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Segunda-Feira, 12 de Novembro de 2018
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Comunidade se mobiliza para investigar mortes de gatos em Joinville

Moradores afirmam que 13 gatos já morreram em curto espaço de tempo, após supostamente terem sido envenenados em rua no bairro Glória

Windson Prado
Joinville
Carlos Junior/ND
Rosana, Eloisa e Milena, moradoras do Glória que estão indignadas com a morte dos bichanos da rua Sol

 

A morte de pelo menos 13 gatos em uma única rua do bairro Glória, em Joinville, deixou um grupo de moradores revoltado. Eles apontam que laudos de médicos veterinários constatam que os felinos foram envenenados e alguns animais ainda teriam sido espancados. Todos os animais mortos tinham donos e eram bem cuidados. Indignados com a crueldade, os tutores dos gatos que morreram relataram o caso à Polícia Ambiental, registraram BO (Boletim de Ocorrência) na Polícia Civil e nos próximos dias devem procurar o Ministério Público para denunciar os crimes de maus-tratos.

Em menos de um mês, a executiva de vendas Milena Rzatki Nunes, 35 anos, teve seus dois gatos envenenados. “Eles faziam parte da minha família. Os dois estavam castrados e eram muito caseiros. Perder os dois quase que de uma vez só, e de uma forma tão cruel, é muito doloroso”, lamenta Milena.

Há cerca de um ano, Milena mudou-se para um sobrado da rua Sol. Os gatos, segundo ela, ficavam praticamente o tempo todo dentro de casa. “Era muito difícil eles saírem de casa. Quando saiam, ficavam em nosso terreno e, de vez em quando, davam uma voltinha em um terreno baldio que tem nos fundos de casa, mas logo voltavam. Em março, meu Pelé (um gato preto, de seis anos) saiu e não voltou mais. No mesmo dia, após sentir falta dele, comecei a fazer buscas na região. No dia seguinte, um vizinho comentou que tinha encontrado o Pelé morto. Como ele não sabia que o gato era meu, chamou a Ambiental [empresa que faz a coleta seletiva em Joinville] que recolheu meu gatinho”, recorda Milena.

 

Arquivo Pessoal/Divulgação/ND
Pelé e Luna (embaixo) e outros gatos da vizinhança que morreram envenenados

 

A outra gata de Milena morreu no mês seguinte. “Duas semanas depois que o Pelé morreu, Luna, minha gata siamesa de 4 anos, chegou em casa toda machucada. Tinha marcas de facadas, parecia que tinha sigo golpeada por flechadas nas patas. Tinha sangue em toda a casa. Peguei a Luna e a levei ao veterinário que confirmou que as lesões condiziam a alguma agressão. Ela levou alguns pontos e vinha se recuperando bem, até que na metade de abril, ao chegar em casa percebi que a Luna não estava lá. Fiquei desesperada e corri para os fundos da residência. Foi quando a encontrei, morta, com a boca cheia de sangue e vomito. Mesmo assim levei ela ao veterinário que afirmou que Luna tinha sido envenenada”, conta. “Como pode uma pessoa dar veneno para um bichinho que não faz mal a ninguém? Porque tanta crueldade, minha gente?”, questiona a executiva de vendas.

 

Arquivo Pessoal/Divulgação/ND
Luna no veterinário com a pata machucada após suposta agressão: facada no bichinho

 

Milena registou um BO (Boletim de Ocorrência) por meio do site da Polícia Civil e começou a divulgar o caso nas redes sociais. Em conversas com os vizinhos ela descobriu que não tinha sido apenas os gatos dela que morreram envenenados na naquela rua. Outros bichanos tiveram o mesmo fim. “Comecei a conversar com os vizinhos que começaram a relatar que o mesmo tinha acontecido com gatos deles. Depois disso, outros animais também começaram a aparecer mortos e espancados. A gata da vizinha morreu depois de ter a coluna e patas fraturadas”, reforça perplexa.

