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Terça-Feira, 13 de Novembro de 2018
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Com espetáculos e homenagens, Escola do Teatro Bolshoi comemora seus 15 anos em Joinville

Implantação do projeto na cidade, em 2000, impulsionou Festival de Dança e estimulou a formação de bailarinos

João Batista (JB)
Joinville
Germano Rorato/ND
Aluna da primeira turma da escola em Joinville, Karine de Matos já participou de turnês internacionais

A arte como missão, a educação como princípio e a dança como reverência. Os pilares da história da Escola do Teatro Bolshoi no Brasil têm na leveza do balé, no rigor do método e no alcance social suas principais forças. Experiências e potenciais que se renovam a cada turma de bailarinos da instituição que, neste 15 de março, soma 15 anos de vivências e aprendizados escritos com delicadeza de movimentos, mas não com menos esforço e ímpeto, na linha do tempo.

Dois espetáculos clássicos, “O Quebra-Nozes”, no domingo (15), e “Don Quixote”, na segunda (16), vão celebrar o rito de passagem para um novo ciclo da escola, que terá o contrato com o teatro russo renovado por mais cinco anos. Serão quase 200 dançarinos no palco do Centreventos Cau Hansen, entre solistas do Bolshoi de Moscou, integrantes da Cia. Jovem e ex-alunos formados pela escola em Joinville.  As apresentações reafirmam o elo cultural entre Brasil e Rússia, tal como a alma se liga com o corpo pelo movimento e o artista se conecta ao público pelo sublime da arte.

Desde 2000, cerca de dois mil alunos passaram pela escola do Teatro Bolshoi na cidade. O alcance vai muito além do município. A instituição já recebeu estudantes de 21 Estados do Brasil, além dos vindos de países como Paraguai, Uruguai, Argentina, Colômbia e Bolívia. Joinville ainda comemora a formação de 227 alunos, dos quais 150 atuam no mercado em diversas companhias, e 35 deles em grupos do exterior. As turmas atuais somam 254 novos bailarinos em formação. Os números, além da história, são motivos de festa, conforme avalia o presidente da escola, Valdir Steglich.

“Quinze anos de escola representa um momento importante para a dança no Brasil e em Joinville, porque a escola está se consolidando como uma instituição formadora de grandes talentos”, disse, destacando o percentual de quase 70% dos alunos formados vivendo especificamente da dança. Outro ponto a ser celebrado é a renovação de contrato. A renovação sempre variou entre três e quatro anos, mas, desta vez, foi ampliada para cinco.

“Isso mostra que nós estamos fazendo o dever de casa e os compromissos estão sendo cumpridos. Acho que nós estamos alcançando um nível de excelência, e quando a gente alcança a excelência, a gente não pode parar. Temos que inovar cada vez mais para que gente possa progredir e manter a escola aqui no Brasil”, completou.

Histórias em comum

A Escola do Teatro Bolshoi em Joinville tem uma trajetória que se cruza e que hoje se confunde com a história da bailarina Karine de Matos, integrante da Cia. Jovem Bolshoi Brasil. A dançarina joinvilense de 23 anos iniciou sua formação junto com a chegada da escola em Joinville. Os 15 anos da instituição são os mesmos 15 anos de dedicação da bailarina à dança. “O Bolshoi é minha segunda família. Passei e ainda passo a maior parte do tempo aqui”, comenta.

O currículo da jovem dançarina é repleto de experiências. Karine foi solista em balés marcantes como “Don Quixote” e “Chopiniana”, e atuou com ícones da dança mundial como Natália Osipova, Elena Andrienko e Ivan Vassiliev. Em 2012, trabalhou como professora da Escola Bolshoi. Participou de quatro turnês internacionais pela Rússia, Ucrânia e Cazaquistão como convidada. “Para mim é um orgulho comemorar esse aniversário junto”, confessa a dançarina, que vai atuar nos dois espetáculos de 15 anos da escola.

