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Terça-Feira, 18 de Setembro de 2018
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Artista plástica de Joinville utiliza lixo para elaboração de obras

Márcia Camargo ficou famosa por usar sua arte para chamar a atenção para a preservação ambiental

Windson Prado
Joinville

“O lixo pode virar arte, mas a arte não precisa ter a cara do lixo”. É assim, de forma simples e objetiva, que a artista plástica Márcia Camargo, 57 anos, justifica a especialidade de utilizar material descartado para compor suas obras de arte. Num olhar menos atento fica difícil perceber, mas nas formas, traços e aplicações nos quadros há uma infinidade de materiais encontrados na rua e no lixo. “Resto de taxas, vidro, ferros, pregos, guarda-chuvas, arame e até raios de bicicleta podem ser transformados em obras de arte. Basta saber trabalhar com isso, ter um pouco de criatividade, garantir bom acabamento”, comenta a artista.

 

Fabrício Porto/ND
“Consumimos muito e geramos resíduos demasiadamente”, comenta Márcia Camargo

 

Márcia ficou famosa por usar sua arte para chamar a atenção para a preservação ambiental. Suas obras vão do decorativo ao contemporâneo. Em 2006, ela fez uma série de trabalhos no qual retirou resíduos do rio Cachoeira para mostrar a necessidade de recuperarmos o rio. “Desde quando cheguei a Joinville, em 1987, moro ao lado do Cachoeira. Comecei a estudar a história do rio e me apaixonei por ela. Ele sempre nos ofereceu muito, mas não soubemos cuidar dele. Por isso, resolvi mostrar que, em meio à poluição, nosso rio também pode ser utilizado para fazer arte. Mergulhei lençóis nas águas escuras do rio e consegui um tingimento muito peculiar no tecido. Este material e esta técnica foram utilizados em várias obras e exposições”, acrescenta.

No fim do ano passado, a artista resolveu utilizar o próprio lixo doméstico para montar painéis de arte que ficaram expostos em vários pontos de Joinville, como no galpão da Associação dos Artistas Plásticos de Joinville. “Comecei a olhar para o lixo que eu produzia e isso me deixou preocupada. Usamos muita coisa, consumimos muito e por consequência geramos resíduos demasiadamente”, comenta a artista.

Foi então que ela propôs um desafio a si mesma: guardar todo o lixo gerado por dois meses, exceto o lixo orgânico. “Com esta montanha de material fizemos painéis e intervenções para chamar a atenção da comunidade para importância de mudar hábitos, repensar atitudes, reduzir o consumo para geramos menos resíduos e ajudarmos o planeta. A exposição recebeu o nome Exposição Lixo, Detritos e Descartes, e também teve a participação de Regina Marcis, Juliana Bender, Mirian Puerta e Josiane Michels”, acrescenta a artista.

Trajetória da artista

Márcia Camargo nasceu em São Paulo e chegou a Joinville no final da década de 80. Estudou Artes Visuais na Univille e é secretária da diretoria da Aaplaj. Hoje ela atua como artista plástica. Suas obras vão do decorativo ao contemporâneo, sempre trabalhando com materiais alternativos e explorando texturas e tingimentos fora do padrão usual  Trabalha e pesquisa diversos suportes, materiais e texturas. Utiliza várias linguagens, instalação, fotografia, vídeo arte, intervenções urbanas e performance.

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