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Sexta-Feira, 16 de Novembro de 2018
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Com dificuldades na fala, professor de Florianópolis cria crowdfunding para poder dar aulas

Thiago Evangelista formou-se em geografia em dezembro e agora tenta comprar um dispositivo que permitirá melhor comunicação com os alunos

Rafael Thomé
Florianópolis

Conversar, expor ideias e se comunicar com os outros faz parte da natureza humana e é uma das primeiras coisas que se aprende na vida. Mas não é assim para todos. O professor de geografia Thiago Evangelista teve a fala e os movimentos do corpo comprometidos no seu nascimento, dificultando a comunicação mesmo com as pessoas mais próximas. Apesar dos obstáculos, Evangelista frequentou a escola como boa parte das crianças e, aos 30 anos, realizou o sonho de se formar em um curso superior de Geografia. Agora, seu desafio é encontrar maneiras para conseguir dar aulas e se fazer entendido pelos alunos.

Divulgação/Facebook/ND
Thiago em sua formatura, em dezembro de 2016

 

Com um plano chamado ‘Projeto Professor Thiago’, a família dele criou uma campanha de crowdfunding no Catarse a fim de angariar fundos para a compra de um dispositivo eletrônico portátil que rastreia o movimento ocular e permite que o usuário utilize qualquer computador apenas com os olhos. “Esse equipamento vai dar independência para ele, mas é um sistema muito sofisticado e caro, de tecnologia sueca”, explica a mãe de Thiago, Rosane. “Com ele, o Thiago vai poder conversar inclusive com quem não conhece sua atual forma de comunicação, além de permitir que o mundo da internet se abra para ele”, completa.

Hoje, o professor de geografia utiliza uma placa de comunicação para conversar com amigos e familiares, onde ele pode indicar com os olhos as letras e palavras que deseja. Para adquirir o novo equipamento, a família começou a campanha no Catarse, com a meta de arrecadar R$ 31.640. A mobilização acontece até o dia 2 de agosto, e até a tarde desta sexta-feira (17) foram doados mais de R$ 10 mil.

Com o equipamento em mãos, Thiago poderá realizar o sonho de dar aulas, apesar de ter experimentado a sensação algumas vezes. “Quando estava na faculdade, ele fez dois estágios em centros de educação para jovens e adultos. Antes de dar a aula, ele precisa explicar como é seu método de comunicação. Assim, metade da aula acaba sendo sobre o modo de comunicação dele, até porque as pessoas sempre têm muitas perguntas”, conta Rosane.

Segundo a mãe do professor, depois de adquirido o equipamento novo, a proposta é seguir a mesma linha de ensinamento. “É muito interessante, porque desmistifica a questão da comunicação. É como se fosse uma aula avulsa de geografia com esse toque de comunicação. Ele escolheu trabalhar a relação entre clima e vegetação, então ajudamos ele a preparar uma apresentação em Power Point. Sou suspeita para falar, mas é muito legal o que ele faz”, afirma Rosane.

 

Do nascimento à graduação

Todo o desenvolvimento da comunicação de Thiago foi feito por ele mesmo, ainda criança. “Foi ele que ensinou para a gente como se comunicar, apontando com os olhos o que ele queria dizer. Ele foi insistente e nós prestamos atenção no que ele queria dizer”, conta a mãe, Rosane.

Até os sete anos de idade, era assim que Thiago se comunicava, mas muita coisa mudou depois que ele aprendeu a ler e a usar as palavras escritas para se comunicar. “Dali para frente ele abriu um mundo novo, como é para as outras crianças também: o contato com a realidade a partir da leitura”, relata Rosane.

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