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Comunidade do Sul da Ilha continua ocupando Campo de Aviação no Campeche, em Florianópolis

Decisão do TRF4 libera a Base Aérea a construir uma cerca para fechar um terreno de 353 mil m², que a população utiliza como área de lazer há 30 anos. MPF pode recorrer da sentença

Redação ND
Florianópolis
29/07/2018 às 21H38

A decisão da semana passada do TRF4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) em cassar a liminar deferida pelo juiz Marcelo Krás Borges, da 6ª Vara Federal de Florianópolis, que proibia a intervenção da BAFL (Base Aérea de Florianópolis) no Campo de Aviação do Campeche, não afastou os moradores do Sul da Ilha da área de lazer no fim de semana. No dia 21 de junho, a Base Aérea abriu duas crateras e derrubou algumas árvores, na única área de lazer da comunidade, com a justificativa de proteger o patrimônio público, que sofre com o despejo de lixo e de entulho, além de ser passível de invasões. Dois dias depois, o MPF (Ministério Público Federal) conseguiu a liminar que impedia o avanço da obra. Agora, o MPF é quem pode recorrer da decisão.

O objetivo da Aeronáutica é cercar a área de 353 mil m² e impedir o acesso de veículos e de pessoas para evitar o mau uso do terreno que pertence à União. Já a comunidade aguarda pela construção do Pacuca (Parque Cultural do Campeche), porque a área está em litígio em função de um decreto municipal, de 2014, que prevê o tombamento do terreno utilizado antigamente para pouso de aeronaves francesas da Aéropostale.

A vendedora Miriam Ramos, 37 anos, aproveitou o domingo de sol para fazer um piquenique com a filha Sofia, de quatro anos, ao lado de uma das crateras. “É incrível que alguém possa restringir a população de passar momentos de lazer em uma área tão agradável e que reúne dezenas de famílias nos fins de semana. Esta é a hora da comunidade se organizar e defender o compartilhamento desta área pública”, sugere.

Comunidade do Sul da Ilha resiste às intervenções da Base Aérea - Flávio Tin/ND
Miriam levou a filha Sofia para fazer um piquenique ao lado das valas abertas no terreno - Flávio Tin/ND

Provocada pela AGU (Advocacia-Geral da União), que recorreu em nome da Base Aérea, a relatora e desembargadora Vânia Hack de Almeida, do TRF4, em Porto Alegre (RS), entendeu que a área envolvida na polêmica não pode ser considerada tombada pela administração municipal e que está sob administração da instituição militar. O setor de comunicação social da Base Aérea de Florianópolis informou que o comando da Aeronáutica deve definir a partir desta segunda-feira (30) os próximos passos no Campo de Aviação no Campeche.

Comunidade do Sul da Ilha resiste às intervenções da Base Aérea - Flávio Tin/ND
O terreno é utilizado como área de lazer há mais de 30 anos- Flávio Tin/ND



Iniciativa “cheira à especulação imobiliária e privatização do espaço público”

O presidente da Amocam (Associação de Moradores do Campeche), Alencar Deck Vigano, foi o primeiro a denunciar ao Ministério Público Federal a intervenção da Base Aérea de Florianópolis no Campo de Aviação. Por meio de uma rede social, o líder comunitário disse estar surpreso e indignado com a última decisão judicial.

O terreno é utilizado como área de lazer há mais de 30 anos, tanto que existia um campo de futebol consolidado. “A gente viveu e vive o Campo da Aviação de maneira comunitária. Qualquer coisa, ao contrário disso, cheira à especulação imobiliária e privatização de espaço público. Para nós, não serve”, lamentou Deck, em sua rede social.

Morador da avenida Pequeno Príncipe, ao lado do Campo de Aviação, o professor Ruan Rogério Martins, 26 anos, leva os primos Davi, três anos, e Wuendryl, 12, para jogar futebol antes de outra intervenção da Base Aérea. “Cresci brincando neste terreno e, agora, estão acabando com a única área de lazer da região. Aqui também tínhamos um dos poucos, para não dizer o único, campo de futebol livre na Ilha, que ninguém pagava para jogar. Destruíram a única diversão gratuita de diversos jovens que, mesmo assim, deram um jeito de continuar jogando”, disse. Agora, a diferença é que Wuendryl precisa entrar na vala para pegar a bola.

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