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Cientistas políticos repercutem entrevista do ex-governador Jorge Konder Bornhausen

Em entrevista ao Notícias do Dia do fim de semana, o político disse que a eleição será movida "pela emoção"

Redação ND
FLORIANOPOLIS
23/09/2018 às 21H56

O cenário político eleitoral nacional preocupa eleitores, candidatos e experientes lideranças políticas. Em entrevista na coluna Ponto & Contraponto, do jornalista Altair Magagnin no último fim de semana, o ex-governador e ex-senador Jorge Konder Bornhausen expôs sua visão ao definir o atual momento do processo eleitoral de 2018 como “eleição movida pela comoção” e afirmou temer uma eleição “fora dos processos normais” no segundo turno, pontuada pela divisão PT e anti-PT.     

O cientista político Sergio Saturnino entende que a “comoção” citada por Borhausen é um comportamento presente em todas as eleições, já que o lado passional do eleitor tende a se manifestar mais do que o racional. “O eleitor enxerga o seu candidato como símbolo e o defende, mas sem um olhar mais atento para o programa de governo”, explica.

Saturnino destaca ainda que basta verificar o passado recente da história político-eleitoral do país para entender o "jogo maniqueísta" presente a cada processo eleitoral. “Na eleição passada, o Brasil já esteve dividido, vide os votos das regiões Sul e Sudeste e as demais regiões. Neste ano, o ser PT ou ser anti-PT deve se repetir”, relembra.  

O cientista político Bruno Soller, do instituto Real Time Big Data, ressalta que o cenário eleitoral dividido entre Lulismo e anti-Lulismo se repete desde 2006. Até então, quem ocupava o posto de anti-PT era o PSDB, mas nestas eleições, Jair Bolsonaro (PSL), com discurso contra petistas e também anti-sistema, captou boa parte do eleitorado que sempre votou contra o PT. “O perfil do eleitor que vota hoje em Bolsonaro é o mesmo de quem optava pelo PSDB nas últimas eleições. Renda alta, escolaridade maior, moradores do Centro-oeste até o Sul, de idade intermediária”, diz ele.

Jorge Konder Bornhausen - Flávio Tin
Jorge Konder Bornhausen - Flávio Tin

Com centro dividido, segundo turno está encaminhado

Com um centro dissolvido em várias candidaturas, Bruno acredita que o cenário Bolsonaro x Fernando Haddad (PT) deve se manter para o segundo turno e, na hora de decidir o próximo presidente do Brasil, o percentual de rejeição será fundamental. “Vai ser uma votação apertada, como foi a última. Será um segundo turno bem radicalizado. O medo que se tem de ambos candidatos é o risco à democracia”, afirma Bruno. 

Para o cientista político Sergio Saturnino o fato de os três principais candidatos não passarem dos 25% de intenção de votos, de acordo com as últimas pesquisas, revela falta de legitimidade para o futuro presidente, assim como a existência do grande número de indecisos (35%). “Os eleitores estão desiludidos e essa falta de legitimidade é um efeito político do quanto o eleitor brasileiro foi deixado de lado”, justifica.

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