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Segunda-Feira, 10 de Dezembro de 2018
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Atuação da Rede Feminina de Combate ao Câncer ajuda a salvar vidas em Joinville

Entidade disponibiliza acesso a exames preventivos gratuitos

Thaís Moreira de Mira
Joinville
Rogério Souza Jr/ND
Cecília Scolari (E) conseguiu realizar a cirurgia de reconstrução da mama com ajuda da Rede Feminina, que é dirigida por Monique Douat da Luz

 

Falta de recursos não é motivo para as mulheres deixarem de fazer anualmente, como recomendado pelos ginecologistas a partir da primeira menstruação, os exames preventivos de mama e colo de útero em Joinville. A Rede Feminina de Combate ao Câncer, fundada na cidade em 1980, oferece ambos os exames gratuitamente. “É só ligar e agendar um horário. As mulheres de baixa renda são superbem atendidas aqui, elas fazem exame de toque no seio, o papanicolau. Fazemos também a colposcopia (exame do colo do útero)”, detalha Monique Douat da Luz, atual presidente da rede e filha da fundadora, Maria José Douat.

De acordo com Monique, caso o médico da unidade verifique alguma anomalia durante os exames, ele retira uma amostra do tecido para biópsia. A amostra é encaminhada a um laboratório custeado pelo SUS (Sistema Único de Saúde). A Rede Feminina recebe o resultado em cerca de dez dias. Na pior das hipóteses, sendo a mulher diagnosticada com câncer de mama, por exemplo, a própria entidade a encaminha ao SUS para fazer a cirurgia de retirada do seio.

“A desculpa da falta de dinheiro não existe mais. Às vezes, quando o caso é grave, a Rede Feminina chega a pagar uma clínica particular para o tratamento da mulher com câncer”, enfatiza Monique. A presidente estima que em média 600 mulheres sejam atendidas por mês na entidade, para realizar os exames preventivos de útero e de mama. A cada duas usuárias, uma é diagnosticada com tumor no seio.

Infelizmente, expressiva parcela procura atendimento quando a doença já está em estágio avançado. “A maioria descobre a doença aqui, mas quando ela já está em estado avançado. Em toda Santa Catarina, só 15% das mulheres fazem os exames preventivos anualmente”, aponta. A presidente da Rede Feminina de Combate ao Câncer em Joinville ressalta que o diagnóstico precoce salva vidas.
Hoje, além de ginecologista, duas enfermeiras e duas técnicas de enfermagem pagas com recurso próprio da entidade – filantrópica e sem fins lucrativos –, a Rede também oferece às mulheres fisioterapia, acompanhamento psicológico e nutricional. Atualmente, 43 mulheres com câncer no útero ou na mama são assistidas no município.

Ajuda decisiva

Sancionada em 25 de abril de 2013, a lei 12.802 prevê que as mulheres vítimas de câncer de mama têm direito à reconstrução da glândula pelo SUS. Talvez se a norma já estivesse valendo em 2009, quando Cecília Scolari, 60, descobriu que tinha câncer, sua batalha para reparar o seio direito fosse menos árdua. Ela só conseguiu fazer a cirurgia há cerca de quatro meses e meio, depois de batalhar bastante por uma reunião com a Secretaria Municipal de Saúde em Joinville.

A presidente da Rede Feminina de Combate ao Câncer de Joinville, Monique Douat da Luz,  a acompanhou, junto com o cirurgião plástico da rede pública. “Nos reunimos na época com o secretário de Saúde Armando Dias Pereira Jr. O cirurgião disse para ele que não tinha local nem equipe para fazer a cirurgia e o secretário ligou para o Hospital São José ordenando que fosse reservada uma sala e equipe para a reconstrução do meu seio.”

A reconstrução foi feita com a gordura retirada da barriga da própria Cecília. Hoje, depois de esperar cinco anos pelo seio novo, ela brinca. “Tenho um seio novinho, estou pensando em arrumar o outro também.”

Apoio

A assessora contábil Andréia da Silva Batista, 42, descobriu o câncer na mama em 1999, aos 27 anos. Estava noiva e repleta de planos. “Eu estava no consultório, o médico me chamou e deu a notícia. Fiquei sem chão”, lembra.


Andréia estava completamente desesperada, até uma passagem rápida do seu irmão pelo shopping Cidade das Flores, onde a Rede Feminina de Combate ao Câncer havia montado um estande.
“Meu irmão disse para elas que eu estava desesperada. Elas conversaram comigo, orientaram-me sobre a doença, sai de lá tranquila, vi que não era o fim do mundo.”


