Publicidade
Sábado, 19 de Janeiro de 2019
Descrição do tempo
  • 28º C
  • 24º C

As belezas e os perigos do rio Três Barras, em Garuva

Refúgio de visitantes na alta temporada, o rio de águas rasas e rodeado de verde também oferece riscos quando chove na serra

Raquel Schiavini Schwarz
Joinville
Cleber Gomes/divulgação/ND
Banhistas aproveitam para se refrescar em um dos recantos do rio

No alto da Serra do Quiriri, atrás do Monte Crista, nasce um rio que virou refúgio de moradores e turistas no verão de Garuva. Em dias quentes, não é difícil de ver banhistas se refrescando nas águas rasas do rio Três Barras ou mesmo se abrigando à sobra de generosas árvores em suas margens. A água é transparente. É possível enxergar o fundo de areia e algumas pedras que tornam o extenso leito do rio bonito e atrativo.

Mas, apesar das belezas, o rio esconde perigos. O principal deles é a popular “cabeça d’água”. Quando chove na serra, a água desce com força, formando uma enxurrada quando chega na comunidade de Três Barras, nas proximidades da ponte de arame, início da subida do Monte Crista. Esse é um dos pontos mais frequentados pelos banhistas. Mas há movimento em outros pontos também em uma extensão de cerca de 400 metros.

O comandante do Corpo de Bombeiros Militares de Garuva, sargento Olivério, explica que, muitas vezes, não está chovendo em Garuva, mas está na serra. Por isso, uma dica é ficar atento ao clima. E, se choveu forte um dia antes, é bom nem ir ao rio porque a correnteza estará forte. “No verão passado, estava aqui e vi que o tempo começou a escurecer. Não pensei duas vezes. Peguei minha família e fui embora”, contou Claudemir Pereira da Silva, que mora no Rio Bonito e, quando tem uma folguinha, gosta de visitar o lugar.

Claudemir gosta da sombra das margens do rio, coisa que praia não tem, diz. No sábado à tarde que a equipe de reportagem foi ao local, Claudemir estava com sua família e um casal de amigos de Joinville, Jeferson e Fabiana Hassi, que convidou para conhecer o rio. “É bom para as crianças”, comentam entre os casais. O grupo só fez uma observação: “tem muita gente que deixa lixo aqui. Achamos até fralda descartável.”

Outro casal que prefere o rio à praia é Alexandre e Jenifer de Oliveira. “É bonito. Mas ainda tem gente que deixa lixo aqui. Minha filha estava brincando na água e quase cortou o pé no fundo de uma garrafa”, comentou Jenifer. Alexandre também reclamou dos motoristas que estacionam dos dois lados da rua estreita. “Em dias de bastante calor, fica difícil até de manobrar o carro. Temos de ir até o fim da rua para conseguir dar a volta”, relata.

Ao longo da rua estreita, há placas de proibido estacionar de um lado da via, mas a regra é pouco respeitada. Além disso, alguns banhistas invadem as margens do rio com o carro e colocam som alto, incomodando quem busca tranquilidade. E é justamente essa calmaria que o casal Gorete Martins e Valdinei de Lima busca quando vem para o rio Três Barras. Junto dos filhos, que não paravam de pular na água, o casal descansava nas pedras enquanto observavam as crianças na água.

“Trabalhamos a semana inteira e não gostamos de tumulto. Por isso, viemos para cá, para descansar. É um lugar bom para a família”, diz Valdinei. Assim como os outros casais, ele só reclamou do lixo deixado pelos banhistas às margens do rio. O casal já estava com uma sacolinha nas mãos para levar seu lixo embora e dar o exemplo.