 

Carlos Junior/ND
Milena busca conforto no amor a três filhotes que retirou da rua depois que seus dois gatos morreram. Na foto ela está com Léo (e) e Chaplin

 

Hoje, Milena adotou outros três bichanos e tenta driblar o sofrimento de ter perdido Luna e Pelé com o amor dos filhotes que pegou da rua. Com medo de que seus animais possam ser mais uma vez vítimas de envenenamento ela já pensa em se mudar daquele endereço. “Vou sair daqui. Não quero mais passar por isso. Meu contrato de aluguel vencendo vou mudar de endereço”, afirma.

 

Casos na vizinhança se multiplicam

O drama de Luna e Pelé repercutiu na vizinhança da rua Sol. A via é pequena, com não mais de 40 residências divididas em quatro quadras curtas. A aposentada Eloísa Corrente, 54 anos, mora próximo a Milena e ficou bastante incomodada com as mortes dos gatos da rua Sol. “Isto é um absurdo é um crime”, enfatizava a aposentada, enquanto a vizinha Milena conversava com a equipe de reportagem.

“Existe leis que protegem os animais. A pessoas que pratica qualquer ato de violência contra eles, seja espancamento ou envenenamento pode e deve ser punida. Já foram 13 gatos mortos em pouco mais de três meses. Isso não é normal. Por isso, fiz questão de repassar o caso a Polícia Ambiental, que prometeu averiguar toda esta mortandade”, acrescenta Eloisa.

A administradora Rosana Piccole, 57, também mora naquela região e acompanha o caso. Ela cuida de mais de 20 gatos que aparecem na casa dela. “A gente trata dá comida e estou sempre encaminhando eles para castração e adoção. Há três anos, eu também vi meus bichinhos morrerem envenenados. Cinco apareceram mortos de uma única só vez. É muito, muito, triste. Quem mata os animais, pode matar qualquer coisa, até uma pessoa. Um ser assim não tem amor no coração”, expressa Rosana.

 

Maltratar tratar animais é crime ambiental

Neste domingo a Polícia Militar Ambiental confirmou que o caso foi registrado no início do mês, e que nos próximos dias, diante da disponibilidade de equipes, deve dar sequência a investigação da denúncia de maus-tratos. A equipe de reportagem do Jornal Notícias do Dia tentou contato com a 3º Delegacia de Polícia Civil – responsável pelas ocorrências no bairro Glória, desde a última sexta-feira, mas nenhum dos delegados da DP foram encontrados para falar sobre as denúncias de crimes ambientais.

A presidente da Frada (Frente de Ação pelos Direitos dos Animais), Ana Rita Hermes, comenta que os casos de maus-tratos contra os animais são bem mais comuns do que se pensam e reforça a importância da população fazer a denúncia formal destes crimes. “A gente recebe muitas denúncias, nossa orientação é que as pessoas que flagrarem qualquer ato que configure maus-tratos aos animais façam denúncia na Polícia Civil, no Ministério Público e na Ouvidoria da Prefeitura para que estes casos sejam de fato investigados e os responsáveis punidos”, explica Ana.

Entretanto, a presidente da Frada lamenta e diz que ainda é pequeno o retorno do poder público a estes casos, e que, muitas vezes, os crimes acabam sem respostas. “Por isso a importância de ficarmos em cima, de cobrarmos das autoridades que não deixem estes crimes impunes. Maltratar animais é crime e essa legislação precisa ser respeitada”, completa.

 

Conheça as leis que criminalizam maus-tratos a animais

- Lei Federal 9605/98, no artigo 32

- Decreto Federal 6514/08, no artigo 29

- Lei Complementar de Joinville 29/96, no inciso I do artigo 64.

 

Como denunciar

Ouvidoria da Prefeitura de Joinville:  Ligue: 156

Polícia Militar: 190

Polícia Civil: 181

Ministério Público: ww.mpsc.mp.br/atendimento-ao-cidadao/denuncie

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