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Domingo, 16 de Dezembro de 2018
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Bairros da zona Leste de Joinville revelam contrastes do crescimento urbano das últimas décadas

Regiões do Aventureiro e Espinheiros, formadas sobre manguezais, passaram por grande adensamento populacional a partir dos anos 1990

João Batista (JB)
Joinville
REPRODUÇÃO/ARQUIVO HISTÓRICO/ND
Vista do bairro Aventureiro a partir rua Érico Heraus nos anos 90

 

MAURO ARTUR SCHLIECK/ND
Mais de 20 anos depois, do mesmo ponto da rua Érico Heraus, a vista mostra o adensamento populacional do bairro Aventureiro

 

Nos últimos dez anos, o avanço populacional de Joinville seguiu em direção à zona Leste, conforme dados do Ippuj (Fundação Instituto de Pesquisa e Planejamento para o Desenvolvimento Sustentável de Joinville). O movimento colocou os bairros Aventureiro, Espinheiros e Comasa entre os principais núcleos urbanos mais adensados da cidade, resultado da onda de imigração ocorrida em décadas anteriores, com pessoas vindas principalmente do interior de Santa Catarina e do Paraná.

Hoje o Aventureiro é o bairro mais populoso de Joinville, com 37.058 habitantes, quase o dobro do que era registrado em 1991. Já o Espinheiros, apesar de pequeno atualmente em função da separação de áreas que antes pertenciam ao Boa Vista, conta com 8.851 moradores. No entanto, se considerarmos a população do Comasa, que integrava a região do Espinheiros, o número chega a quase 30 mil habitantes na mesma área.

O boom demográfico refletiu em problemas imediatos de infraestrutura. A região ocupada, de manguezais, não tinha as mínimas condições de moradia. A proximidade com as indústrias, principalmente da Tupy, estimulava a chegada e a fixação das famílias na região. Antes da urbanização, os moradores conviveram não só com caranguejos, mas ainda com muita lama, alagamentos, esgotos a céu aberto, falta de água e energia elétrica.

No Espinheiros, as casas de palafitas dominaram o cenário por muitos anos, até as áreas serem aterradas e ganharem uma infraestrutura mínima. O acesso aos barracos era por passarelas improvisadas de madeira. No Aventureiro, o mangue também ia sendo ocupado, com a criação de loteamentos que formaram um dos principais bairros da cidade.

As mudanças que essas regiões passaram estão evidenciadas no contraste entre imagens atuais e fotos antigas, resgatadas pelo ND no Arquivo Histórico de Joinville e junto a moradores. Colocadas, agora, juntas, é possível perceber o desenvolvimento ao longo das décadas, evolução que passa despercebida no dia a dia.

 

 

REPRODUÇÃO/ARQUIVO HISTÓRICO/ND
A casa branca, em alvenaria, ao fundo, na rua Tuiuti, é a Sociedade Aventureiro, de quem o bairro herdou o nome

 

MAURO ARTUR SCHLIECK/ND
Hoje asfaltada, a rua Tuiuti tornou-se uma das principais do bairro, com comércio e linha de ônibus. Lá no fundo, em azul, a mesma sociedade Aventureiro, também repaginada

 

 

Crescimento a perder de vista

Com nome emprestado do Aventureiro Esporte Clube, clube fundado em 1951, o bairro homônimo foi criado por lei em 1987. Entre o fim dos anos 1980 e início dos 1990, a região recebeu a principal onda migratória. O bairro, que antes terminava no campo do Aventureiro, na rua Tuiuti, se expandiu rapidamente em direção à Baía da Babitonga, com loteamentos como o Jardim Francielle, Santa Bárbara e Parque Joinville.

Moradora há 18 anos na região, Priscila Colzani, 42 anos, viveu as últimas mudanças no bairro. Ela leva em conta a presença de lojas, agências bancárias, supermercados e serviços que antes só existiam no vizinho Iririú ou no Centro. “Hoje a gente não precisa se deslocar mais para o Centro. O bairro tem praticamente tudo”, comentou. Por outro lado, o crescimento resultou num efeito colateral na mobilidade urbana. As filas de carros nas principais vias são cenas comuns. “Acho que o trânsito é a grande prioridade”, pontuou.

Para o operador de máquina João Marcos do Amaral, 30, a ciclovia e o asfalto na rua Tuiuti, que deu adeus aos paralelepípedos no início do ano, estão entre as últimas melhorias. “Eu ainda peguei a fase do calçamento, mas agora ficou muito bom”, avaliou ele, que faz um trajeto de quase seis quilômetros por dia de bicicleta até o trabalho. Amaral nasceu no bairro mas durante a adolescência morou em São Paulo, voltando depois, mas sem mudar de lugar. “Aqui é um bairro muito bom de se morar”.

 

MAURO ARTUR SCHLIECK/ND
Um outro ângulo do bairro, visto da rua Belém do Pará

 

Liderança comunitária

 

Uma das primeiras lideranças no bairro, João Rinaldi mora há 27 anos no Aventureiro. Ex-vereador, Rinaldi voltou à presidência da Associação de Moradores do Jardim Francielle em 2014 para continuar lutando pela região. Ele lembra que importantes reivindicações da comunidade foram atendidas nos últimos anos, com a construção do CEI (Centro de Educação Infantil) Namir Zattar, Escola Municipal Curt Alvino Monich e o PA (Pronto-atendimento) Leste.

O crescimento da região, no entanto, seguiu em descompasso com todas as necessidades. Pavimentação, segurança e saneamento básico são temas que ainda carecem de atenção. “Tivemos muitos avanços, mas precisamos de muito mais”, comentou. Para Rinaldi, as conquistas dependem do envolvimento da comunidade, que hoje já não é tão forte. “Antes tinha maior mobilização das pessoas. Hoje há uma certa descrença com o Poder Público”, avaliou.

Entre as novas cobranças para o bairro está a rede de esgoto, prevista no plano de expansão da Companhia Águas de Joinville. “A região está sendo muito prejudicada, principalmente porque tem muitos rios”, disse. De acordo com a companhia, a execução do projeto da Vertente Leste, que vai beneficiar também o Comasa e Iririú, deve começar em janeiro de 2016 para ser entregue em 2019.

 

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