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Sexta-Feira, 21 de Setembro de 2018
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Balé do Teatro Guaíra emociona o público em Joinville com a história clássica da Cinderela

Companhia paranaense vive momento de dificuldade e, apesar disso, encantou o público com a história da gata borralheira em versão contemporânea

Adrieli Evarini
Joinville

As cortinas se abriram na escuridão do Centreventos Cau Hansen após uma grande salva de palmas para o Balé Teatro Guaíra. Os bailarinos que subiram ao palco do maior Festival de Dança do mundo vivem uma incerteza, mas na ponta dos pés e ao olhar do público que lotou a apresentação da Noite de Gala, eles estavam, na noite desta segunda-feira (25), ainda mais inspirados do que nos quase 50 anos de história da companhia. “É emblemático estar aqui, em uma Noite de Gala, para esse público, no maior festival do mundo. Os bailarinos transformam isso tudo em arte”, destacou ainda antes da apresentação, a diretora Cintia Napoli.

Carlos Junior/ND
Balé do Teatro Guaíra, de Curitiba coreografou a história da Cinderela e emocionou o Centreventos

 

E a transformação do momento difícil que vive a companhia em força e arte emocionou o público do Festival de Dança de Joinville. A apresentação da história clássica de Cinderela, a gata borralheira ressurgindo de forma contemporânea e com os olhos voltados para as décadas de 1950 e 1960 encantou a noite do público e dos próprios bailarinos que a qualquer momento podem não carregar mais o nome do Balé Teatro Guaíra.

No palco, a história do reencontro do príncipe encantado com a cinderela graças a um imenso baile em um castelo e um sapato de cristal se transformou em uma festa com um playboy milionário, um conversível e um anúncio na televisão. A magia e a paixão estavam na ponta dos pés dos bailarinos e no coração de cada um dos profissionais envolvidos em uma superprodução que fundiu a tradição da história com a contemporaneidade da coreografia criada pelo espanhol Gustavo Ramirez Sansano.

A tradicional e premiada companhia Balé Teatro Guaíra enriqueceu ainda mais o 34º Festival de Dança e soma apresentações no evento desde a sua primeira participação ainda na década de 1980. Para a diretora, pisar mais uma vez no palco que respira dança em um momento de incerteza traz mais força aos bailarinos que lutam pela cultura e arte de uma das principais companhias de dança do país.

Quando as luzes se apagaram e o silêncio tomou conta do Centreventos, a expectativa era por uma apresentação digna de toda a história do Balé. Ao acender das luzes antes mesmo de as cortinas se abrirem e com as palmas iniciadas antes mesmo de a apresentação começar, não era só um espetáculo de peso que estava sendo aplaudido, mas a força dos bailarinos em brilhar, mesmo sabendo que amanhã, a companhia pode não mais existir. Assim como os contos de fadas, o que Cintia espera é que, no fim, o final seja emocionante e feliz, assim como foi a noite de segunda-feira no Festival de Dança de Joinville. A emoção foi ainda maior quando, ao final da apresentação do espetáculo, a companhia leu para o público um manifesto explicando a situação atual do Balé Teatro Guaíra. “Respeitamos nosso público e isso ainda é um manifesto, um sinal de alerta”, disse Cintia.

Problemas financeiros e administrativos podem colocar fim ao Balé Teatro Guaíra

Acostumados a pisar em palcos consagrados, a ter apresentações e bailarinos premiados, o Balé Teatro Guaíra, com quase meio século de existência e fomento à arte pode acabar.

O problema já é antigo e diz respeito a questões trabalhistas, administrativas e financeiras. De acordo com a diretora da companhia, Cintia Napoli, 22 bailarinos da companhia ocupavam um cargo que foi considerado, no último dia 4 de julho, inconstitucional. Uma lei criada no governo Requião, chamada “Lei de Cargos Comissionados de Natureza Artística”, abrigou em cargos comissionados bailarinos, músicos e alguns cargos administrativos e técnicos. Porém, cargos comissionados são exclusivos para funções de chefia, gerência e assessoramento e, dessa maneira, após um longo período na Justiça, eles foram oficialmente declarados inconstitucionais.

A diretoria do Teatro Guaíra, ciente da situação, procurou uma solução e ela veio em forma de SSAs (Serviços Sociais Autônomos). Nasceu então, o PalcoParaná criado no segundo semestre de 2014, que tem uma dotação de verba muito reduzida em relação aos valores que já são trabalhados pela companhia. Atualmente, é necessário que uma negociação entre Executivo, Judiciário e Ministério Público cheguem a um bom termo para que o PalcoParaná possa, de fato existir e suprir as necessidades de uma das mais tradicionais companhias de dança do país.

Para a diretora, a situação é preocupante e o momento é de aflição e angústia. “Não tem como separar a vida da arte, os bailarinos estão sofrendo, mas transformando isso em força para mostrar o que sabem fazer: arte”, enfatiza. Cintia acrescenta ainda que deixar que o Balé Teatro Guaíra encerre as atividades é um prejuízo para bailarinos, mas também para toda a sociedade. “Eu espero muito que a gente não tenha que fazer nada além de dançar”, conclui.

 

Confira a galeria de imagens do fotógrafo Carlos Junior, do Notícias do Dia:

 

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