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Com infiltrações, reforma da UPA do Continente custará mais R$ 2 milhões, em Florianópolis

Estrutura nunca atendeu a população, mas já consumiu mais de R$ 4 milhões de dinheiro público. Cronograma prevê lançamento de edital nas próximas semanas e inauguração em dezembro

Michael Gonçalves
Florianópolis
18/07/2018 às 22H24

Para abrir a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Continente no bairro Jardim Atlântico, região continental de Florianópolis, a prefeitura estima gastar mais R$ 2 milhões. O desperdício do dinheiro público fica evidente nesta obra que começou em agosto de 2010 e não foi concluída. Inicialmente, custou R$ 3,998 milhões. Mesmo sem ter sido utilizada, a administração do ex-prefeito Cesar Souza Júnior fez mais uma reforma para inserir um Caps (Centro de Atenção Psicossocial) no local e gastou mais R$ 168,4 mil e o prédio de três andares continuou fechado. Nesta quarta-feira (18), a reportagem do ND entrou na edificação e confirmou o descaso com o dinheiro público em função das infiltrações, do mofo e da deterioração dos móveis armazenados. Quando concluída, a unidade de saúde deve atender 5.600 pessoas por mês.

Prédio da UPA do Continente tem três andares e 2.500 metros quadrados - Daniel Queiroz/ND
Prédio da UPA do Continente tem três andares e 2.500 metros quadrados - Daniel Queiroz/ND


Aparentemente pronta desde 2013, a UPA do Continente tem o objetivo de desafogar os atendimentos no Hospital Florianópolis e de ampliar a oferta na região. Vizinho da obra, o aposentado Rui Brito, 65 anos, lembra que a abertura da unidade foi uma promessa de campanha do prefeito Gean Loureiro (PMDB). “Estamos cansados dos discursos e queremos alguma atitude prática. É um desperdício do dinheiro público, em função da falta de manutenção do prédio e dos geradores. Terão de construir quase que um prédio novo para abrir a UPA”, disse.

Para evitar o vandalismo e a invasão do prédio com 2.502,67 m² de área construída, a prefeitura tem contrato com uma empresa para manter um vigilante. Mensalmente, a administração pública gasta R$ 29 mil com segurança - 24 horas de vigilância eletrônica e 12 horas de vigilância humana diariamente.

O andar térreo é o mais deteriorado. Além do reboco caindo, das portas inchadas, dos mofos e das infiltrações, a estrutura tem vidros quebrados e o forro está despencando. Em um dos corredores, uma luminária está pendurada pela fiação. Em outra sala, dezenas de móveis novos estão mofando sem o devido uso. A unidade ainda tem dois elevadores instalados.

Situação do imóvel evidencia o desperdício do dinheiro público - Daniel Queiroz/ND
Situação do imóvel evidencia o desperdício do dinheiro público - Daniel Queiroz/ND


Moradores recorrem ao Hospital Florianópolis

O representante comercial Kléber Silva Santos, 51 anos, reside a 200 metros da UPA do Continente. Na semana passada, teve um problema de saúde. Ele poderia ter buscado atendimento ao lado de casa, mas precisou se deslocar até o Hospital Florianópolis.

Ao lado da mulher Lilian Gomes Gonçalves, 40, Santos lamenta o “elefante branco ao lado de casa”. “Não tenho plano de saúde e dependo do atendimento do SUS. Construíram um prédio enorme e na hora de ocupar não havia dinheiro. Agora, terão de gastar mais para reformar. O problema é que somos nós quem pagamos os prejuízos”, criticou.

Inauguração marcada para dezembro

Por meio da assessoria de imprensa, a Secretaria de Saúde da Capital informou que nas próximas semanas será lançado o edital para licitação da empresa que fará as obras necessárias no prédio. O edital recebe os últimos ajustes para então ser publicado. A previsão é de que a UPA do Continente seja inaugurada em dezembro deste ano. A reforma será feita com recursos próprios da prefeitura, que já estão garantidos.

Segundo a assessoria, a prefeitura precisou fazer uma atualização completa do projeto e para isso contratou um profissional perito para verificar a estrutura do prédio. Além disso, também contratou uma empresa para executar os projetos complementares, que incluem acessibilidade, revisão da parte hidráulica, elétrica e cabeamento lógico. Também será preciso trocar o telhado, corrigir fissuras nas paredes, gesso e teto que foram danificados pela infiltração, além de fazer a estrutura para instalação dos aparelhos de ar condicionado. A estimativa é que sejam investidos R$ 2 milhões para a recuperação da estrutura física.

A unidade também vai abrigar o Caps (Centro de Atendimento Psicossocial), que terá 12 leitos para internação. A UPA terá um corpo técnico de 160 profissionais.

Vizinho da obra, Rui Brito entrou no prédio e viu a deteriorização dos móveis - Daniel Queiroz/ND
Vizinho da obra, Rui Brito entrou no prédio e viu a deteriorização dos móveis - Daniel Queiroz/ND


Os valores

Obra da UPA do Continente começou em agosto de 2010 e teve R$ 1,960 milhão de recursos do Ministério da Saúde

Em 2013, a construção aparentemente foi concluída pelo valor total de R$ 3,998 milhões

Em 2014, a prefeitura resolveu fazer uma reforma e gastou mais R$ 168.415,00

Atualmente, a prefeitura estima gastar mais R$ 2 milhões com mais uma reforma.

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