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Aposentada perde R$ 400 mil para golpistas do Bilhete Premiado em Florianópolis

Idosos são as principais vítimas dos vigaristas, que geralmente agem em dupla e têm poder de convencimento imensurável

Colombo de Souza
Florianópolis
18/04/2018 às 20H19

O velho golpe do Bilhete Premiado continua fazendo vítimas em pleno século 21 em Florianópolis. Segundo a polícia, 90% das vítimas são aposentados. “Mas tem muita gente esclarecida, olho grande, que também cai no golpe”, comentou nesta quarta-feira (18) o delegado da 1ª DP da Capital, Rodolfo Serafim Cabral, que investiga uma quadrilha especializada que age em todo o país.

O delegado Rodolfo Serafim Cabral atende vítimas do golpe do Bilhete Premiado com frequência - Colombo de Souza/ND
O delegado Rodolfo Serafim Cabral atende vítimas do golpe do Bilhete Premiado com frequência - Colombo de Souza/ND


Nos últimos 40 dias dois idosos perderam valores altíssimos para os vigaristas. “Uma mulher de 65 anos, abordada na rua Conselheiro Mafra, no Centro, por um homem com trajes de caipira e uma loira bem vestida, chegou a ir em casa e pegar joias de ouro e brilhante avaliadas em R$ 400 mil em troca de um suposto prêmio de R$ 2 milhões”. 

Em outra ocorrência, aplicada pela mesma quadrilha, um aposentado sacou um total de R$ 25 mil em dois bancos e entregou para os mesmos golpistas, que blefaram ter um bilhete premiado da Loteria Federal de R$ 80 mil. Rodolfo comentou que os golpistas têm um poder de convencimento imensurável, cheio de estilo, e fazem um pré-levantando das vítimas antes de agir.

Geralmente eles andam em dupla: um falso caipira e outro bem arrumadinho. O golpe inicia assim, explica o policial: “O caipira aborda a vítima, diz que veio do interior e ganhou na loteria. Mas não tem documento para retirar o prêmio e está vendendo o bilhete”. A vítima tenta fugir da abordagem, prossegue o delegado, mas neste momento chega o segundo golpista, se intromete na conversa e puxa um paco de dinheiro, que na verdade é um monte de papel revestido por algumas cédulas de R$ 100, e faz uma proposta.

“Ali começa o jogo. A vítima cresce o olho e entrega tudo o que tem de valor pelo bilhete. Ela somente percebe que foi lograda quando vai ao banco”, completa o delegado. Nos 16 anos de polícia, Rodolfo tem ouvido histórias infortúnias. Ele não revela nomes, mas afirmou que um noivo terminou o relacionamento porque a noiva entregou para um estelionatário os R$ 80 mil, dinheiro da venda de uma camionete, que estava reservado para a construção da casa própria.

Além do falso Bilhete Premiado, existe uma centena de outros golpes de menor valor que vêm sendo aplicados na praça. Os mais comuns são supostos prêmios das operadoras de telefonia. “Os vigaristas aproveitam os momentos de crise, ligam para uma vítima e blefam que ela ganhou um prêmio de R$ 10 mil. Mas para retirar o valor têm que fazer um depósito de R$ 800”, conta o delegado.

O pedido é depositado numa conta bancária de um estado distante e quando a vítima percebe que é golpe, vai à delegacia registrar boletim de ocorrência. “Todos os dias tem gente que cai neste golpe”, diz Rodolfo. Ele avisa que, para escapar desta armadilha, as pessoas têm que ser mais conscientes e menos gananciosas, além de ficar atentas às abordagens e desconfiar de dinheiro fácil.

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