Impulso para o Festival

As tratativas finais para implantação da única escola do Teatro Bolshoi fora da Rússia se deram a partir da 17ª edição do Festival de Dança de Joinville, em 1999, quando a entidade russa assinou protocolo de intenções com o município. No ano seguinte, o projeto já era realidade em Joinville. Para o prefeito Udo Döhler, a chegada da escola representou uma nova fase para o próprio festival e impulsionou a difusão da dança na cidade.

“A escola se constituiu num centro de estímulo ao nosso festival, e isso acabou fazendo com que a dança e o balé se irradiassem para as nossas unidades escolares. O Bolshoi também colocou Joinville numa agenda internacional”, destacou. Udo ainda ressaltou a importância da formação, beneficiando centenas de jovens. “Os primeiros anos foram trabalhosos porque foram anos de formação. Agora não, nós já temos bailarinos que estão aí pelo mundo afora e em condições de apresentar espetáculos”.

O presidente do Instituto Festival de Dança de Joinvile, Ely Diniz da Silva Filho, lembra que a escola do Bolshoi veio para a cidade em função do próprio festival. “Isso representou, para o festival e para a dança de Joinville, um crescimento fantástico porque trouxe toda a qualidade, a técnica e toda a fama de uma escola como o Bolshoi para cá”, disse. Diniz considera que as duas instituições mantêm uma relação estreita cujo objetivo é voltado para o crescimento da dança. “Foi uma soma muito feliz entre o maior evento de dança do mundo e uma das principais escolas de balé do mundo. Joinville só ganhou com isso”, completou.

Homenagens

Antes do espetáculo da noite deste domingo, a direção da escola Bolshoi presta homenagem ao senador Luiz Henrique da Silveira. Ele e o diretor do Teatro Bolshoi, Vladimir Vasiliev, são patronos fundadores da instituição em Joinville. O governador Raimundo Colombo também será homenageado devido ao apoio do Estado à escola durante esses 15 anos de atividades.

Mesmo idealizador do projeto, Luiz Henrique ressalta que hoje são os alunos, os bailarinos formados, os familiares, os professores e o público de quase um milhão de pessoas presente nos espetáculos que podem responder pelo sucesso do Bolshoi em Joinville. Além do impulso à dança, o senador lembra do aspecto social do projeto, que deu oportunidade para crianças carentes pisarem em grandes palcos do Brasil e do mundo.

“Esses quinze anos foram, realmente, de uma grande trajetória, enfrentando e superando todo tipo de dificuldade. Mesmo hoje, com o inegável êxito da escola, com todo o seu reconhecimento nacional e internacional, muita gente ainda não percebe a importância desse projeto, que não é só cultural, mas, sobretudo, educacional e social”, frisou. Segundo o senador, a presença da escola do Bolshoi deu esperança para que se possa superar o chamado “complexo de vira-lata” do brasileiro, atribuído por Nelson Rodrigues. “A cidade sem cultura é um mero depósito de gente, sem destino e sem futuro”, reforçou Luiz Henrique, numa de suas frases mais citadas. “Que venham mais quinze anos, com a escola de pé e dançando!”

Sonho

Apesar dos 15 anos e da inegável importância, a escola do Bolshoi trava continuamente um desafio longe dos palcos para garantir os recursos necessários à manutenção das atividades. As prioridades têm adiado um sonho que nasceu naturalmente ao longo dos anos: a construção de uma sede para a instituição. A diretoria busca investidores para o projeto – assinado pelo arquiteto Oscar Niemeyer – , ainda sem prazo para sair do papel.

“A construção é um sonho, mas para sair do papel é difícil. Em primeiro lugar, temos que manter e dar qualidade para a escola”, observou Valdir Steglich. O presidente considera que uma sede moderna estaria condizente com a instituição e teria o potencial de se tornar um ponto turístico para a cidade. No entanto, Steglich avalia que o projeto precisa ser sustentável para não comprometer os trabalhos já consolidados. “Seria o ideal, mas eu vejo isso ainda muito longe hoje”.

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