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Quarta-Feira, 19 de Setembro de 2018
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Crime ambiental na área de mangue em Joinville

Despejo de restos de construção e móveis é constante na rua Agostinho dos Santos, no bairro Espinheiros

Paulo Júnior
Joinville
Maiara Bersch/ND
Área na margem da rua Agostinho dos Santos está sendo alterada e o manguezal destruído

 

Quem passa pela rua Agostinho dos Santos, no bairro Espinheiros, se assusta com a quantidade de entulhos e restos de móveis despejados em quase toda a extensão da via. Os restos de materiais de construção chegam a formar dezenas de montes e todos estes dejetos se acumulam bem nas margens de um manguezal. Nesta quinta (19) de manhã uma retroescavadeira estava estacionada próxima aos montes de detritos.  

Uma engenheira florestal, que prefere não se identificar, trabalha perto daquela área e relatou o caso à reportagem de ND, que foi até o local para conferir a situação. Ela destacou a função do mangue na fixação do carbono e que essa poluição pode afetar o clima e as espécies que vivem neste ecossistema. “Aqui é um berçário de crustáceos e peixes. Aqui eles se multiplicam, assim como o guará, a garça azul e o biguá”, lembrou.

A engenheira explicou que esse delito está no artigo 50 da Lei de Crimes Ambientais, que prevê multa e detenção de 1 a 3 anos caso o autor seja identificado. “Eles estão transformando essa área em um aterro e até aterrando o próprio mangue”, alertou a engenheira. O aposentado, C.S, que mora naquela rua, afirmou que os materiais são despejados pelos caminhões principalmente na parte da noite e madrugada. Segundo ele, os próprios moradores jogam móveis no local. “De vez em quando aparece colchão e outros móveis boiando no mangue”. O morador espera uma solução para o caso e sugere que os órgãos coloquem placas de proibição de despejo de lixo e que árvores sejam plantadas no local.

Divulgação/ND
Leitora do ND flagrou caminhão, de placa MQAH-1875. despejando entulho na beira da rua Agostinho dos Santos

 

Subprefeitura promete soluções

O subprefeito da região Leste, José Célio Machado, afirmou que está programada uma operação com trator para o início da próxima semana. A ideia é que pelo menos a máquina ajude a espalhar o material. “Vou procurar também a Ambiental, para juntos encontrarmos uma solução para o problema”, garantiu.

Ele explicou também que é possível que algumas áreas próximas dali sejam isoladas com arame, para tentar evitar os despejos. Quanto às caçambas, José Célio disse que a maioria é de particulares. O subprefeito lembrou que já presenciou vários descarregamentos de caçambas naquela área. “Chegamos na hora e não deixamos despejarem. Infelizmente não dá para ficar monitorando 24h”, justificou José Célio.

Em nota, a assessoria de comunicação informou que a Prefeitura não faz o recolhimento de materiais descartáveis dos moradores, como móveis velhos. Quem faz isso é a Ambiental, empresa concessionária do serviço de limpeza. Para o recolhimento, os moradores devem entrar em contato pelo telefone 3441-0400 e agendar esse serviço. Nesse atendimento não é recolhido lixo doméstico.

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