Publicidade
Quarta-Feira, 21 de Novembro de 2018
Descrição do tempo
  • 26º C
  • 17º C

Ajuda canina no dia a dia de quem precisa

Cães-guia e cinoterapia (terapia com cães) transformam a vida de várias pessoas em Joinville

Rosana Rosar
Joinville

Ter um cão-guia é um sonho de Luana Mendes, 8 anos, que poderá se tornar realidade somente depois que completar 18 anos. Mesmo sem ter idade para se candidatar para cuidar de um dos animais treinados pelo Centro de Formação de Treinadores e Instrutores de Cães-guia, localizado em Camboriú, na sexta (21) ela foi a Ajidevi (Associação Joinvilense para a Integração do Deficiente Visual) conhecer melhor o Projeto Cães-guia. Coordenada pelo IFC (Instituto Federal Catarinense) de Camboriú a iniciativa deverá entregar seis cães treinados para cegos em setembro.

 

Luciano Moraes/ND
Luana não desgrudou de Tango durante as atividades na Ajidevi

 

 

Desde fevereiro de 2013 sete alunos da pós-graduação treinam 48 animais das raças Golden Retriever, labrador e Flat-Coated Retriever. Nem todos se tornarão cães guias ao final do treinamento – que leva em média dois anos – mas a expectativa é de que 25 deles tenham condições para auxiliarem pessoas cegas a se guiarem e se protegerem quando saírem de casa. “Quando eu crescer eu vou andar sempre com um. Eles são tão lindos, tão macios. Se pudessem escolher criança eu ia querer ter um já”, comentou Luana depois de brincar com Tango, um golden de um ano e quatro meses.

A mãe, a dona de casa Sandra Tromm, 42, contou que a menina é tão apaixonada por cachorros que a família já tem dois em casa. Para ela, um cão-guia, no futuro, poderá trazer ainda mais segurança à filha. “A bengala traz muito o olhar de pena. O cão guia não. Ele ajuda na socialização”, avaliou.  Diagnosticada com retinoblastoma – tumor maligno – nos dois olhos Luana precisou, com apenas três anos de idade, lutar contra a doença. “Para a família foi muito assustador isso tudo, mas hoje vemos que ela é uma criança saudável inserida em todo o contexto social. É alfabetizada, vai à escola, e está na terceira série”, orgulhou-se Sandra.

Cães-guia no Brasil

O projeto do Governo Federal iniciado no IFC (Instituto Federal Catarinense) Camboriú deve ser levado para Goiás, Espírito Santo, Minas Gerais, Sergipe, Ceará e Amazonas, estados de onde são os estudantes que se transformarão em instrutores de cães-guia. Essa capacitação, segundo a coordenadora do curso catarinense, Márcia Santos de Souza, é uma forma de tentar ampliar o uso dos cães-guia no Brasil. Hoje, há apenas 70 cães treinados no País. Não se tem estatísticas sobre Santa Catarina e, em Joinville, não há nenhum cão guia.

“Um cão desse custa em média R$ 30 mil e muitas vezes tem que vir do exterior. Hoje, quem for escolhido para ter um cão guia treinado pelo IFC terá que assumir apenas o custo mínimo mensal de R$ 150 para alimentação e algum remédio”, informou Márcia. Dentre os critérios de escolha para escolher quem ficará com os animais estão a orientação e mobilidade do cego e seu nível de afetividade e da família com cachorros. “Eles (cães) podem trabalhar oito anos e depois devem se aposentar”, detalhou.

Dentre as vantagens apontadas pela profissional para se ter um cão guia estão a redução do tempo para realização das tarefas e inserção social. “O que uma pessoa faz com uma bengala outra com um cão guia faz em um terço do tempo. Ela ganha mobilidade, liberdade e segurança e tem chance de fazer mais amigos”, reforçou. Para o presidente da Ajidevi (Associação Joinvilense para a Integração do Deficiente Visual), Paulo Sérgio Suldovski, a palestra IFC foi positiva. “Hoje nós só oferecemos a bengala, o cão guia é mais um meio de independência para se locomover e melhorar a qualidade de vida. É uma ótima iniciativa”, opinou.

