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Cercamento do Campo de Aviação do Campeche, tradicional área de lazer, preocupa moradores

Espaço terá o acesso de veículos fechado para evitar o descarte de lixo e entulho, além de invasões e tráfico de drogas

Michael Gonçalves
Florianópolis
06/08/2018 às 21H48

Perplexo com os mourões colocados pelos militares da Base Aérea de Florianópolis na manhã desta segunda-feira (6), com o objetivo de cercar o Campo de Aviação, no bairro Campeche, o aposentado Lenildo Pires, 63 anos, parou para lembrar os momentos de diversão vivenciados nas últimas seis décadas no terreno de propriedade da União. Após a derrubada pelo TRF4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) do embargo da obra determinado pela Justiça Federal catarinense, o Comaer (Comando da Aeronáutica) delimitou a área com a justificativa de evitar atos ilícitos, como descarte de lixo e de entulho, invasões e usuários de drogas. “Nosso objetivo é de apenas delimitar a área e impedir o acesso de veículos e, não, da comunidade”, afirmou o capitão Lima, que coordenou a operação. Apesar da cerca, a população terá acesso ao terreno de 353 mil m² por pequenas passagens.

Denise Damiani “testa” uma das pequenas passagens que permanecerão abertas aos moradores - Daniel Queiroz/ND
Denise Damiani “testa” uma das pequenas passagens que permanecerão abertas aos moradores - Daniel Queiroz/ND


No dia 21 de junho, a Base Aérea abriu duas crateras, derrubou algumas árvores e, com isso, destruiu um campo de futebol construído na década de 1960. “Tenho lembranças de frequentar o Campo de Aviação desde criança e, infelizmente, parece que a minha neta não terá a mesma oportunidade. Fomos nós que construímos o campo de futebol e demos o nome de Apolo 11, porque os Estados Unidos estavam lançando uma missão espacial com esse nome, em 1969”, lembrou Pires.

Após a abertura das crateras, a Amocam (Associação dos Moradores do Campeche) fez a denúncia ao MPF (Ministério Público Federal), que entrou com pedido de suspensão da obra. A solicitação foi amparada pelo juiz Marcelo Krás Borges, da 6ª Vara Federal de Florianópolis, e derrubada pela desembargadora Vânia Hack de Almeida, do TRF4, em Porto Alegre (RS), a pedido da AGU (Advocacia-Geral da União).

O presidente da Amocam, Alencar Deck, cobra um posicionamento do município. “Isso é uma vergonha e um desrespeito com uma comunidade. O Ipuf [Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis] e o Sephan [Serviço de Patrimônio Histórico] já se mostraram contra essa intervenção, mas não vemos nenhuma palavra e nenhuma posição do município”, informou a associação em nota. As valas também começaram a ser fechadas na tarde desta segunda-feira.

Comunidade cobra área de lazer, além da praia

A movimentação de militares no Campo de Aviação chamou a atenção de dezenas de moradores. A aposentada Denise Damiani, 56 anos, lembra que a comunidade precisa de uma área de lazer, não apenas à beira-mar. “A única área disponível no Campeche, que é supervalorizada, desperta a atenção de muita gente. O problema é que a comunidade precisa de uma área de lazer, diferente da praia, onde crianças, jovens e adultos possam brincar e realizar as suas atividades físicas e culturais”, disse.

Base Aérea mantém parcerias com entidades públicas

Por nota, o Comaer informou que o Campo de Aviação do Campeche é uma área composta por três terrenos distintos, e um deles, a faixa central do terreno, está sob controle legal do Comaer. Diz ainda que a comunidade não está impedida de utilizar o terreno, pois a Base Aérea propicia o uso da área federal e mantém parcerias com entidades públicas. “Essas entidades públicas utilizam e colaboram para manutenção do local, além de receberem jovens do bairro para práticas esportivas, como futebol, softbol e rúgbi”, diz a nota.

O Comaer também ressaltou que toda atividade de clubes, associações e grupos de natureza jurídica precisam receber a autorização de uso. “Os particulares, desde que respeitem a propriedade, solicitem autorização de uso e adotem práticas cidadãs, poderão fazer uso da área”, informa.

Sobre a denúncia da Amocam, o Comaer diz que o TRF4 autorizou a execução de cercamento do terreno, dentro de um projeto de cerca viva, com o plantio de plantas nativas da região. “Assim que a ordem for reestabelecida, a intenção da Base Aérea de Florianópolis é retomar as parcerias com entidades interessadas em promover o uso coordenado e coerente do espaço”, finaliza a nota.

Por meio de nota da assessoria de imprensa, a Prefeitura de Florianópolis informou que “não é ente competente nessa questão, que já teve decisão favorável às Forças Armadas no TRF4”.

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