que acaba saindo a cada chuva. São mais de duas pessoas por dia que tropeçam aqui”, disse.

Já no Largo da Catedral, as pedras portuguesas foram pichadas durante uma manifestação da CUT (Central Única dos Trabalhadores), da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil) e da Intersindical, no dia 30 de maio, durante a pintura de faixas. A Comcap levou dois dias para limpar as marcas de tinta.

Prefeitura fecha de dez a 15 buracos por mês

Por meio da assessoria de imprensa, a Prefeitura de Florianópolis informou que através da Secretaria de Infraestrutura faz fiscalização semanal para fins de manutenção do piso de petit-pavê tombado como patrimônio histórico no entorno da Catedral e na praça 15. Todo mês, os funcionários efetivos da prefeitura e de empresa contratada, para realizar manutenções em geral, fecham de dez a 15 buracos que resultam na retirada das pedras, ao custo de cerca de R$ 2 mil.

Segundo a nota, geralmente é necessário apenas voltar a fixar as pedras soltas – que em muitos casos saem do lugar em decorrência de eventos públicos, e não por conta de vandalismo - utilizando cimento seco. Já a manutenção do petit-pavê da Felipe Schmidt é feita sempre que há demanda.

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