Cães encantam crianças

A presença dos goldens Tango, de um ano e quatro meses, e das irmãs Esperança e Elektra, com um ano e dois meses, encantaram quem esteve na Ajidevi (Associação Joinvilense para a Integração do Deficiente Visual) na manhã de sexta (21). Muitos quiseram tocar e brincar com os bichanos. A pequena Milena Liba Fróes, 4 anos, que tem autismo e deficiência visual, brincou muito com os três, sob os olhares da mãe, a dona de casa Margarete Liba Fróes, 40.

Milena freqüenta a Ajidevi porque teve catarata assim que nasceu, operou os dois olhos, e atualmente precisa de lentes com 16 graus em cada lado do seu óculos rosa. “Ela não precisa de um cão-guia, mas é bom conhecer o projeto para poder indicar para as pessoas que a gente conhece”, comentou Margarete. Professor de informática do IFC há 15 anos Carlos Eduardo Rebello, 53, voltou a ser estudante em fevereiro do ano passado.

Quando concluir o curso do Centro de Formação de Treinadores e Instrutores de Cães-guia ele deverá ser o professor das novas turmas de Camboriú. “Quando soube do curso tentei convencer um amigo meu, ele desistiu e eu acabei me matriculando. Gosto muito. Acho que é uma questão de fazer a diferença”, pontuou. Atualmente, Rebello é responsável pela socialização dos goldens Tango e Júpiter. “Ambos moram na minha casa. Eu cuido do Tango e minha esposa do Júpiter”, completou. 

Projeto Cão Caju

Na Escola Municipal Valentin João da Rocha, no bairro Vila Nova, na zona Oeste de Joinville, a cinoterapia (terapia com cães) tem ajudado a melhorar a vida de 20 alunos de 30 escolas da rede municipal de ensino. Nas sextas, de 15 em 15 dias os estudantes com idade de 5 a 14 anos recebem Caju, o cão do coordenador do Proerd (Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência) em Joinville, o soldado Rolf Wolfgang Hendel.

 

Rogério Souza Jr./ND
Soldado Rolf levou seu amigo Caju para interagir com os alunos na Escola Municipal Valentin João da Rocha, no Vila Nova

 

Nas visitas ele auxilia as crianças e adolescentes no desenvolvimento da coordenação motora e mental. “Tinha gente com medo de cachorro que já perdeu o medo. A cinoterapia ajuda no autocontrole”, detalhou. Criado no começo do ano e executado pela primeira vez há duas semanas o projeto é uma parceria da equipe interdisciplinar da escola e da Polícia Militar. “Somos eu, uma psicóloga, uma terapeuta e uma fonoaudióloga”, contou Geisa Hendel, professora da sala de recursos.

Divididos em duas turmas os alunos se envolvem com as atividades e brincadeiras com Caju, coordenadas pelo soldado Hendel. “Temos deficientes visuais, auditivos, autistas e com diversas síndromes. Tem criança que não consegue se concentrar e o projeto auxilia nisso”, reiterou. Isabele dos Santos, 12 anos, é uma das mais ativas durante as aulas. “Eu gostei muito de dar comida, de ver ele (Cajú) pulando os canos e de brincar”, comentou no final da segunda aula do Projeto Cão Caju.

 

Saiba mais:

Projeto Cães-guia

Quem tiver interesse em fazer o curso no Centro de Formação de Treinadores e Instrutores de Cães-guia, ser uma família socializadora, receber um cão-guia ou adotar um cão que não poderá ser guia, deve enviar email para projetocaoguia@ifc-camboriu.edu.br ou ligar para os telefones (47) 2101-0800 e (47) 8416-9323.

Ajidevi

Os atendimentos aos cegos são gratuitos e ocorrem de segunda à sexta, das 8h às 12h, e das 13h30 às 17h. A sede fica localizada na rua Jornalista Hilário Müller, 276, no Floresta. Os telefones de contato são 47/3436-3126 e 47/3454-8542.

Publicidade

0 Comentários

Publicidade
Publicidade