 

Lembranças dos banhos no rio e da fartura de peixes

Há mais de 40 anos vizinho do rio Três Barras, seu Adval Griesbach, 76 anos, lembra com carinho dos banhos no rio e da rede cheia de lambaris. Ele conta que não saía da água no verão e tomava banho, inclusive, à noite. “Naquela época, a água era mais limpa e o rio mais raso”, diz. Quando ia pescar, não decepcionava. Trazia a rede cheia de peixes para o almoço. Hoje, são raros os peixes.

Caminhando à beira do rio, seu Adval também recorda da enchente de 2008. As águas do rio chegaram até a garagem de sua casa e deram um tremendo susto, além dos estragos pela região.

Hoje, Adval não se banha mais no rio, mas demonstra respeito e carinho pelo local. “Sem rio, ninguém vive né?”, diz o senhor simpático e disposto.

A única coisa que lhe desagrada são os visitantes mal-educados, como descreve, que não recolhem o lixo, invadem as propriedades para furtar banana e outros alimentos e ainda deixam os carros em locais impróprios, impedindo a entrada de alguns moradores em suas propriedades.
O rio Três Barras corta o interior de Garuva e desemboca no rio Palmital. Depois, suas águas seguem para a Vigorelli e encontram a baía Babitonga. 

Comunidade reivindica posto salva-vidas

Apesar das águas rasas e calmas – quando não chove e não há correnteza – há alguns locais cuja profundidade chega a dois metros. São os chamados “poços”, alerta o comandante do Corpo de Bombeiros Militares, sargento Olivério. Há risco de afogamento. Em toda a temporada, lembra o comandante, há registros de afogamentos no Três Barras e, na maioria das vezes, a própria comunidade ou os visitantes do rio auxiliam no salvamento.

Por isso, a comunidade tem cobrado a instalação de um posto salva-vidas no rio. Três bombeiros de Garuva fizeram um curso na corporação militar de Itapoá e estão preparados para atuar no salvamento. Dois serão destacados para o posto a ser construído no rio Três Barras. Segundo o sargento Olivério, agora só depende da Prefeitura liberar material para construir o posto. Depois de pronto, funcionará toda sexta, sábado, domingo e feriados. No fim do ano, ficará aberto todos os dias. A Prefeitura informou que ainda não há pedido formal da comunidade para a instalação do posto.

“Onde tem banhista é importante que tenha um posto salva-vidas. Hoje, se dá prioridade para as praias e se esquece dos rios. Precisamos ter aqui também”, destaca o sargento Olivério, que lembrou que três pessoas da mesma família já morreram afogadas no rio Três Barras anos atrás.
O comandante citou o exemplo do rio da Judite, que fica no início da entrada do Cubatão, em Garuva. Este é o rio mais frequentado da região e já conta com um posto salva-vida aberto nos meses de dezembro, janeiro, fevereiro até início de março. 

Dicas de segurança

 Observe o tempo. Se estiver para chover ou choveu no dia anterior, a água pode descer da serra com mais pressão e formar a “cabeça d`água”, como popularmente é conhecida. Nessas situações, não é  recomendado tomar banho.
 Nunca tome banho sozinho no rio. Procure estar sempre acompanhado de alguém que saiba nadar. Se não souber nadar, é recomendado que fique em lugar raso.
 Sempre que possível, use coletes salva-vidas. Vale, principalmente, para crianças e idosos.
 Nunca deixe crianças perto da beira do rio.
 Não acampe em lugares baixos às margens do rio. Muitas vezes, as pessoas vão dormir e chove à noite, formando a cabeça d`água, que desce com pressão levando tudo o que tiver às margens baixas do rio, inclusive barracas.
 É importante ter uma boia e uma corda no acampamento para ajudar em eventuais salvamentos.
 Nunca brinque de pedir socorro. Quando o afogamento for
real, as pessoas podem desconfiar que é mais uma brincadeira
e não ir salvar. O sargento Olivério lembra que, quando
há turmas, esse tipo de brincadeira perigosa ocorre com
frequência.
 Evite bebida alcoólica.

Publicidade

0 Comentários

Publicidade
Publicidade