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Quarta-Feira, 26 de Setembro de 2018
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Decisão da Bunge de encerrar atividades na cidade, abriu a discussão sobre uso do Moinho Joinville

Entre as propostas, a arquiteta Cristina Reinert tem um projeto de requalificação não apenas do moinho, mas que envolve também a revitalização da área no entorno, no bairro Bucarein

Redação ND
Joinville

O anúncio do fechamento da unidade da Bunge Alimentos em Joinville fez muita gente se manifestar pelas redes sociais a cerca do futuro do principal prédio da empresa – o centenário moinho construído às margens do rio Cachoeira e que se sobressaiu na paisagem urbana da região central da cidade. As principais ideias passam pela ocupação do espaço para atividades de cultura, lazer, turismo e serviços. Por enquanto, não há nada definido pela empresa. A Prefeitura já sugeriu que o prédio, que está com processo de tombamento em andamento, seja utilizado como museu ou abrigue uma escola de panificação.

 

Divulgação/ND
Ilustração de como ficaria a nova fachada do prédio histórico

 

 

Entre as propostas, a arquiteta Cristina Reinert tem um projeto de requalificação não apenas do moinho, mas que envolve também a revitalização da área no entorno, no bairro Bucarein. A ideia contempla a transformação do prédio num centro cultural, esportivo e social, concentrando no local órgãos como o Serviço de Proteção Social e o serviço de albergue do Programa Porto Seguro, hoje com sedes na rua Urussanga, o mesmo endereço do moinho. O projeto de Cristina vem antes da discussão atual. Ele foi elaborado em 2009 como TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) enquanto ainda estava na faculdade.

O projeto prevê a revitalização da área no entorno e a utilização das edificações para diversas finalidades. São cinco conjuntos principais: memorial, educacional, esportivo, cultural e de lazer. Estruturas como quadras de esportes, pista de skate, teatro-arena, decks de madeira, playground, escola profissionalizante de panificação, museu e restaurante panorâmico, entre outras, poderiam ser abrigadas na área. “Todos os espaços foram pensados de maneira que facilite a integração entre pessoas, o edifício e seu entorno”, considerou. Ela lembra que também poderiam ser aproveitados os acessos pelo rio Cachoeira e o antigo ramal ferroviário que fazia ligação com o moinho.

O novo complexo seria construído de maneira a respeitar o patrimônio já existente. “O moinho é um ícone para a cidade, tem feitos bem diferentes das tradicionais construções”, comentou, destacando o valor arquitetônico e histórico do prédio.  Com a desativação da empresa, Cristina avalia que o espaço pode ser utilizado com um apelo cultural, a exemplo de outras requalificações patrimoniais no país. “O Sesc Pompeia (em São Paulo) está onde era uma antiga fábrica de tambores. O local foi revitalizado com projeto da arquiteta Lina Bo Bardi”, exemplificou. Já como referência de qualificação urbana, ela citou o caso do bairro Puerto Madero, em Buenos Aires (Argentina) e o projeto atual que o governo do Rio de Janeiro está fazendo na área da zona portuária da cidade.

 

 

Entusiasmo e preocupação

Na página no Facebook do coletivo Cidade Cultural, que divulga informações culturais de Joinville, Pierre Porto, publicitário e editor da página, fez uma postagem para o público manifestar ideias sobre o espaço. A maioria dos comentários aprova a ocupação do prédio para atividades sociais. “Imagina aquele moinho reformado e revitalizado. Enfeitado no Natal, seria um cartão postal com o rio Cachoeira limpo, não custa imaginar”, disse Agobar Filho. “Esse é o lugar perfeito”, classificou Jackson Nessler.

Apesar do entusiasmo, no entanto, há preocupações quanto a quem iria bancar as melhorias e sobre outros prédios históricos que, mesmo tombados, continuam abandonados na cidade, caso da antiga cervejaria da Antarctica e a proposta de transformá-la numa Cidadela Cultural. “Poderia rolar um abaixo assinado da comunidade e de artistas por mais investimento privado na cultura”, sugere Emanuelle Carvalho. Já Renan Archer lembrou o projeto do Museu de Arte Contemporânea, do Instituto Schwanke, a ser construído no prédio da antiga cervejaria, mas ainda no papel. “O projeto do museu recebeu doações e estímulos, mesmo que não o necessário ainda, mas talvez, então, se repitam essas ajudas e, assim, dê pra utilizar o lugar”, pontuou.

Independentemente dos empecilhos que possam aparecer, Pierre Porto defende um envolvimento de diversas entidades culturais para discutir o tema. “Talvez seja uma oportunidade de impulsionar o assunto e nada melhor do que as entidades de cultura formalizadas da cidade buscar informações”, comentou. O jornalista e agente cultural Sérgio Almeida vai na mesma linha. “Nunca, desde que eu vim para cá, se teve a possibilidade de ter-se um centro cultural deste porte, à altura de Joinville, com cara de Joinville, atendendo as necessidades de muitos dos segmentos culturais da cidade”, resumiu.

O processo de tombamento do moinho está sendo conduzido pelo Comphaan (Comissão do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Natural do Município de Joinville) desde 2009 e pode ter um desfecho ainda neste ano, se não houver contestação da empresa. As discussões sobre o futuro do patrimônio também devem ser levadas para o CMPC (Conselho Municipal de Políticas Culturais), conforme adiantou a presidente Ilanil Coelho.

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