Andréia então passou a frequentar o grupo de apoios às mulheres com câncer na entidade, acompanhada da mãe, Tarcísila de Almeida, 62. Até enquanto estava em recuperação no hospital, após a cirurgia para retirada do seio, a assessora contábil foi visitada pela voluntária Ismênia Mazzetti, 77.


“Sou voluntária há 18 anos. Às vezes, sofro com elas, mas não posso demonstrar”, revela Ismênia.
Com apoio das voluntárias da Rede Feminina, Andréia conseguiu superar a doença, que voltou a atormentá-la em 2003.


Na época, ela estava na segunda etapa do processo para reconstrução da mama. Totalmente recuperada, e contrariando as previsões médicas, a assessora contábil está casada e é mãe de uma menina de três anos.


Em 2007, foi a vez de Tarcísila descobrir que estava com a doença. “Eu não caí em desespero porque acompanhava ela (Andréia) no grupo de apoio. Este apoio foi maravilhoso, muito bom para mim”, revelou.

Mês de conscientização

O Outubro Rosa é uma campanha de conscientização internacional, com origem nos Estados Unidos. “O Outubro Rosa é o momento do ano mais importante para nós mostrarmos às mulheres como fazer a prevenção, conscientizá-las que é preciso ir ao médico”, diz Monique Douat da Luz, presidente da Rede Feminina de Combate ao Câncer de Joinville.

O Inca (Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva) estima que apenas neste ano surjam 57.120 novos casos de câncer de mama no país.

Em 2011, a doença matou 13.225 mulheres e 120 homens que, apesar de raros os casos, não estão imunes a este tipo de câncer. O Inca ainda chama atenção que no Brasil as taxas de mortalidade por câncer de mama continuam elevadas. O principal motivo é o diagnóstico tardio da doença.

“O câncer de mama vem aumentando muito entre as jovens, temos um caso aqui de uma menina de 19 anos diagnosticada com a doença. Cigarro, sedentarismo, estresse, início mais cedo da vida sexual, tudo contribui”, alerta Monique.

 

Exames oferecidos

São três os exames oferecidos gratuitamente na Rede Feminina de Combate ao Câncer em Joinville:o papanicolau, o de mama e a colposcopia;

A colposcopia é um exame para examinar o trato vaginal inferior, ou seja, a vulva, a vagina e o colo do útero. Ele serve para detectar principalmente o câncer do colo do útero. Através do colposcópio (aparelho semelhante ao microscópio) o médico consegue visualizar diretamente a estrutura examinada;

No preventivo de mama as mulheres passam por mamografia, exame de toque e, caso seja notada alguma anormalidade nos seios, o médico retira uma parte do tecido para biópsia. O procedimento é realizado em laboratório pago pelo SUS e fica pronto em cerca de 10 dias;

Em maio de 2014 a unidade conseguiu adquirir um aparelho de ultrassom, que também ajuda na detecção do câncer de mama principalmente nas mulheres abaixo de 40 anos, para quem não é recomendada mamografia;

Além dos exames preventivos de útero e mama, o ginecologista da Rede Feminina de Combate ao Câncer em Joinville ainda realiza cauterização do colo do útero em casos de feridas

Com ter acesso aos exames

Para marcar um exame na Rede Feminina de Combate ao Câncer a mulher deve ligar no telefone 3026-6502. As consultas são marcadas todas as segundas, das 7h às 17h30

Outra opção é se dirigir direto a unidade em qualquer dia da semana, na rua Borba Gato, 26, bairro Atiradores;

O tempo de espera pelo exame, conforme Monique, costuma ser no máximo uma semana

Não é necessário que a mulher comprove ser de baixa renda para ter acesso aos exames

Programação do Outubro Rosa em Joinville

O Outubro Rosa começou no dia 1 em Joinville, com uma missa celebrada na Catedral e abertura do evento no Shopping Muller. As atividades programadas para este mês continuam até o dia 29. Confira:

Dia 7

19h – abertura do Outubro Rosa no shopping Garten;

Dia 8

13h – abertura do Outubro Rosa no shopping Cidade das Flores

Dia 11

9h – 3° Marcha da Vitória Contra o Câncer, com saída do Museu dos Imigrantes, na rua Rio Branco, e chegada na praça Nereu Ramos, rua Do Príncipe. No local haverá aula de zumba, animação com a CIA de Circo Roiter Neves, presença de autoridades, patrocinadores e venda de camisetas. Cada custa R$ 25 e o valor é revertido em prol da Rede Feminina

Dia 22

20h – palestra no shopping Garten

Dia 23

19h – palestra na Acij (Associação Empresarial de Joinville), no salão Tigre

Dia 29

13h – palestra no teatro do Colégio Elias Moreira

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