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Concorrentes de Lula na esquerda defendem acordo para candidatura única já no 1º turno

Os coordenadores dos programas de Ciro Gomes (PDT) e Manuela D'Ávila (PC do B) defenderam na noite de sexta um acordo já no primeiro turno, mas foram freados pelo ex-prefeito Fernando Haddad

Folha de São Paulo
São Paulo
30/06/2018 às 15H09

Em um evento programado para discutir "o que une" as pré-candidaturas de esquerda ao Planalto, os coordenadores dos programas de Ciro Gomes (PDT) e Manuela D'Ávila (PC do B) defenderam na noite desta sexta (29) um acordo já no primeiro turno, mas foram freados pelo ex-prefeito Fernando Haddad (PT).

"Tenho certeza que estaremos juntos no segundo turno. Mas o que eu temo é que, no segundo turno, estejamos juntos fora da disputa", disse o representante da campanha de Manuela D'Ávila, Luís Fernandes, aos demais participantes do debate realizado na Casa do Povo, em São Paulo. 

Apesar de um pouco menos pessimista, o economista Nelson Marconi, coordenador do programa de campanha de Ciro, também citou a necessidade de conversas para uma candidatura única. 

 "O que está em jogo é um projeto conservador ou um projeto progressista legitimado. A população pode legitimar um dos dois projetos, e a gente tem que fazer de tudo para que o nosso projeto seja legitimado", disse, acrescentando que isso "logicamente envolve um acordo entre o campo progressista".

Logo após as declarações dos dois, no entanto, Haddad -que foi representando a pré-candidatura de Lula, mas que também é visto como plano B do PT na disputa- repetiu que o partido "não pode e não vai abrir mão" do ex-presidente.

"Como os petistas, nós, podemos abrir mão do Lula? Nós não temos condições políticas, morais, intelectuais, programáticas de abrir mão do Lula", disse, atraindo aplausos menos efusivos que Fernandes ao questionar se há sentido para as candidaturas de esquerda não estarem unificadas no primeiro turno.

Manuela tem entre 1% e 2% das intenções de voto, segundo a última pesquisa Datafolha, realizada no início de junho. Ciro teria entre 6% e 11%, enquanto o PT teria 1% com Haddad e 30% com Lula, que está preso após condenação em segunda instância pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Pela Lei da Ficha Limpa, ele está inelegível.

Guilherme Boulos (PSOL), que também enviou uma representante na conversa desta sexta, aparece oscilando entre 0% e 1% das intenções, dependendo do cenário. A representante de Boulos, Natalia Szermeta, mencionou o fato de não haver uma candidatura única de esquerda como consequência da "falência do sistema político", mas não chegou a defendê-la.

No fim do debate, Haddad afirmou a jornalistas que a candidatura de Lula é "incontornável". 

"Se tiver prévias com o nome dele, a gente pode até discutir. Mas prévias sem o nome dele não me parece democrático", disse o ex-prefeito. O evento foi organizado pelo movimento "Quero Prévias", que quer o modelo para a escolha de candidaturas e programas.

Questionado pela Folha de S.Paulo sobre a reação do petista, Marconi disse que o PT tem direito de querer manter o ex-presidente na disputa. 

"Seria interessante ter uma candidatura única, mas não sei se viabiliza. No mínimo a gente tem que conversar pra ver se consegue fazer uma coisa mais para frente", afirmou.  

Ele, no entanto, nega que Ciro possa ser o pré-candidato a ceder. "Ninguém está falando que o Ciro está pensando em desistir, assim como o Lula não está pensando em desistir. Não estamos nesse estágio da conversa." 

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