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Terça-Feira, 13 de Novembro de 2018
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Após 20 anos, franquia da Nintendo passa por renovação com lançamento de aplicativo Pokémon Go

Com realidade aumentada e geolocalização, jogo causa repercussão pelo mundo e já conquista fãs brasileiros

Gustavo Bruning
Florianópolis

Os amigos Heidar, Vitor e Caio são aficionados por League of Legends, um dos jogos on-line mais populares dos últimos anos. No entanto, um novo fenômeno promete tirá-los da frente do computador e promover grandes jornadas: Pokémon Go. Para a felicidade da geração que cresceu sonhando em capturar todos os monstrinhos, o jogo para smartphone permite explorar a realidade aumentada através da geolocalização e participar de batalhas com outros treinadores.

Daniel Queiroz/ND
Caio (à esq.), Vitor e Heidar estão prontos para capturar os Pokémons


Desde 6 de julho, o aplicativo está sendo disponibilizado em alguns países. Austrália, Nova Zelândia, Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido, Itália, Espanha e Portugal já estavam na lista quando, neste sábado, outros 26 países passaram a contar com o jogo.

Contudo, chegou temporariamente a celulares brasileiros na última semana, mesmo sem o lançamento oficial, com recursos limitados. Não há confirmação da Nintendo em relação à liberação do aplicativo no país, que pode aparecer na App Store e na Google Play a qualquer momento – ou pode levar até dois meses. Enquanto os jogadores brasileiros aguardam a chance de capturar de forma definitiva seus próprios Pokémons, o aplicativo repercute no exterior e inova com a sua jogabilidade.

Lançada em 1996, a franquia se tornou bem-sucedida logo de início e os milleniuns também foram fisgados pela febre. Para Heidar Nicollas, 16 anos, fã do desenho desde pequeno, a competição promovida por Pokémon Go é o seu principal atrativo. Cada jogador pode ingressar em um dos três times, que deve defender durante as batalhas.

Caio Henrique Gutierrez, 15, acredita que essa funcionalidade vai motivar a busca por um nível mais alto e por novos Pokémons, além de instigar os jogadores a explorar diferentes lugares e conhecer novas pessoas. “Pretendo combinar com os meus amigos para caçarmos juntos e pegarmos ginásios”, afirma. “Ao sair para jogar, você ainda está com a tecnologia, mas não está preso dentro de casa”, explica Vitor Bonamigo, 17.

Inovação e liberdade

Com o uso de Pokébolas, os usuários capturam as criaturas através da câmera do smartphone ou de um fundo padrão. Percorrendo os locais da própria cidade, o jogador encontra PokéStops, onde obtém itens, e ginásios, os locais de batalha. A experiência ainda posiciona criaturas específicas próximas a seus ambientes naturais – como praias e florestas. “A possibilidade de capturar Pokémons de acordo com os lugares e a forma de chocar os ovos são inovadoras”, conta Caio Henrique Gutierrez.

Ao contrário dos títulos para videogames portáteis, que apresentam narrativas fechadas, o novo sucesso da Nintendo aposta justamente na liberdade de seus jogadores. “Os jogos trazem uma emoção que você gostaria de ter na vida real, só que não é como se você fosse conseguir. Agora é preciso sair do monitor e ir para a realidade, que está cada vez mais próxima”, acrescenta Caio.

Franquia evoluída

A franquia japonesa Pokémon já conta com mais de 900 episódios, 18 filmes de longa-metragem, um jogo de cartas de sucesso e dezenas de jogos de videogame. A influência da marca na cultura universal é imensurável. A partir da segunda metade de 2000, entretanto, sua relevância fraquejou. Depois de seis gerações e mais de 700 Pokémons, a marca precisava reviver.

Com Pokémon Go, a Nintendo garantiu à sua galinha de ovos de ouro uma sobrevida. O lançamento do aplicativo fez com que o valor da empresa subisse – seu valor de mercado foi incrementado em US$ 7,5 bilhões. O jogo promoveu um lucro entre US$ 3,9 milhões a US$ 4,9 milhões apenas no seu primeiro dia. Além disso, as ações da Nintendo na Bolsa de Tóquio dispararam 70% na última semana.

No entanto, jogadores vêm reclamando do alto consumo de bateria e dados por parte do aplicativo e da sobrecarga dos servidores, o que implica em eventuais investimentos. Mesmo assim, de acordo com o site Sensor Tower, o tempo médio de uso diário do Pokémon Go na segunda-feira, dia 11, por usuários norte-americanos de iPhone ultrapassou o de aplicativos como Facebook, Snapchat e Twitter.

Dez dias de Pokémon Go

“As notícias pulam em você”, afirma Caio Henrique Gutierrez. Há meses a internet é inundada por vídeos e matérias com tutoriais e informações sobre o jogo. Confira alguns destaques que invadiram as redes sociais.

- Um norte-americano do Texas chamou a atenção após capturar um Pidgey – e registrar o momento – enquanto a esposa dava à luz.

- Na Austrália, uma delegacia divulgou um comunicado pedindo que jogadores deixassem de adentrar o local em busca de Pokébolas – a delegacia foi marcada no jogo como uma PokéStop.

- Casos de jogadores que encontraram corpos durante suas jornadas Pokémon nos estados norte-americanos Wyoming e New Hampshire ganharam as manchetes mundiais.

- O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, declarou no Facebook o desejo de ter o aplicativo disponibilizado na cidade antes do início da Olimpíada.

- Uma garota de 15 anos foi atropelada ao atravessar a rua enquanto caçava Pokémons no estado da Pensilvânia (EUA).

- O museu de Auschwitz, na Alemanha, e o Museu do Holocausto dos Estados Unidos, condenaram o uso do jogo em suas mediações. Neste último, houve relatos de que o Koffing, um Pokémon do tipo venenoso que solta gases tóxicos, aparecia no local.

- Em Missouri (EUA), uma gangue foi presa após atrair jogadores para uma PokéStop e roubar seus celulares.

Curiosidades

O jogo foi anunciado em setembro de 2015. Entre março e junho de 2016, usuários do Japão, Austrália, Nova Zelândia e Estados Unidos puderam testá-lo.

Pokémon Go tem um conceito semelhante ao vídeo de 1 de abril do Google de dois anos atrás, em que as pessoas utilizam seus smartphones para capturar as criaturas.

Ironicamente, o aplicativo ainda não foi liberado no Japão, berço da franquia. O jogo, no entanto, foi desenvolvido nos Estados Unidos.

A Nintendo deve lançar ainda este mês um acessório que permite capturar os monstrinhos sem nem mesmo utilizar o smartphone – uma espécie de pulseira chamada Pokémon Go Plus.

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